Segunda-feira, Setembro 07, 2009

LIFE ON MARS


Na postagem anterior falei de Breaking Bad que eu gostei muito. Agora estou terminando de assistir uma série fantástica que eu quero recomendar para todos vocês. Tenho a impressão que é pouco conhecida - Life on Mars, produzida pela BBC. A história é de um detetive que nos anos atuais persegue um serial killer usando toda a parafernália tecnológica da policia moderna. Ele recebe um telefonema do serial killer, parece que o assassino apanhou sua namorada, também policial e está prestes a mata-la. Nosso herói é então atropelado por um carro e jogado na rua, quase morto. Ele acorda em..1973. Está em coma e sonhando, enlouqueceu ou viajou no tempo? Não se sabe. Nem ele, nem nós. Me lembrou muito outra série inglesa que infelizmente não saiu ainda em DVD - O Prisioneiro. Nunca se sabe realmente o que está acontecendo. O humor está presente em pequenas coisas como a sugestão de Sam, nosso herói, para que o dono de um pub coloque uma televisão para os clientes possam assistir jogos de futebol. Hoje, como se sabe, duas coisas são indispensáveis num pub - cerveja e TV. Um capítulo mostra o inicio dos Holligans. Sam que sabe na selvageria que o futebol vai se transformar critica a falta de energia da policia em conter o inicio daquela onda. Podem alugar ou comprar (R$ 70,00), vale a pena.
Até a próxima postagem que eu espero não demore tanto quanto esta.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

BREAKING BAD


Ótima série. Professor de quimica de high school, acompanha batida policial comandada pelo cunhado, policial do NARC. Ao ver o péssimo laboratório que a pilantragem usava para fabricar anfetaminas percebe as possibilidades do mercado. Em pouco tempo, um novo produto, de alta qualidade ganha as ruas. Este é o fundamento da séria Breakin Bad. Muito boa. Vale a pena. O professor de química tem cancer de pulmão. Um ano de vida? E como os professores daqui não tem muita coisa para deixar para a familia. Quase o assalto a farmácia de um ex secretário de segurança destas bandas do sul. Deu para ver? Não tem nada de comédia.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

DAVID CARRADINE

David Carradine: "-Cinco ou seis pessoas, por dia, vem me falar que a série (Kung Fu) mudou suas vidas"
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Sábado, Maio 23, 2009

ENCONTRO INESPERADO (UNE HIRONDELLE A FAIT LE PRINTEMPS)


O meu primeiro contato com a vida no campo foi quando fiquei tuberculoso.
Na época o tratamento para tuberculose era penicilina e o ar do campo. Não foi tão ruim. A penicilina veio na forma de duas injeções diárias durante um mes - inesquecíveis. A preparação já era um tortura. Ferver a seringa de injeção e uma agulha, muitas vezes rombuda, numa caixinha de metal (é crianças, o descartável não existia) e a gente olhando, esperando a hora da picada fatal. Já o ar do campo veio com a mudança de toda minha familia para a serra pelotense, onde haviamos alugado a casa de um colono. Era uma espécie de turismo rural, muito comum na década de 40 e 50. Esta foi a parte boa. As ameixas roxas e brancas colhidas diretamente no pé. Nunca mais encontrei tão doces e suculentas. O riacho de água corrente no meio do mato, nem 20 cm de profundidade, mas era precioso. O leite direto da vaca turbinado com uma medida de Toddy. As correrias pelo campo atras de uma bola ou sem propósito nenhum. Nem lembro que idade eu tinha mas devia ter passado dos dez anos pois lembro uma visita de meus tios, a irmã de minha mãe e seu marido, ele um sobrevivente de uma tuberculose que lhe liquidou um pulmão inteiro. Acho que veio me prestar sua solidariedade que eu ingratamente retribui tentando levar a filha dele, minha prima, para um passeio cheio de intenções pela mata nativa. O irmão dela porém, alguns anos mais moço, mas muito bem instruido, permaneceu grudado na mana e não permitiu que nada de grave acontecesse.
Estas lembranças vieram a tona quando vi um filme que o Cineman me recomendou - Encontro Inesperado. O nome em frances é muito mais sonoro - Une Hirondelle a Fait Le Printemps. Em tradução livre - Uma andorinha só faz o verão. Uma inteligente variação do conhecido provérbio.
A história é o cruzamento de duas vidas.
Sandrine é uma parisiense, livre e desimpedida, professora de uma escola de informática, bom salário, apartamento, carro e.. de saco cheio com a vida. Resolve ser agricultora e começa a fazer um treinamento para jovens que desejam encarar esta dura atividade. Dois anos de treinamento. Um ano teórico e um ano prático estagiando em propriedades rurais. Uma idéia boa para os nossos sem terra que, sem nenhum conhecimento de agricultura, são jogados num pedaço de terra para viver, indefinidamente, a custas de ranchos fornecidos por nós.
Na outra ponta da história temos o velho agricultor Adrien (Michel Serrault). Com Adrien é o contrário, não suporta mais a vida do campo. Adrien coloca sua propriedade a venda. É um pequeno sitio, nos Alpes, onde ele cria umas quarenta cabras produtoras de leite. Quando Sandrine aparece como compradora ele coloca a condição de continuar morando ali por seis meses. Ela aceita e está montado o cenário da história.
São dois solitários que aos poucos vão se conhecendo e se gostando. Sandrine talvez procurando o pai que não tem e Adrien, a mulher que perdeu. O filme é lento, bem ao estilo francês, mas com continuidade e muita emoção. A paisagem dos Alpes é um espetáculo a parte.
Considero como um filme que deve ser visto. É daqueles que deixam algo agradável na gente depois que se assiste.
Até a próxima postagem.
Obs. Vocês notaram que minha tradução livre cita o provérbio na versão portuguesa que é diferente da versão francesa. As estações são diferentes - primavera (printemps) na francesa e verão na portuguesa. Colecionei a mesma expressão em diversas línguas - vejam que interessante.

Português: Uma andorinha só não faz verão.

Espanhol: Una golondrina sola no hace verano.

Italiano: Una rondine no fa primavera.

Francês: Une hirondelle ne fait pas le printemps.

E a original em latim: Una hirundo no facit ver.

Um simples provérbio nos permite traçar os vôos migratórios das andorinhas na Europa - chegando na primavera na França e na Itália, e no verão na Peninsula Ibérica - e mais ainda, imaginar Julius Caesar, num momento romântico, as margens do Nilo, sussurando para Cleopatra "- Una hirundo no facit ver".


Sábado, Maio 16, 2009

A MALDIÇÃO (THIS IS MY FATHER)


Alguém que não gosta de filmes de terror vai ver A Maldição? Estes títulos brasileiros é que, às vezes, são uma verdadeira maldição. Então vamos esquecer a maldição e falar do drama This is My Father. É um filme de 1998, portanto do século passado e que me caiu nas mãos nesta semana. Parece ser uma história de familia contada por irmãos. O diretor e roteirista é Paul Quinn e o ator principal, seu irmão, este mais conhecido, Aidan Quinn. Num papel meio sem sentido, dando um toque de Saint-Exupéry, o amigo John Cusack para ficar ainda mais familiar.
James Caan é Kieran, um professor de high school, viúvo recente, com Fiona, a mãe inválida e incomunicável, vivendo uma profunda depressão. Apesar de todos estes desastres um dos seus maiores sentimentos é não ter conhecido o pai. As histórias de Fiona, que ele ouviu no passado, falavam de um improvável marinheiro francês. A descoberta de uma foto da mãe jovem e de um homem, com uma dedicatória de um tal de Kieran, opa, o mesmo nome, levam o Kieran atual acreditar que está vendo a foto de seu pai. A dedicatória deixa claro que a foto foi tirada na Irlanda.
Kieran resolve percorrer de volta o caminho de sua mãe e com malas e bagagens e mais um sobrinho parte para a Irlanda.
Alguns choques culturais, o do sobrinho com as diretas meninas irlandesas e dele com a rude e católica população local. Encontra, então, uma cigana que conheceu sua mãe e ai passa a rolar, em flash back, a verdadeira história do filme. O relato do amor de Fiona, filha de uma viúva, proprietária de terras, em seus dezessete anos, com Kieran, um pobre agricultor, órfão abandonado quando criança, levemente estranho para os padrões locais. A igreja católica dá as regras, e que regras. A cena de uma confissão é antológica. O padre claramente se delicia com os "pecados" que ele força os paroquianos a contar. É um filme de culpas. Um pouco de Romeu e Julieta na sua parte trágica. Jonh Cusack, na breve aparição de seu personagem, traz um pouco de magia para a história. Um aviador americano que pousa na praia onde estão Kieran e Fiona. A foto que ele tira dos dois é a que Kieran vai encontrar no futuro com a dedicatória de seu pai. O filme é triste, depressivo, mas excelente.
Quando eu comentei com o Cineman ele me contou uma história ainda mais incrivel. Também uma história de familia e que, quem sabe, ele ainda venha a roteirizar.
O avô paterno do Cineman veio da Europa em situação nunca explicada. Quando chegou no Brasil trocou de nome e tascou um "Silva" no final. Porque ele fez isto? Ninguem sabia. Nem a avó do Cineman. Ele era português, ou talvez espanhol, ou talvez basco. Questões políticas, religiosas, passionais? Ninguém sabia. Era marinheiro da marinha mercante. Numa viagem para o Rio e Nordeste, o pai do Cineman ainda não havia nascido, numa enorme tempestade na costa de Santa Catarina, o barco afunda e todos morrem. A avó do Cineman está na praia do Cassino em Rio Grande, quando no meio da noite batem na porta. Ela abre. Um pescador tem uma garrafa nas mãos e na garrafa uma carta. Era uma carta do avô do Cineman se despedindo da familia e dizendo que ia morrer. A garrafa foi jogada ao mar em Santa Catarina e veio parar a não mais de 200 metros onde estava a avó do Cineman. O pescador conhecia a avó do Cineman e sabia onde ela estava parando. Quando achou a garrafa e leu a carta, levou imediatamente para ela. A carta ainda é guardada pela familia. O Cineman durante muito tempo desenvolveu uma teoria que seu avô na realidade havia partido para outras plagas e que o naufrágio tinha sido uma grande armação. A carta, na realidade, havia sido deixada para um amigo para entregar para a mulher após algum tempo. Os sinais: No filho que ia nascer ele colocou o nome de um personagem de Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne. Exatamente o nome do marinheiro do barco que é destruido pelo Nautilus e que, á beira da morte, é salvo pelo capitão Nemo.
A teoria do Cineman, embora engenhosa, foi destruida pela descoberta dos restos do naufrágio recentemente. Isto não impede, é claro, que o Cineman construa outras versões ainda mais fantasiosas.
Voltando ao filme. Provavelmente vocês não vão encontrar em qualquer locadora mas insistam que vale a pena. Façam como eu, separem um filme mais leve para ver depois. Eu vi o excelente Sim Senhor com Jim Carrey.
Obs. Não deixem de ler os comentários do Buggyman nesta postagem.

Sexta-feira, Abril 24, 2009

MILLENNIUM - OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES


Num dos seus inúmeros passeios pelas livrarias da cidade, o CINEMAN se encontrou com o jornalista e escritor sueco, Stieg Larsson. Figuradamente, é claro, porque o senhor Larsson faleceu em 2004, após publicar a trilogia MILLENNIUM, da qual vamos falar.
O primeiro livro da série MILLENNIUM, chama-se, na tradução em portugues, OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES. O CINEMAN adorou as primeiras páginas do livro e foi obrigado a inclui-lo na quota das aquisições do mês. O livro tem mais de quinhentas páginas, o que representa um belo custo beneficio - dez centavos por página. O CINEMAN, instruido pelo Economista Acidental, faz este tipo de cálculo.
A trama é uma das melhores que eu já li nos últimos tempos e justifica a fama que a série MILLENNIUM alcançou no mundo todo. Diversas subtramas, personagens fascinantes. Os personagens principais são Mikael Blomkvist, um jornalista investigativo, sócio da revista Millennium, que dá o título a série e Lisbeth Salander, uma personagem complexa, hacker fenomenal, memória fotográfica, antisocial, anoréxica, tatuadissima e, apesar disso considerada incapaz. Lisbeth é a personagem mais interessante deste primeiro livro. É a verdadeira heroina do Sr. Larsson, tanto que o título da edição sueca é - A Menina com a Tatuagem do Dragão. A tradução brasileira foi feita a partir da versão francesa cujo título foi utilizado pela versão brasileira.
Claro que não vou contar a história que merece ser lida do inicio ao fim sem maiores dicas a não ser que o livro é muito bom e tem que ser lido.
Quando saiu o segundo livro da série Millennium, A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO, o Cineman correu para a livraria e meia hora depois já iniciava a leitura.
Quando, após dois dias de reclusão, consegui falar com ele o Cineman não ocultou sua decepção. "-Li até o final esperando que entrasse um pouquinho de seriedade na história, e cada vez ficava pior, inacreditavelmente pior." Acabou me dando o livro de presente, coisa que ele não havia feito com o primeiro.
Li A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO e, apesar de uma trama interessante, onde a análise psicológica de Lisbeth vai mais fundo, tive que concordar com o CINEMAN, o Sr Larsson exagerou na dose. Em determinado ponto da história o Sr. Larsson se atira nos braços do Sr. Stan Lee, e o livro vira história em quadrinhos. Mas, mesmo inferior ao primeiro, descontados os exageros, vale a pena ler e...esperar o terceiro. O Sr Larsson se recuperará? Ou a trajetória é descendente?
Uma boa leitura e até a próxima postagem.
O título está diferente porque se trata da propaganda do livro em Portugal. Depois de visto ainda é possível acessar um trailer do filme baseado no livro.

Terça-feira, Abril 21, 2009

RECONTAGEM ( RECOUNT)


O Cineman estava degustando um cappuccino e mantendo uma amigável discussão com seu filho e nora sobre o sistema democrático quando, em determinado ponto, resolveu citar os Estados Unidos como um exemplo a ser seguido. Os dois pularam e vieram com a eleição de 2000, a primeira do Senhor W.Bush. O Cineman foi pego no contra-pé, ele não se lembrava direito do que tinha acontecido na Flórida em 2000, pior, ele nem sabia o que realmente aconteceu. Argumentou que a lei tinha sido seguida e outras bobagens, e como o filho e a nora também não tinham muito mais informação do que ele, a discussão se encerrou e passou para futebol, que por sinal não tem nada de democrático - tese para outra postagem.
Poucos dias depois, eis que cai na mão do Cineman o filme RECONTAGEM, exatamente sobre a história da eleição de 2000, mais precisamente sobre a recontagem na Florida.
O filme é uma produção da HBO e tem Kevin Spacey no papel de Ron Klain, coordenador da equipe dos Democratas nas diversas batalhas jurídicas e estratégicas que se travaram na Flórida. Laura Dern no papel de Katherine Harris, Secretária de Estado da Flórida, responsável pelas decisões eleitorais, está inacreditável. Laura interpreta Katherine de uma forma tão histriônica que o Cineman correu para o PC e googlou Katherine Harris. Incrivel. A Laura Dern estava perfeita. Katherine é tudo aquilo que aparece no filme. Apesar do fim da história ser conhecido, o filme tem bastante suspense, o Cineman chegou a esperar que o Bush pudesse perder. Nos extras aparecen entrevistas com o verdadeiro Ron Klain e com Ben Ginsberg do lado Republicano. Parece que o filme expressa a realidade. Nenhum dos dois lados contestou. E foi uma solene sacanagem. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos é inacreditável. Mas no fim, acho que o Cineman tinha razão. Com tudo isto o sistema sobreviveu. Sobreviveu a George W. e isto não é para qualquer um.
Absolutamente imperdível. Vejam os extras, também.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

OS VIGILANTES (GUN CHUNG)


Fazia algum tempo que eu não encontrava o CINEMAN. De repente um torpedo no meu telefone. Uma mensagem breve - VEJA OS VIGILANTES, Cineman.
Lá pelos anos cinquenta, por incrivel que possa parecer, existiam outras opções alem do cinema americano. Tinha o cinema italiano, tinha até o cinema mexicano com a PELMEX e tinha os policiais franceses. Os policiais franceses eram muito bons. Lino Ventura, Jean Gabin. Sem correria, sem tiroteio, cerebral. Os Vigilantes tem tudo do velho policial francês. A história é sobre um grupo de policiais que trabalham sob disfarce, como se fossem cidadãos comuns, vigiando o que acontece a sua volta. O inicio do filme mostra o treinamento de uma jovem policial por um veterano. O que ele exige dela é o requisito básico do grupo - capacidade de observação. No dark side tem um grupo de assaltantes chefiados por um hábil planejador. Ele não participa da ação, fica no alto dos prédios controlando o trabalho de seu grupo rigorosamente cronometrado. Simpatizei com o criminoso, temos uma coisa em comum, ele está sempre rabiscando um SUDOKU. Aprendi uma dica com ele. Usar lápis com borracha. O criminoso intelectual vai se mostrar no final extremamente violento. Realidade. Foi-se a minha simpatia. O diretor é pouco conhecido por nós - Yau Nai Hoi, que faz seu primeiro filme. Ele é um conhecido roteirista de Hong Kong. Não falei antes, o filme é de Hong Kong produzido por um dos maiores de lá, Johnnie To. O policial asiático está começando a parecer o policial francês de 50. Mesmo com nomes que a gente nunca viu sempre vale uma conferida, ainda mais com uma dica do Cineman.
Até a próxima postagem.

Quinta-feira, Março 12, 2009

UM DIA DE CÃO 2

Estava vendo o novo filme do Woody Allen, VICKY CRISTINA BARCELONA, quando recebi um telefonema do Economista Acidental. Ele queria falar sobre o comentário do Cineman - Um Dia de Cão.
" - O Cineman disse que eu disse que empresas públicas não deviam dar muita enfase à obtenção de grandes lucros. Eu achei que o comentário ficou um pouco solto e pode dar a idéia que eu ache que as empresas públicas devem dar prejuizo."
Eu fiz um comentário qualquer, que eu não lembro, dizendo que não tinha sido a intenção do Cineman ou qualquer outra coisa.
O Economista não deu muita atenção e continuou:
" - Quando a Petrobrás anuncia um lucro extraordinário ficamos empolgados com o sucesso de nossa eterna estatal? Não. O que nos vem a mente imediatamente é o preço que estamos pagando pela gasolina. Porque então eles anunciam isto? Porque o anúncio não é para nós, humildes mortais, é para o chefe, para o dono do poder. Quando o presidente da Petrobrás anuncia um lucro magnifico ele está fazendo este anúncio para o Lula, para o FHC, ou quem quer que esteja na cadeira presidencial."
" - Meio idiota isto não é?"
" - Foi o que aconteceu com o anúncio da CORSAN. O anúncio era para a governadora e não para nós, simples cidadãos. O presidente da Corsan estava na realidade dizendo para a governadora que sua administração é muito boa, que ele conseguiu um grande lucro e que ela deve mante-lo no cargo."
" - Concordo que realmente não me interessa muito que a CORSAN tenha tido um lucro extraordinário mas dai a não divulgar o balanço da empresa vai uma distância enorme."
" - O que faltou a CORSAN e falta a Petrobrás e falta a qualquer empresa estatal que faça este tipo de divulgação é nos dizer o que realmente interessa. Anunciar um excelente lucro e ao mesmo tempo nos informar os planos da empresa para uso destes recursos me parece que seria algo interessante. Mas acho que não vamos ver isto tão cedo. Mas sou a favor do lucro. Não quero mal entendidos com relação a isto. E diz para o Cineman usar ganchos melhores, este do Dia de Cão foi horrível"

Segunda-feira, Março 09, 2009

UM DIA DE CÃO (DOG DAY AFTERNOON)


Grande filme de Sidney Lumet com uma interpretação magnifica de Al Pacino. Mas o roteiro de Um Dia de Cão não chega nem perto do que aconteceu em Porto Alegre hoje, dia 9 de março de 2009. De manhã, a CORSAN, a empresa de água e esgoto do Estado do Rio Grande do Sul, tinha anunciado um lucro de R$ 211,9 milhões. Nada mais nada menos que o maior lucro da empresa até hoje. O Economista Acidental me falou uma vez que quando empresas estatais dão lucros maravilhosos é sinal que o cidadão está pagando demais. Um empreiteiro que presta serviços para a CORSAN também deve ter ouvido esta noticia e pirou de vez. Acontece que a nossa magnifica e lucrativa empresa estadual tinha uma dívida de R$ 180.000,00 com o dito empreiteiro. Estou imaginando que estavam sendo utilizados todos aqueles processos protelatórios que quem é ou já foi credor do Estado conhece. Nosso personagem possivelmente estava sendo pressionado por seus funcionários e credores. Então ele pirou e com ele pirou a irmã dele. Sequestraram o presidente e dois assessores da lucrativa CORSAN e os mantiveram em "cárcere privado" das cinco da tarde até as sete da noite. E ai vem o mais incrivel. A CORSAN pagou a dívida. Os nossos insanos empresários estão agora presos. Não sei o que vai acontecer com eles mas atingiram seu objetivo. Os empregados vão receber seus salários atrasados, ficou público o calote da estatal e eles ganharam alguma notoriedade que foi o tema principal de Um Dia de Cão. E se encontrarem pela frente um juiz com algum senso de justiça vão sair limpos com uma acusação de rigor excessivo na cobrança de seus créditos.
Até a próxima postagem

Terça-feira, Março 03, 2009

O ACOMPANHANTE (THE WALKER)


O Cineman quando jovem custou a comprender o sucesso que alguns rapazes tinham junto as meninas da alta sociedade pelotense. Eram guris que a gente não convidava para jogar futebol mas, para nossa inveja, viviam cercados pelas nossas musas. No último filme que foi lançado em DVD do diretor e roteirista Paul Schrader, o personagem central me lembrou aqueles alegres rapazes. O nome do filme em ingles - The Walker - define os homens que prestam o serviço de acompanhante das mulheres da alta sociedade na ausência de seus maridos. O termo começou a ser usado para o permanente acompanhante de Nancy Reagan nas constantes ausências do presidente. Não existe sexo envolvido. É só companhia. E neste contexto são óbvias as vantagens de um acompanhante gay. The Walker tem muito de um dos primeiros filmes de Schrader, O Gigolô Americano, com Richard Gere. Os dois personagens são homens solitários que se beneficiam da companhia de mulheres mais velhas. No Gigolô existe sexo e dinheiro envolvido. No Walker, só companhia. O personagem de The Walker é Carter Page III (Woody Harrelson numa interpretação magnífica). Carter Page acompanha principalmente três damas do meio político de Washington D.C.. Ele organiza semanalmente um jogo de canastra onde todas participam e atualizam as fofocas. Carter é de tanta confiança que acompanha uma delas nas escapadas para encontrar o amante que é um conhecido lobista. Um dia a dama retorna rapidamente do encontro e muito assustada - seu amante foi assassinado. Ela é esposa de um senador. Ela não pode aparecer. Carter assume a situação e se apresenta como a pessoa que encontrou o cadáver e acaba se transformando no principal suspeito. A policia como não tem provas forja algumas contra Carter. Carter mantem a história. Ele não vai entregar sua amiga. Mas a situação se complica cada vez mais quando Carter e seu jovem namorado turco começam a investigar o crime. É um crime passional ou é um crime político? Personagens misteriosos vão surgindo a medida que o filme avança e a situação de Carter se deteriora. É um filme noir clássico. Requintado, sem violência, ou pelo menos, muito pouca. Um trabalho muito bom de Woody Harrelson. Para a velha geração tem ainda Lauren Bacall, bem velhinha mas ainda muito charmosa. Recomendo com segurança.
Até a próxima postagem.

Sábado, Fevereiro 21, 2009

FORA DE SÉRIE (OUTLIERS)


Todos nós costumamos achar muito bom um artigo ou um livro que reforce as idéias que temos sobre qualquer assunto. É absolutamente normal. Por isto gostei demais do livro Fora de Série, de Malcolm Gladwell. Eu já tinha lido o segundo livro do Sr. Gladwell que se chama Blink e, pelas mesmas razões, gostado muito. Ainda estou a procura do primeiro livro dele, The Tipping Point. Em Fora de Série, Malcolm Gladwell faz uma investigação sobre as raizes do sucesso. E ele faz constatações muito interessantes. Nem sempre, ou melhor, na maioria das vezes o sucesso não depende de talento individual. Para Gladwell o sucesso em qualquer área, negócios, esportes, música, é um somatória de vantagens que podem estar ligadas a familia, lugar onde nasceu, profissão dos pais, determinada época e outras coisas mais que pouco tem a ver com talento. Ele faz uma análise de diversas personalidades e analisa as possíveis causas do seu sucesso. O primeiro exemplo de Malcom é sobre as equipes de hóquei no gelo no Canadá. O hóquei é o esporte nacional. Em 2007 o Medicine Hat Tigers e o Vancouver Giants se enfrentaram pelo Memorial Cup em Vancouver, na Columbia Britânica. O Memorial Cup é o campeonato da liga junior, composta por atletas de 17 a 19 anos. A liga júnior do Canadá é considerada a melhor do mundo. O Vancouver Giants venceu após uma emocionante partida. Ali estavam os melhores jogadores jovens do Canadá. Mérito puro. Como em qualquer esporte, o mérito é decisivo. Jogam sempre os melhores. Em esporte não existe nepotismo. O filho do presidente do Grêmio ou do Internacional não joga. Quem joga são os melhores jogadores que o clube tem. Ai o Malcolm pergunta. Será que é só mérito que levou a formação das equipes dos Hat Tigers e Vancouver Giants? Para introduzir seu ponto Malcolm nos apresenta o nome de todos os atletas, posição, altura, peso, local de nascimento e data de nascimento e pergunta. - Algum detalhe que chame a atenção? Fiquei duas horas examinando e não encontrei nada. Malcolm pediu para não me envergonhar pois só em 1980, o psicólogo canadense Roger Barnsley chamou a atenção para o fenomeno da idade relativa. Num jogo dos Lethbridge Broncos a esposa de Roger, Paula, examinando o programa do jogo onde aparecia aquela tabela com dados dos jogadores, chamou a atenção dele para um detalhe. A maioria dos jogadores tinha data de nascimento em janeiro, fevereiro e março. Roger resolveu checar a coincidência. Em todas as equipes a coincidência se repetia. Verificou as equipes de garotos de 11 e 13 anos, a mesma coisa. As equipes profissionais, a mesma coisa. Resultado final da pesquisa: 40% dos craques aniversariavam entre janeiro e março e 10% entre outubro e dezembro. Roger foi então para a análise dos seus dados e chegou a conclusão que não era só o mérito que levava aqueles jogadores ao sucesso. Um dado muito singelo, mes de nascimento, parecia ter muito mais importância.
Malcolm traz outros exemplos muito interessantes - Beatles, Bill Gates e muitos mais.
O ponto que Malcolm levantou e que reforçou uma idéia minha é quando se refere ao desempenho de alunos no colégio. E que, em suma, é a mesma situação dos jovens jogadores de hóquei no Canadá. A data de nascimento tem uma importância fundamental.
Leiam este livro. Talvez reforce algumas idéias aparentemente malucas que vocês tenham. O livro é sensacional e, muito importante em época de marola, baratinho.
Até a próxima postagem.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

O APARTAMENTO (L´Appartement)

Assisti neste fim de semana, antes do GreNal, o Apartamento. É um filme frances de 1996, primeiro filme dirigido por Gilles Mimouni - primeiro e último. Ele também é o roteirista de onde eu presumo que, mais do que pretender ser um diretor de cinema, ele tinha uma história para contar. E uma boa história. Os atores são interessantes. Vincent Cassel, um ano depois de ter feito grande sucesso no violentissimo O ÓDIO, de Mathieu Kassovitz, tem a chance de confirmar que é um bom ator. Monica Bellucci, a estudante de direito que virou modelo e foi considerada a mulher mais bela do mundo, tem a sua primeira aparição séria no cinema. Acho que foi ai que eles se conheceram. Tres anos depois casaram e continuam até hoje. Monica tinha feito uma pontinha no Drácula do Coppola e mais alguns fimes italianos desconhecidos até O APARTAMENTO. O filme ganhou duas indicações para o Cesar - uma para Mimouni e outra para a sra. Bellucci. Foi feita uma refilmagem, ou uma recontagem desta história, no filme Paixão a Flor da Pele. O Apartamento é melhor. A técnica de Mimouni de ir contando a história a patir de diversos pontos de vistas, indo e voltando no tempo com precisão cirúrgica é surprendente para um diretor iniciante. A influência de Hitchcock é enorme. Eu me lembrei especificamente de UM CORPO QUE CAI. Se voces viram Paixão a Flor da Pele já conhecem a história mas a forma de Mimouni é superior. Para quem gosta de tramas bem feitas com um belo suspense, eu recomendo.
Até a próxima postagem.

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

HEROI


Normalmente eu faço uma pesquisa dos filmes antes de comprar. Eu uso muito o IMDB que é um site sensacional com acesso à criticas de cinema de vários jornais do mundo. Um truque é verificar a produtora do DVD. Quando o filme tem artistas muito conhecidos, um diretor que você nunca ouviu falar e o DVD é de uma produtora menor, desconfie, pode ser uma daquelas produções feita as pressas num pais da ex-cortina de ferro e que não valem o tempo que voce perde esperando que alguma coisa boa ainda venha a acontecer. Não vai acontecer.
Não pesquisei nada sobre HEROI. Primeira falha.
O filme tem Cuba Gooding Jr e Ray Liota, dois ótimos atores e diretor completamente desconhecido. A produtora do DVD é uma das consideradas pequenas. Segunda falha minha.
Resultado: Perdi uma hora e meia assistindo um péssimo filme. É, eu fiquei esperando para ver se alguma coisa boa ainda podia acontecer. Como se sabe, não aconteceu.
Para começar, como a Califórnia é uma das produtoras que ainda insiste em passar mensagens sobre os DVDs piratas para quem não está assistindo DVD pirata e como não se contenta com apenas um, fui obrigado a assistir quatro. E ai veio o filme.
Filmado na Bulgaria. Primeiro filme do diretor Brian Smrz. O que ele fez antes? Coordenador de dublês. Eu mereço. O roteiro. Digno de filme nacional. Lian Case (Cuba Gooding Jr), o herói do filme, é um trabalhador da limpeza pública. Lian está num bar tomando uma cerveja com seu colega quando ocorre um acidente de carro. Uma menina fica presa num dos carros que está em chamas. Lian, com risco da própria vida, a salva. Marley, a menina que Lian salvou se torna uma eterna apaixonada de seu herói. O roteirista criou a situação para mostrar que faz sentido para Lian se apresentar como um herói para conquistar uma mulher. Ele se encanta por uma caixa de banco e, ao invés de simplesmente declarar seu amor à bela escolhida, resolve criar uma situação onde ele desempenhe o papel do herói salvador. O PLANO - O amigo vai assaltar o banco e ir para cima do caixa da bela sendo então enfrentado e expulso por Lian. Totalmente ridículo. O amigo acha que a idéia é boa e resolve aperfeicoá-la convidando mais três parentes para transformar o teatrinho em assalto real. Claro que tudo dá errado. Como o filme foi filmado na Bulgária, Cuba Gooding é o único negro do filme. Fujam deste filme.

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

THE INCREDIBLE HULK


Eu li os primeiros Hulk na década de 60. Pelo que eu lembro era um personagem muito diferente dos que eu tinha visto até aquele momento. Alguma coisa similar só no Médico e o Monstro. Mas terror é terror e super herói é super herói. Aliás o Hulk não tem nada de super herói. Ele não tem objetivos, não defende o way of live da América, não está na guerra contra os nazistas, não combate o crime, ele é apenas o HULK, um monstro verde que não pensa e só destrói o que tem na volta. O primeiro filme que eu vi do Hulk foi feito pelo Ang Lee. O Ang Lee fez um Hulk que pensava. Logo o Hulk do Ang Lee não é o Hulk. Mas o The Incredible Hulk é o verdadeiro Hulk. Eu custei a ver o filme. Por alguma razão eu achava que era uma solene droga. Surpresa. O filme é muito bom, pelo menos fiel ao personagem. A cena inicial que mostra a Rocinha no Rio de Janeiro é sensacional. Deve ter feito os gringos babarem. Uma cena destas nos Estados Unidos só por computador. Se vocês gostam de quadrinhos e super heróis vejam o The Incredible Hulk.

Até a próxima postagem.

Sábado, Outubro 18, 2008

E O ECONOMISTA ACIDENTAL TINHA RAZÃO

Tive que dar a mão a palmatória (1), duas postagens atrás comentei a frase do Economista Acidental sobre o meio ambiente. Pois, uma semana depois, as três empresas de celulose estão repensando sua idéia de povoar a Metade Sul do Estado com eucaliptos. Claro que isto só vale para quem acredita que plantar árvores possa fazer mal ao meio ambiente.

(1)expressão dos anos 40 que tinha como origem o fato de os professores baterem com um instrumento chamado "palmatória" nas mãos dos alunos que não sabiam a matéria

Terça-feira, Outubro 14, 2008

CASSINO

Perguntei ao Economista Acidental o que é que vai acontecer com a economia. A bolsa caindo, o dolar subindo, um governante dizendo uma coisa, outro justamente o contrário. O que é que eu faço?
O Economista deu uma mordida libidinosa no pastel Santa Clara de Pelotas que ele estava saboreando, me olhou e com aquele ar de quem vai dizer uma coisa muito importante e disse a coisa mais óbvia do mundo.
" - Não faz nada".

Sábado, Outubro 11, 2008

A DANÇA DA VIDA


Eu estava tomando o meu curto com o Cineman quando fomos abordados por uma jovem - bonita - que pretendia me vender um DVD. O filme é A Dança da Vida, um documentário feito em Porto Alegre e cujo tema é a vida sexual na terceira idade. O tema é interessante e atual, pois quando se supunha que partiamos para uma nação de jovens estamos nos transformando numa nação de velhos, mas que velhos. Uma turma muito diferente dos velhos, estes sim velhos, da década de 50. Eu sou convicto que isto se deve não a medicina ou qualquer outro fator desta linha mas ao rock´n roll. Esta geração de velhos de hoje é a geração que pulou no cinema "ao balanço das horas".
O Cineman, eterno crítico dos patrocinios - "- São sempre os mesmos", ficou logo interessado quando viu que não tinha Petrobrás, a LIC das notas frias e outras que tais. No outro dia apareceu no café o Juan Zapata, diretor do filme, que fez a divulgação e contou as dificuldades que teve para produzir o documentário. Acabei colocando o Paris Cinema e Café a disposição para vender os seus filmes. O DVD custa R$ 20,00 e vale a pena. Juan fez um filme muito sério abordando a sexualidade na terceira idade. E o filme trabalha com toda diversidade possível - hetero, homo, bi, heteroflexíveis e por ai. Mas a censura é para maiores de 12 anos, portanto os mais puritanos podem assistir sem problema. Loque ou compre A Dança da Vida. Acho que você vai gostar e se não gostar vai, pelo menos, prestigiar esta garotada nova que está produzindo cinema em Porto Alegre, sem ser da Casa de Cinema.

Terça-feira, Outubro 07, 2008

FRASES DO ECONOMISTA ACIDENTAL

"A atual crise financeira vai fazer mais pelo planeta do que tudo que se fez até agora."

GEORGE W. BUSH, o verdadeiro herói
da luta contra o aquecimento global


Quinta-feira, Outubro 02, 2008

O PODER VAI DANÇAR (CRADLE WILL ROCK)


Encontrei o Cineman e o Economista Acidental (ele me pediu que trocasse seu "alias" para evitar questões de direito autoral) tomando um espresso no local de sempre. O Cineman fumava o seu puro do mês (segundo ele, fumando apenas um charuto a cada trinta dias,ele vai ter um câncer de boca lá pelos 130 anos). Eu havia acabado de ver o filme O PODER VAI DANÇAR e estava curioso para saber a opinião do meu guru da sétima arte. Quando coloquei o tema em discussão, o Economista saiu na frente.
"- É um ótimo filme mas, acho que o Cineman vai concordar comigo, antes de qualquer coisa precisamos analisar o ambiente econômico da década de 30, que é quando se passa o filme."
Olhei para o Cineman e ele assentiu com a cabeça, concordando. O Economista Acidental continuou.
"- Que época foi esta? A grande depressão americana. Milhões de desempregados, pessoas literalmente passando fome nas ruas, ausência total de perspectivas. As diferenças sociais atingindo o mais alto nível da história americana. Puro caos econômico e social"
"- Assunto bem atual, então?" arrisquei.
O Economista não deu a mínima bola para o meu comentário anti-neo-liberal e continuou:
"- O governo montou um plano para criar empregos e, como subproduto, impedir o crescimento de idéias estapafúrdias, como criação de sindicatos de trabalhadores, partidos comunistas e outras que tais."
O Economista Acidental continuou.
"- Uma das medidas que o Governo tomou, e que aparece no filme, foi a criação do Federal Theatre Project. O objetivo era levar o teatro para o povo e, através da velha fórmula do circo, já que o pão estava faltando, reduzir as tensões sociais. Mas existiam, também, as razões econômicas. O Federal Theatre pretendia criar emprego para os artistas desempregados e para qualquer um que achasse melhor subir num palco do que se dedicar a artes menos nobres e mais exaustivas."
Nesta altura, puxei uma cadeira e pedi um latte. A conversa ia longe.
Era a vez do Cineman trazer o assunto de volta para o cinema.
"- Eu gostei que o Tim Robbins, apresentou um grande número de personagens reais misturado aos personagens ficticios. A diretora do Federal Theatre no filme, Hallie Flanagan, é um personagem real e ela teve mesmo que depor na Comissão do Senado que investigava as atividades comunistas. O presidente da Comissão do Senado, que aparece no filme, Martin Dies, também é um personagem real. O filme apresenta muito claramente a convicção do senador, com alguma razão, que as artes em geral e o Federal Theatre em especial, eram um reduto de vermelhos."
" - Este era o ambiente. Recessão e agitação social. Fundamental saber disto para entender o filme", completou o Economista Acidental.
"- Mas aí vem uma parte muito boa que não aparece no filme", disse o Cineman,"- Bertold Bretch, ele mesmo, já não se sentindo muito a vontade com Hitler, vai ao Estados Unidos procurando alguém para traduzir suas obras para o inglês. Uma das tradutoras com as quais ele mantem contato é Eva, mulher de Marc Blitzstein. Soou a campainha? Já ouviram este nome?"
Fui realmente surprendido. Lembrei que Marc Blitzstein aparece no filme como o compositor da peça de teatro que é o tema central do filme. Mas não podia ser.
" - Ei, este Marc é o mesmo que aparece no filme como compositor do The Cradle Will Rock?"
"- Ele mesmo," continuou o Cineman," - Marc tinha escrito uma pequena peça sobre uma prostituta - "Nickel Under the Foot" - e a executou para Bretch. Agora não percam esta. Bretch gostou mas sugere para Marc que ele amplie o tema e escreva uma peça sobre a prostituição em geral, nos negócios, na política, na igreja, nas artes. Marc compra a idéia e escreve The Cradle Will Rock - O Poder Vai Dançar. A peça de 1936 e agora o filme do Tim Robbins, baseado na peça"
" - Marc escreveu a peça em pouco mais de cinco meses." continuou o Cineman. "- Quando tentou encontrar um diretor e um produtor não achou ninguém. O Senado estava pegando pesado e o conteúdo do The Cradle Will Rock era provocador. Até que um jovem de 21 anos, ele mesmo, outro personagem real que aparece no filme - Orson Welles - decide dirigir. Orson chama seu produtor, John Horseman, também no filme e também personagem real. Os dois resolvem levar o projeto adiante."
" - O filme apresenta o muralista mexicano Diego Rivera pintando um mural no Rockefeller Center, acho que foi um artificio que o Tim Robbins usou para mostrar como estava a classe alta", disse tentando mostrar que as conversas com o Cineman já estavam me fazendo ver as sutilezas de um filme.
" - Pois Tim Robbins usou um fato real para apresentar este contraponto", continuou o Cineman, " - Diego Rivera, o muralista e comunista mexicano, pintou realmente um mural no Rockefeller Center. E o mural foi realmente destruido porque o Diego, completamente fora da casinha, resolveu pintar um retrato do Lenin no meio do seu mural"
" - Bom, se é por isto o Rockefeller também estava fora da casinha para contratar o comunista Diego para pintar um mural na catedral do capitalismo." disse o Economista Acidental com uma risada. " - Vocês viram que a Frida Khalo, também aparece no filme. Está perfeita. Mas já que vocês falaram na classe alta, mais economia. Um personagem real que aparece no filme é o William Randolph Hearst, barão da imprensa.."
" - Este Hearst é o mesmo que o Orson Welles vai se basear, sem muita sutileza, para fazer o Cidadão Kane." interrompeu o Cineman.
" - Este mesmo", completou o Economista, " - O filme mostra que ele indiretamente, melhor, diretamente, financiava o fascismo de Mussolini comprando a peso de ouro obras renascentistas."
" - A personagem que a Susan Sarandon interpreta, uma ex-amante de Mussolini que funciona como uma espécie de embaixadora, Margherita Starfatti, também é uma personagem real.", disse o Cineman esticando o pescoço para nos livrar da espessa nuvem de fumaça que ele soprava." - Mas voltando a classe baixa, estamos na data de estréia. Preocupadas com o material altamente subversivo da peça, pelo menos na cabeça deles, as autoridades determinam o fechamento do teatro onde ela vai ser apresentada. Para completar baixam uma ordem, proibindo que qualquer artista subisse no palco, qualquer palco. Orson Welles, que sempre foi gênio, organiza uma passeata pelas ruas de Nova Iorque em direção à um outro teatro. Da passeata participam todos os artistas, familiares, pessoas que tinham aparecido para a estréia e agitadores em geral. Nota.. a passeata do filme realmente aconteceu e o show todo é considerado, até hoje, como uma das maiores estréias do teatro americano. O que aconteceu? Exatamente o que aparece no filme. Marc Bletzstein sozinho no palco, com seu piano, começa a executar o primeiro tema, o da prostituta. Quando Marc começa a cantar, sem melodia alguma, a artista que interpreta a prostituta, Olive Stanton, no filme Emily Watson - ótima - levanta na platéia e começa a cantar a sua parte. E ai acontece. Todos os artistas, da platéia mesmo, vão se levantando e conduzindo a peça, em sua plenitude, até o final. Um happening."
Foi este o nosso papo regado a bom café. Está contado todo o filme mas o próprio Cineman me assegurou que não há nenhum prejuízo, pelo contrário. Tem ainda o personagem interpretado por Bill Murray, um ventriloquo, que sozinho vale um comentário. Vejam o filme. Emocionante e educativo. Ainda mais porque, de todas as crises do capitalismo, a atual é que mais se aproxima da Grande Depressão.
Até a próxima postagem.

O MURAL DE DIEGO RIVERA DESTRUIDO E REPINTADO NO PALÁCIO DE BELAS ARTES NA CIDADE DO MÉXICO E O RETRATINHO DO LENIN QUE CAUSOU TANTA CONFUSÃO.






TRAILER

LOST - 4


O LOST 4 coloca as coisas nos lugares. O pessoal parou para pensar e ao invés de continuar a criar mais enigmas, que faziam o comum mortal entender mais nada, começou a esclarecer alguns. E os esclarecimentos fazem juz ao que se esperava da série quando do lançamento. O ano 4 é contado em tres situações temporais. Atual (na ilha), passado (antes da ilha) e futuro (quando sairem da ilha). Na realidade, então, só para complicar, passado (na ilha), mais passado (antes da ilha) e atual (depois de sairem da ilha). Se sabe que depois que sairam da ilha (quem saiu?, como saiu? veja a temporada) coisas terriveis aconteceram. E a projeção para a quinta temporada é o retorno à ilha. Pela evolução do trabalho dos roteiristas acho que a próxima temporada também será especial. Não percam a quarta temporada. Aquele pessoal, em grande número, que havia desistido do Lost, retorne, não vão se arrepender. A temporada tem 13 episódios ao invés dos 23, 24 das temporadas anteriores em virtude do famoso "strike" dos roteiristas americanos.
Até a próxima postagem.

Terça-feira, Setembro 30, 2008

PAUL NEWMANN

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

BATENDO PAPO SOBRE CINEMA

O Cineman havia sido convidado para, na tarde desta quinta feira, comentar um filme na Faculdade Aberta Sênior FSP. É um trabalho maravilhoso o que este pessoal está fazendo. O objetivo deles é a atualização cultural do público sênior. Isto é feito através de cursos - informática, dança, inglês - palestras sobre temas variados ministradas pelos mais conceituados especialistas, discussões em grupo.
Uma vez por mês, eles se reunem para uma sessão de cinema comentada. Foi para esta atividade que o Cineman foi convidado. O filme escolhido foi "A Vida dos Outros". O Cineman já havia me falado deste filme que ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 2006. A discussão foi muito boa contando com a participação de todos os presentes apresentando a sua visão do filme. O Cineman gostou tanto que, se deixassem, ele estaria lá até agora. No final ainda ficou combinado um happy hour no Paris Cinema e Café qualquer dia destes.
Até a próxima postagem.

Segunda-feira, Setembro 22, 2008

O HOMEM DE FERRO


O Cineman era um dos muitos que, apaixonado por quadrinhos, estava extremamente preocupado com o filme do Iron Man. Hollywood já se encarregou de demolir tantos heróis da Marvel que a preocupação era genuína. A esperança era Robert Downey Jr. que, segundo o Cineman, quando não está tirando férias num centro de detox, é um grande ator. Eu achei o filme ótimo. Me diverti do primeiro ao último minuto. O Cineman achou que a criação do herói, foi uma sacada muito interessante, Tony Stark é obrigado a montar a primeira armadura numa caverna no Afganistão para fugir dos terroristas. Eu já apreciei o lado psico-social, onde acompanhamos a transformação de um milionário egocêntrico num cidadão consciente, preocupado com o meio ambiente e os menos favorecidos. Não gostei muito do Jeff Bridges, que é um ator que admiro bastante, no papel do vilão. Ele não parece muito natural contracenando com Robert Downey. "- Olhem onde eu cheguei". A produção, como não poderia deixar de ser, é de primeira. Foram lançados dois DVDs, um duplo e um simples. Não deixe sua locadora lhe empurrar o simples. O duplo tem extras muito interessantes que vale a pena conferir.
Acho até que posso recomendar sem nenhum peso na consciência. O Cineman concordou comigo mas achou que o design da armadura só pode ter sido coisa do Robert Downey.
É isto. Até a próxima postagem.

Sábado, Setembro 13, 2008

O ESTADO DAS COISAS


O título é de um grande filme de Win Wenders. O Cineman lembrou este filme porque eu acabara de ver um outro filme de Wenders que ele me recomendara - Um Filme Para Nick (Lightning over Water) que merece comentário em outra postagem. Um Filme Para Nick é uma viagem acompanhando os últimos dias do mestre Nicholas Ray (Juventude Transviada, Johny Guitar, Paixão de Bravo), feito por Wenders em New York ao mesmo tempo que, na Califórnia, ele filmava o péssimo - quando vocês virem Nick vão saber porque - Hammet.

O nome surgiu quando comentamos o recente escândalo da Lei de Incentivo a Cultura - LIC. No atual "estado das coisas" nem a cultura escapa. Alguns chamados -produtores culturais - se aproveitaram da lei para angariar recursos, de forma ilegal, para seus projetos culturais. O prejuizo para os cofres públicos, segundo os jornais, é calculado em R$ 4 milhões. Estavamos no meio da discussão quando apareceu o Economista Clandestino para tomar um cafezinho. "-Vocês e os jornais estão analisando o assunto de um ponto de vista muito simplório". Discordamos imediatamente, o Cineman e eu. Para que? Lá veio a aula do Economista Clandestino. "- Para começar o prejuízo foi de R$ 1,6 milhão. Os R$ 4,0 milhões vem da mordida que o fisco estadual pretende dar nos incautos que bancaram o incentivo". Tanto o Cineman como eu não entendemos nada. "-Leiam a noticia", continuou o Economista,"O que as empresas deixaram de recolher a Fazenda Estadual, segundo seu diretor, foi R$ 1,6 milhão. Eles usaram este recurso, como permite a LIC, para financiar os projetos culturais supostamente aprovados pela Secretaria de Cultura. Qual é o prejuízo do Estado?" O Cineman foi mais rápido. "- R$ 1,6 milhão".

"- Mas agora", continuou o Economista "os empresários preocupados em incentivar a cultura vão morrer com R$ 4,0 milhões a título de multa aplicada por quem tinha a responsabilidade de fiscalizar e não deixar que estas coisas acontecessem.. Beleza, não é?" Tivemos que concordar com o Economista. O Cineman foi mais adiante: "- Mas se não existe fiscalização nem para saber se o recurso aprovado bate com o recurso utilizado...".

Até a próxima postagem.

Sexta-feira, Setembro 12, 2008

TWO AND A HALF MEN



Comentário relâmpago. Perguntei ao Cineman que série ele apontaria como substituta de FRIENDS. O Cineman não levou cinco segundos para responder: "-Two and a Half Men". Acabei de assistir a terceira temporada (depois de ter assistido as duas primeiras). O Cineman não está exagerando, Two and a Half Men é muito bom. Os roteiristas tornam cada um dos capítulos de meia hora num aperitivo agradabilissimo para o próximo. Já foi lançada a quarta temporada em DVD e espero que esteja na lista de compras do Cineman para o Paris Cinema e Café. Em resumo a série é sobre um solteirão convicto, Charles Harper (Charlie Sheen), que vive numa casa na beira da praia, em Malibu. Uma conquista por dia e depois nunca mais, nenhum relacionamento. O telefone que ele dá para as companheiras de cama é o telefone de uma lavanderia chinesa. Este saudável modo de vida é interrompido quando o irmão mais moço de Charles, Alan (Jonathan Cryer), recem divorciado de Judith, aparece com seu filho de dez anos Jake (Angus T. Jones). Alan foi literalmente posto para fora de sua casa e a alternativa é a casa do irmão mais velho. Alan é o oposto de Charles. Organizado, detalhista, nenhum feeling no trato com as mulheres, e ainda por cima com uma solene desconfiança que é gay. Nenhum problema em ser, o problema talvez esteja em desconfiar que é, mas não é. O filho, por outro lado, é ótimo. Charles logo se encanta com Jake e os dois protagonizam algumas das melhores situações da série. Tem também a mãe de Charles e Alan, Evelyn (Holland Taylor). Evelyn é a mãe que ninguem queria. Os dois adoram tanto a mamãe Evelyn que em um diálogo Alan pergunta o que Charles faria no velório da mãe. Charles prontamente responde: "-Cravaria uma estaca de madeira no coração dela". E Alan : "- Você é um egoista, não vai deixar nada para mim fazer". Charles: "-Você pode fazer picadinho do cérebro dela". Alan: "- Obrigado".
O humor as vezes beira a grosseria, mas nada de exagerado. Plenamente aceitável até para as platéias mais esnobes.
Sem receio recomendo que vocês assistam todas as temporadas. Nos Estados Unidos a sexta temporada inicia dia 22 deste mês. Vai para a décima temporada, como Friends, e, como no Friends, vão parar porque decidiram e não porque a audiência caiu.
Até a próxima postagem.

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN


O Cineman conhece a Jane Austen de filmes baseados em seus livros. O Cineman e ...many, many, many people. Jane Austen é considerada por alguns importantes críticos literários, talvez com algum exagero, alguns pontinhos apenas abaixo do mestre William. De qualquer forma, sem dúvida nenhuma, a maior escritora inglesa. Já uma escritora mais moderna, Karen Joy Fowler, escreveu um livro que é uma homenagem à Jane Austen - The Jane Austen Book Club. O filme, baseado no livro, é dirigido por Robin Swicord que escreveu o roteiro em conjunto com Karen. Livro e filme partem de uma premissa interessante. Seis pessoas se unem para a leitura das seis obras de Jane Austen. Tudo começa quando Jocelyn (Maria Bello) aos prantos assiste ao velório de seu amado...cachorrinho de estimação. Bernadette (Kath Baker), 60 anos, 6 divórcios, tem a idéia de organizar o clube de leitura para dar um conforto a amiga Jocelyn. Começa a cata dos outros quatro membros do grupo. Uma professora de francês que se sente humilhada por nunca ter ido a França, Sylvia que se separou de um marido e que acha que ele ainda gosta dela, a filha Allegra, que é linda e lésbica e que tambem se separou de sua companheira e para completar, um homem, Grigg, atrapalhadissimo e que nunca leu Jane Austen na vida. "- É importante ter alguém no grupo que nunca leu Austen para dar outra perspectiva" é a explicação de uma delas, acho que Bernadette. Grigg é um apaixonado por ficcção científica e tenta convencer Jocelyn a ler alguns livros. O autor que ele recomenda e que Jocelyn nunca chega a ler é Ursula K. Le Guin, escritora de ficção americana da qual, em algum bom sebo, se pode conseguir A Mão Esquerda da Escuridão. Mas voltemos ao filme. A sacada interessante de Karen Fowler é que as histórias dos personagens do livro/filme vão copiando as histórias dos livros de Austen. Quem leu Austen certamente vai aproveitar melhor e tirar todo o prazer do filme, mas quem não leu vai gostar bastante e acredito que vai ser estimulado a ler as suas obras principais ou, se for um pouco preguiçoso, pelo menos rever os filmes. Outra coisa, as mulheres vão gostar muito do filme mas não se enganem, não é só para o clube da Luluzinha. Os homens, estes eternos ignorantes do universo feminino, vão tirar algumas lições muito úteis.
Até a próxima postagem.

Sábado, Setembro 06, 2008

AS VAQUINHAS SOLITÁRIAS E A PIRATARIA


O Cineman acompanhou a polêmica criada pela Justiça do Trabalho não permitindo os peões dormirem junto aos animais na Expointer. Uma solene bobagem, diga-se de passagem. Mas lei é lei, diriam. A tradição e o bom senso não contam. Mas se lei é lei, fica dificil explicar como que, na mesma Expointer, naquelas bancas externas ao parque, concedidas pela prefeitura de Esteio, a pirataria navegue com a maior liberdade. O Cineman contou quatro bancas vendendo DVD pirata, aquele que financia o crime organizado conforme os filmezinhos chatos que vocês são obrigados a ver. As quatro bancas tinham TV para conferir o material. O Cineman parou na frente de uma e viu passarem duas duplas de oficiais da lei (brigadianos) que não fizeram absolutamente nada. Um deles até parou para conversar com o dono da banca. O Cineman estava longe e não poude ouvir se ele estava procurando um filme ou o quê. Quem sabe o Tropa de Elite em oferta especial com direito a bala de troco.

O CINEMAN E O FUTEBOL


O CINEMAN já viu vários filmes de futebol. Um dos primeiros foi um do John Huston, Fuga para a Vitória, onde participavam vários jogadores, inclusive Pelé. No filme Pelé não era brasileiro. Fuga para a Vitória é um filme que se passa num campo de prisioneiros na Segunda Guerra Mundial. O astro principal é nada mais nada menos que o poderoso Rocky Stallone. Pobres germânicos. Mas o filme não é tão ruim e até merece ser visto. Recentemente apareceram alguns bem interessantes. Tem um, O Milagre de Berna, sobre a vitória da Alemanha naquela Copa Mundial onde a Hungria tinha que ganhar, que é muito bom. A Hungria em todos os jogos, aos 10 minutos do primeiro tempo, já estava ganhando de 2 x 0. A linha (como se falava) tinha Puskas, Kocsis, Hideguchi e outras feras. Na final a Alemanha derrubou o Golias. É um filme excelente que seria muito interessante que fosse passado em algumas concentrações, em especial de um certo time gaucho. Um outro que o Cineman gostou muito, e que não lembra o nome agora, é sobre o time dos Estados Unidos que participou da Copa Jules Rimet (era o nome do Campeonato Mundial) em 50, no Brasil. Os Estados Unidos não tinham times de futebol. Eles reuniram alguns afccionados do Leste, juntaram com outros do Oeste e fizeram um time para viajar para o Brasil. Era o objetivo. E ganharam de uma potência da época. A mãe do futebol. A Inglaterra. É um filme muito bom e também deveria ser programa obrigatório das mesmas concentrações que se falou acima. Em todos os filmes aparece a idéia de nação, de pátria. De superar todas as dificuldades em nome de uma causa maior. No Brasil também tinhamos isto. A copa de 58 foi um delírio. A de 70 com a ajuda da propaganda militar foi o máximo. Depois, principalmente com a ida dos nossos craques para o exterior, a coisa começou a degringolar.(que expressão, hein? Agora que estou vendo que deriva de degolar gringos). Acho que culminou com a fala do goleiro da seleção, em resposta ao Presidente Lula. O Lula fez uma comparação entre a garra da seleção Argentina, citando inclusive o craque Messi, com a disposição da modorrenta seleção nacional. Julio Cezar simplesmente mandou o Lula se demitir da presidência e ir para a Argentina. O Cineman não está na categoria dos fãs do Lula mas falta de respeito com uma instituição como a presidência é outra coisa. Aproveito para sugerir ao nosso caro Presidente Lula que aproveite esta oportunidade para decretar uma coisa que todos estamos, no incosciente, querendo. Devolva a seleção para os brasileiros. Lance uma Medida Provisória decretando que só podem ser convocados jogadores brasileiros que estejam jogando em times do Brasil. Ai teremos a garra que o presidente deseja.
Até a próxima postagem.

Sábado, Agosto 23, 2008

O SOBREVIVENTE (RESCUE DAWN)




Situações limite. O Cineman deve ter passado por várias mas uma ele lembra bem. Na esteira de alguns filmes de pirata vistos na juventude, o Cineman comprou um pequeno barco a vela, um dingue, tomou algumas aulas de vela e lançou-se ao mar, digo... ao lago. Em pouco tempo Cineman singrava o Guaiba com uma espontaneidade que faria inveja ao Capitão Blood. Confiante, procurou outros mares, desta vez a lagoa- laguna de Tramandai. Agua salgada tinha mais a ver com os velhos bucaneiros. Dia de muito vento. O Cineman não percebeu uma situação que ele nunca tinha enfrentado no Guaiba - as ondas tinham direção diferente da direção do vento. No primeiro "jibe" (manobra arriscada em dia de muito vento) o dingue virou e jogou o Cineman longe. O Cineman nada muito mal. A velocidade em que o barco, tocado pelo vento, se afastava, era maior que a velocidade que o Cineman alcançava com sua técnica rudimentar de natação, tentando alcança-lo. Como estava chovendo não tinha mais ninguem na praia, ou seja, esqueça o barco salvador. Ninguem estava vendo o drama que se desenrolava no meio da lagoa. Foi uma situação limite. O Cineman deve ter ficado umas duas horas boiando. "Ei, do colete, tu tá indo pru lado errado, a praia é pra lá". Era a voz de um pescador que se aproximara com seu barco sem o Cineman notar. Para tirar um pouco o suspense tenho que confessar que o Cineman, conforme já se percebeu pela chamada do pescador, estava de colete salva-vidas. Os pescadores rebocaram o dingue para o outro lado da lagoa, o Cineman montou a vela que havia caido e retornou para o seu lado da praia tendo o cuidado de, desta vez, evitar os perigosos "jibes".
Situação limite é o tema de O Sobrevivente. O filme foi lançado há um tempo atras mas eu não me interessei muito. Provavelmente porque é sobre a guerra do Vietnã. Até os gringos, aparentemente, desistiram de fazer filmes sobre o Vietnã. Voltaram ao tema Segunda Guerra Mundial, que foi uma que eles ganharam. Só o Clint Eastwood fêz dois filmes ao mesmo tempo. Mas este é escrito e dirigido pelo Werner Herzog. Um alemão. Ai a coisa muda de figura e vale conferir. Foi o que pensei e foi o que eu fiz.
É uma história real. Dieter Dengler, é um jovem alemão que vai para os Estados Unidos e para ganhar a cidadania e aprender a pilotar, não nesta ordem de desejo, se alista na Air Force. No meio do filme, Dieter conta para seus companheiros de prisão que quando era criança e morava na Alemanha, final da Segunda Guerra, "ele ouve um barulho de um avião se aproximando, abre a janela do sótão e vê aquele pássaro brilhante despejando uma saraivada de balas em sua direção. A cabine do avião está aberta e o piloto está sem óculos. Contato visual, garoto e piloto. Naquele momento, ao invés de entrar em pânico, gritar, se jogar para baixo, Dieter decidiu ser piloto de avião".
Estamos em 1966. A Guerra do Vietnã ainda não começou. Os Estados Unidos desenvolvem uma operação secreta, comandada pela C.I.A., que consiste em bombardear a linha de suprimentos do Vietnã do Norte, no Laos. Esta história já apareceu num filme do Mel Gibson, Air America. A Air America realmente existiu e era uma companhia de aviação, teoricamente transportadora de cargas, mas cujo real objetivo era bombardear o Laos e Vietnã do Norte.
É para onde mandam Dieter. Na sua primeira missão seu avião é derrubado e ele é feito prisioneiro pelos camponeses guerrilheiros do Laos. Na prisão, que é um simples cercado de bambu, Dieter conhece outros prisioneiros americanos. Eles já estão acomodados com a prisão sabendo que não tem como escapar. "- Mas é só uma cerca de bambu" diz Dieter. "-Você ainda não entendeu", diz um dos prisioneiros,"- a prisão é a selva"
Werner Herzog filmou O Sobrevivente na Tailândia, na floresta da Tailândia, que é ali do lado e igual a do Laos. Ele tem estas manias. Filmou Fitzcarraldo na Amazônia, Aguirre idem. Até Nosferatu ele filmou nas mesmas locações que F.W. Murnau havia filmado o original.
Sendo alemão ele poude considerar, também, o ponto de vista dos camponeses do Laos que cuidavam da prisão de Dieter e seus companheiros. São camponeses humildes que acham que, quando aparecem helicópteros americanos, foram os prisioneiros que os avisaram. Não existe a mínima possibilidade deles terem avisado alguem. Mas vá meter isto na cabeça dos carcereiros. Ameaças, torturas, redução da comida é o resultado de qualquer ruido que se assemelhe à um avião ou helicóptero.
Dieter organiza uma fuga e a fuga é uma odisséia pela floresta do Laos. E o filme transmite com imensa realidade a dificuldade de se movimentar na floresta tropical. Chuva, cobras, mato impenetrável, rios caudalosos, vietcongs. Werner havia feito antes um documentário com a participação do verdadeiro Dieter, com narração de Dieter, que deu origem a este filme.
No final, nada patriótico, quando Dieter é salvo (se ele fez o documentário com Werner Herzog é claro que ele foi salvo), frente a todos os seus companheiros do porta aviões, ele faz um discurso memorável. "- Encha o que estiver vazio, esvazie o que estiver cheio e coce quando estiver comichando."
Imperdivel. Atenção para a trilha musical. Nada convencional para este tipo de filme.
Até a próxima postagem.


Quarta-feira, Julho 30, 2008

A VIOLÊNCIA E O ECONOMISTA CLANDESTINO

O CINEMAN estava lendo O ANIMAL MORAL, que vou comentar qualquer dia, quando recebeu um telefonema do Economista Clandestino.
-Você tá bem?
- Tudo bem, e tu?
- Leu a ZH de hoje? A reportagem sobre a distribuição dos efetivos policiais nas cidades gauchas? (o Economista fala assim)
- Li sim. Achei muito interessante. O governo colocou menos policiais nas cidades mais violentas e mais policiais nas cidades mais tranquilas. Um absurdo.
- É aquilo que eu já te expliquei várias vezes. Nem sempre a primeira leitura é a correta. Temos que investigar as verdadeiras causas.
- Sim, mas no caso me parece que é cristalina a interpretação da reportagem.
- Errado. Já pensastes que talvez as tais cidades, pretensamente protegidas, tenham menos crimes justamente por terem um maior efetivo policial?
- Bem pensado. Quer dizer, se tirarem os policias das cidades tranquilas e passarem para as de faroeste, o crime vai aumentar nas primeiras e diminuir nas últimas, não é o que estás pensando?
-Exatamente. E a ZH vai poder fazer a mesma reportagem apenas trocando os nomes das cidades. Até outro dia.
E assim encerrou, com a rapidez de sempre, a minha conversa com o Economista - voltei a leitura do ANIMAL MORAL.
Até a próxima postagem.

Sábado, Julho 26, 2008

PASSEIOS


O Cineman estava passeando pelo Paris Cinema e Café quando foi abordado por um casal. É o meu objetivo. Eu fico passeando como quem não quer nada para ver se alguém me ataca para falar sobre cinema. Eles estavam interessados em filmes que mostrassem alguma coisa de filosofia oriental. Ficamos na frente da prateleira dos filmes orientais e fui apresentando alguns dos que mais gosto. Um dos primeiros que apresentei foi BOM DIA do diretor japonês Yasugiro Ozu. Infelizmente só foram lançados dois filmes de Ozu no Brasil - o outro é PAI E FILHA. Bom Dia não é um dos seus melhores filmes mas mostra com muita fidelidade a vida do homem comum no Japão. Ozu foi a referência de diretores japoneses mais famosos no Ocidente, como Akira Kurosawa. O estilo de filmagem de Ozu foi seguido por Jim Jarmush, principalmente nos seus primeiros filmes. Outro que apresentei logo em seguida e que acho genial - BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA. A história acontece durante a revolução cultural (?) de Mao Tse Tung ou como eles preferem - A Grande Revolução Cultural Proletária. A famosa Guarda Vermelha, formada por trabalhadores, estudantes, militares e, claro, militantes do partido desencadeou o processo sob os olhares de Mao. Em principio um dos objetivos era enfraquecer ou acabar com a intelectualidade, que lá, era considerada uma ameaça as idéias "revolucionárias". Simplificando a turma das universidades era mandada para o campo para ver como viviam os verdadeiros comunistas - algo assim. Balzac, apesar de velho, devia ser entendido como um escritor burguês e portanto altamente prejudicial à revolução cultural. Um apaixonado por Balzac leva uma sacola com os livros proibidos e introduz a chinesinha do título na literatura proibida. Infelizmente eu estava com outro compromisso e tive que sair. Da porta vi que eles estavam levando alguns filmes, não sei se os que recomendei.

Bom domingo e até a próxima postagem.

Terça-feira, Julho 22, 2008

CALIFORNICATION


Esta série é boa demais. Rapidinha de ver. Dois DVDs com 6 capítulos de meia hora cada um. E vale cada minuto. David Duchovny (Arquivo X) é o ator principal e agora a verdade não está mais lá fora. Hank Moody é um talentoso escritor de Nova York que vai para Hollywood transformar seu livro em roteiro para um filme. O filme é um sucesso e Hank odeia o filme. Sua companheira Karen, o abandona carregando junto a filha de 12 anos. A partir dai Hank perde sua criatividade e não consegue escrever mais uma linha. Bebida, fumo, drogas ( e rock´n roll) e muito sexo são os derivativos para o amor perdido. É a série com a maior concentração de seios por capítulo, seios e sexo. E das mais variadas formas. Mas Hank ainda está apaixonado por Karen, e apesar desta já estar noiva do ricaço Bill, Hank não desiste e durante toda a primeira temporada pratica o maior assédio sexual para cima da ex companheira. A qualidade (?) de Hank é de dizer a verdade sempre. As vezes, como é fácil de imaginar, isto traz sérios problemas. Logo no inicio Hank conhece uma jovem numa livraria que está lendo o seu livro. Dai para o flerte e para a cama não demora muita coisa. Depois na casa do noivo de Karen, onde ele foi novamente assediar a ex, Hank é apresentado a filha de 16 anos de Bill. Surprise.. é a mocinha da livraria que ele acabou de levar para a cama. E por ai vai. Boa recomendação para os devassos mas também para os que apreciam uma comédia franca e gostosa.
Até a próxima postagem.

Sábado, Julho 19, 2008

NOVO MUNDO (Nuovomondo)


Esta é uma daquelas jóias raras perdidas nas locadoras. Dirigido pelo italiano Emanuele Crialese, é a saga de uma familia de sicilianos, por volta do inicio do século passado. As cenas iniciais mostram Salvatore Mancuso e seu filho, de pés descalços e segurando, cada um, uma lasca de pedra afiada na boca, escalando uma montanha. Estamos na Sicilia e em seu primitivismo religioso. A pedra é um oferenda à um oráculo/santo na busca de uma resposta positiva ou negativa para a ida para o Novo Mundo. O desejo de ir para a América é motivado pelas fotos de vegetais e animais domésticos enormes que cresceriam naquela terra maravilhosa. Rios de leite na California, cenouras de mais de dois metros. É quase um documentário. Depois a viagem de navio. Acomodados no porão vão as familias divididas, homens de um lado, mulheres de outro. Nesta viagem Salvatore conhece Lucy Peters, uma inglesa. Sem falar eles aos poucos vão se apaixonando. As cenas dos dois caminhando no convés do navio, separados por chaminés e colunas são muito bonitas. Depois a chegada a Ellis Island, lugar onde se fazia a triagem dos imigrantes. E ai está o ponto forte do filme. A Ellis Island apareceu já em O Poderoso Chefão, Parte II, quando o garoto Corleone, chega aos Estados Unidos. Em HItch, Will Smith e Eva Mendes vão procurar não lembro exatamente o que em Ellis Island. Mas em Novo Mundo vemos exatamente o que se fazia ali. Era época do Eugenismo, que já falamos aqui na postagem sobre o Homo Sapiens. Os testes que eram feitos com os imigrantes para determinar sua capacidade intelectual estão ali no filme. O rídiculo dos mesmos é apresentado com toda clareza. Os médicos procuravam estabelecer quais os imigrantes que possuiam menor capacidade intelectual e que poderiam prejudicar, com seus descendentes, a formação da América. Dos testes saiam conclusões que determinavam as quotas para cada país. Os russos são menos inteligentes - então diminua-se a quota dos russos. Um absurdo total. E pura verdade. Outra coisa interessante que aparece no filme é o que podemos chamar de leilões de mulheres imigrantes. Crialese vai ao detalhe. As mulheres numa espécie de palco, sentadas, e uma arquibancada onde os homens se apresentam para as suas escolhidas. Algumas que não conseguem acertar ali o casamento são deportadas.

O filme foi filmado na primeira parte na Sicilia, depois em Buenos Aires, no porto de Buenos Aires, os extras das cenas do navio são todos da Argentina e se percebe que escolhidos com muito critério. Tem ares de neo realismo.

Não deixem de ver. Recomendo com absoluta certeza que voces vão gostar.

Até a próxima postagem.

Sábado, Julho 12, 2008

BRENO MELLO - ORFEU NEGRO

Na postagem de 10 de junho - ORFEU NA AMÉRICA - Falamos do gaúcho Breno Mello, o Orfeu Negro que o diretor francês Marcel Camus descobriu para o cinema. Breno Mello morreu ontem em sua casa, no bairro Tristeza de Porto Alegre. Breno estava com 76 anos.

Terça-feira, Julho 08, 2008

A VIDA IMITA A FICÇÃO

Não é filme. Lembram a historinha minimalista? Pois segunda feira, no encontro semanal do Cineman com o Professor e o Jornalista, deixei o carro em casa, tomei umas "margueritas" e voltei de taxi. O taxista estava doidão. Quando ele botou 90 na Ipiranga dei o cartão vermelho. Pô, dois dias antes eu tinha escrito aquela historinha. Se acontecesse qualquer coisa ia ser muito irônico. Então deixar o carro e pegar um taxi não está oferecendo garantia nenhuma. Precisamos aperfeiçoar a lei. A gente se cuida mas quem cuida do taxista? Quem sabe obrigar o taxi a ter um bafômetro? Antes de embarcar você faz o cara fazer o teste. Direito do consumidor.

Segunda-feira, Junho 30, 2008

MYSTIC PIZZA


O Cineman morou um ano em Cambridge, Massachussets - Mass. para os intimos. Já contei no blog a história do julgamento simulado de John Wayne, na famosa Escola de Direito de Harvard. Cambridge é vizinha de Boston. O Rio Charles separa as duas cidades. É um rio bem estreito. Dá para pegar um esquife emprestado em Harvard e atravessar a remo. No inverno dá para atravessar de patins, mas o mais recomendável é usar o subway. Uma coisa interessante que descobri em Cambridge - Tem uma rua, a Cambridge Avenue, que é povoada de portugueses. São principalmente lojas de móveis, quitandas e até uma banca de revistas onde eu conseguia o Mickey e o Pato Donald em portugues. O português falado em Cambridge não é fácil, as vezes o Cineman tinha que usar o seu não mais do que razoável ingles. Depois viajei pela costa em direção a New Hampshire e descobri Glocester, pronuncia-se Gloster, totalmente habitada por portugueses. Pescadores portugueses que se estabeleceram ali há muito tempo e que mantem com carinho suas tradições. Lembro tudo isto para falar de um filme que assisti ontem, Mystic Pizza. O nome no DVD é Tres Mulheres, Tres Amores. Fora um ou dois trabalhos na TV foi o primeiro filme de Julia Roberts. O filme é de 1988. Ninguem dava nada por ela, no mesmo ano ela ainda fez uma ponta num outro filme, este muito ruim - Sangue da Terra -junto com o irmão Eric Roberts. Dois anos depois - Uma Linda Mulher - e ninguem mais segurou a Julia. Em Mystic Pizza, Julia interpreta Dayse Araujo, que, como vocês já adivinharam, pelo nome e por tudo o que eu falei lá em cima, é uma descendente de portugueses. A Mystic Pizza é uma pizzaria dirigida pela sua mãe, cujas pizzas tem um tempero portugues maravilhoso que é segredo de estado. Só mamãe Araujo conhece. Dayse trabalha como garçonete junto com sua irmã Kat (Annabeth Gish) e sua amiga Jojo (Lily Taylor). As três amigas tem personalidades muito diferentes e se envolvem em situações amorosas bastante complicadas mas tudo tendendo à um final feliz bem de acordo com o estilo comédia romantica americana. A Mystic Pizza fica na cidade de Mystic em Connecticut, bem na área onde é grande a presença de portugueses. Temos direito até a canção do "bicho papão vem pegar" cantada em portugues pela Jojo.
Um sábado a tarde, sem maiores compromissos, só para se divertir um pouco e sem pensar muito - Mystic Pizza - Acho até que voces vão gostar.
Até a próxima postagem.

Sábado, Junho 28, 2008

ROTEIRINHO MINIMALISTA


Um casal vai comemorar seu aniversário de casamento no mesmo restaurante onde se conheceram há 20 anos atrás. Pedem o mesmo prato e para encerrar brindam com meia taça de espumante. Altamente responsáveis e observadores da lei resolvem deixar o carro na garagem do restaurante. "- Foi só uma taça de espumante, mas não convém arriscar", diz o marido.
Tomam um taxi e rumam para a noite de amor que encerraria a comemoração. O motorista do taxi está bebado. Batem numa árvore. Morrem todos.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

CAVEIRAS E OUTRAS ASSOMBRAÇÕES


Nas segundas feiras o Cineman se reune com dois amigos de infância. Todos pelotenses e todos Xavantes. O Professor, o Jornalista e o Cineman. A bebida tema é quase sempre a "marguerita" feita com algumas limas orgânicas que o Professor traz do seu sitio em São Chico. A nova lei vai nos obrigar a alterar a carta de bebidas. Sai a marguerita e entra a coca-cola. Do ponto de vista medico vai haver uma perda. O alcool, em doses moderadas, está provado, faz bem ao coração. Mas, diferente do que pensam os nossos políticos e companhia, leis são para serem respeitadas. Coca-cola, portanto. Mas vamos as caveiras. O Professor, no último encontro, contou uma história muito interessante. Quando o pai do Professor estava lá pelos dezesseis anos, filho de colonos do interior de Pelotas, tinha como uma de suas tarefas trazer para a cidade, de carroça, a produção que iria ser vendida na feira ou entregue nos "secos e molhados". A viagem era feita de madrugada para chegar em Pelotas ao raiar do dia. Ainda muito escuro ele passava por um cemitério e era assustador. No alto do muro sempre haviam macabras caveiras que acenavam para ele como que chamando-o. A carroça se transformava numa Ferrari. Um dia ele resolveu acabar com aquilo. Desceu da carroça e, decididamente, foi em direção as sinistras caveiras. O medo era enorme mas ele não desistiu. Foi em frente até o pé do muro. As caveiras não passavam de galhos de arvores balançando ao vento que, com o luz do luar, assumiam aquelas formas assustadoras. A lição do pai do Professor. " - Quando tiveres problemas insolúveis, enfrenta. Vais ver que, de perto, nunca são tão assustadores assim."
Até a próxima postagem

Terça-feira, Junho 17, 2008

O ÚLTIMO POR DO SOL (THE LAST SUNSET)


Um western dos bons. Kirk Douglas, Rock Hudson, Joseph Cotten. Dalton Trumbo fêz o roteiro. Robert Aldrich dirigiu. E Aldrich era excelente em westerns. É também um western fora do padrão tradicional. Quase uma tragédia grega - Elektra? Notei uma coisa que eu não havia reparado até agora e nunca ouvi ninguem falar. Stallone é muito parecido com Rock Hudson. Claro, é uma espécie de cópia mal feita mas a semelhança é impressionante. Até as expressões ou falta de, são iguais.
Quem curte um western não pode deixar de ver.
Até a próxima postagem.

Domingo, Junho 15, 2008

30 DIAS DE NOITE


Este é um bom filme de terror. Coisa rara hoje em dia. O Diretor é David Slade que já havia feito um suspense muito interessante - menina má.com - que, na prisão, deveria ser programa obrigatório para os pedófilos. Os atores principais são Josh Hartnett, saindo da comédia romântica e Melissa George que fez, que eu lembre, aquele filme que a turma do Orkut fez campanha contra - Turistas. Aquele do tráfico de órgãos no Brasil. O filme parte de uma idéia interessante que eu chamaria de férias de inverno. Os vampiros - o filme é de vampiros - tem aquele famoso problema com a luz do dia. Então nada melhor que um local onde é noite durante trinta dias. Este local é a cidade de Barrow no Alaska. Eles vão para lá para se divertir. Comida farta e diversão durante os 30 dias. E os moradores não tem para onde fugir, não tem rádio, não tem telefone. Josh no papel do sherife Eben Olesson faz o possível para sobreviver e proteger os seus cidadãos. Mas não é nada fácil. O final é um dos mais surprendentes do gênero. Vale a pena ver.

Terça-feira, Junho 10, 2008

ORFEU DA AMÉRICA


A VEJA desta semana traz uma estória interessante. Uma mulher vai ao cinema pela primeira vez. O filme a encanta. a música, os atores e principalmente o romance entre os dois principais personagens. A mulher é uma branca recem chegada aos Estados Unidos. O filme é ORFEU NEGRO. A VEJA conclui que Vinicius de Moraes, autor de Orfeu da Conceição, que serviu de base para o filme, é o toque mágico da estória que a revista se prepara para contar. O CINEMAN discorda. Não foi Vinicius, nem Tom Jobim e Luiz Bonfá. Foram Breno Mello e Marpessa Dawn, Orfeu e Eurydice, o casal que despertou a mulher branca para a raça negra. A VEJA dá a entender que ORFEU NEGRO mostra o amor de uma branca por um negro. Nada disso. Marpessa Dawn era lindissima e negra. Mas a nossa personagem em seguida conhece um negro, se apaixona, tem um filho, casa, separa e o filho agora é o candidato democrata a presidência dos Estados Unidos - Barac Obama.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

O SABOR DA MELANCIA

O SABOR DA MELANCIA não é um filme que vai agradar a todos. E, por isto, certamente, vai agradar a muitos. No Festival de Berlim de 2005 ele levantou três prêmios incluindo o Urso de Prata. Em compensação, metade da platéia se mandou nos primeiros dez minutos do filme. Eu não sei o que eles diriam se tivessem visto o fim do filme. O Estadão, exageradamente, publicou "- Não perca por nada deste mundo. O novo Tsai é ótimo". O intimo Tsai do Estadão é para Tsai Ming-Liang, diretor do filme. Taipei em Taiwan está no meio de uma terrível seca. O governo, em todos os meios de comunicação, incentiva o uso da melancia para saciar a sede. Já um grupo que está produzindo um filme pornô, resolve dar um uso mais criativo a melancia. Nada que o cinema nacional já não tivesse feito num ótimo curta metragem que, infelizmente, só se encontra em raras cópias em VHS. Uma das personagens femininas, no mesmo prédio em que se produz o filme, mostrando consciência do problema, desenvolve técnicas para poupar água. Já a turma do pornô filma uma cena de sexo no chuveiro. O chuveiro é improvisado através de uma garrafa perfurada que vai sendo enchida por outras a medida que se esvazia. Puro desperdicio. Mas a arte não liga para isto como se sabe. De repente termina a água. Para o filme e para o sexo. Tudo muito mecânico. Parece que é esta a idéia que o Tsai (O Cineman também é intimo do Tsai) quer transmitir. De repente, no meio de uma cena, é apresentado um número musical, com bela coreografia, tudo muito colorido e com alguns traços de musical americano. Agora, o número musical saido do nada... pura chanchada do J.B.Tanko. Um destes clips passeia pelo político. As meninas, provocativas, se esfregam nas pernas de uma estátua de Chiang Kay-check, aquele que fugiu do Mao Tse Tung para Formosa, hoje Taiwan. O filme passeia pelo pornô, pelo romance platônico, pelo musical, pelo drama, pela morbidez mas a intenção de Tsai é crítica. A critica mais clara é ao tratamento da mulher como objeto, tanto quando apresenta a atriz japonesa que faz o pornô, em profundo coma, mas mesmo assim continuando a participar do filme, como nas lágrimas da artista principal no chocante final e, para não deixar nenhuma dúvida, na presença de uma propaganda da China Airlines, duas aeromoças de papelão em tamanho natural, que assistem risonhas o final do filme. Eu diria que vale a pena ver mas convem selecionar os parceiros.
UM DOS CLIPS SURREALISTAS DE O SABOR DA MELANCIA

Terça-feira, Maio 27, 2008

ALMANAQUE DOS SERIADOS


Este vale a pena. Descobri numa de minhas andanças pelas livrarias. Desta vez foi na Saraiva. O Almanaque dos Seriados. Está baratinho. No dia que eu comprei estava numa promoção, não sei se ainda está, de R$ 49,00 por R$ 39,00. Não precisei nem levar para o café para a compra seletiva. Vi logo que era coisa fina. O almanaque, e o nome está bem apropriado, foi escrito a partir de uma pesquisa detalhada de Paulo Gustavo Pereira, que deve ser tão maluco quanto o Cineman. São comentário rápidos com informações muito interessantes sobre os seriados antigos, desde Intocáveis, Homem de Virginia, Nacional Kid até os mais atuais. Como eu disse lá no inicio - Vale a pena. Aliás, como dizia nosso escritor português - Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Sábado, Maio 24, 2008

ALGUNS DIAS NA METADE SUL


O Cineman mergulhado em suas atividades paralelas ficou fora do ar quase três semanas. Um treinamento intensivo em unidades armazenadoras. A partir de janeiro de 2009 as unidades armazenadoras que prestam serviços de armazenagem vão ter que, obrigatoriamente, serem certificadas. A Universidade de Pelotas organizou um treinamento para engenheiros agrônomos atuarem como auditores técnicos nesta certificação e o Cineman foi um dos trinta participantes. Na velha Escola de Agronomia Eliseu Maciel, que agora chamam de Faculdade de Agronomia e que está completando 125 anos, a mais antiga do Brasil, o Cineman encontrou uma terna lembrança. Percorrendo os largos corredores cheguei a sala do diretório acadêmico. Entrei e no meio da sala, majestosa, estava ela - a mesa de ping pong. Seria a mesa que o Cineman inaugurou em 1959? Sem dúvida. Pelotas é incrivel no respeito a tradição. A mesa jamais foi pintada. Na ponta da mesa, naquela posição onde a gente raspa a raquete na mesa esperando a jogada, estava totalmente sem tinta. A colaboração do Cineman estava ali, indelevel. Centenas de horas. Praticamente todas as aulas de Zoologia ( o professor apenas lia uma apostilha, o ping pong era mais instrutivo). Foi um momento único. O Cineman também é sentimental.
O quadro de formatura é de 1953 e é um dos poucos que contem o logo da escola.

Quinta-feira, Maio 01, 2008

ANTI-PIRATARIA


Os onze leitores do blog sabem que o Cineman é totalmente contra a pirataria. Fiz diversas postagens elogiando a ação da repressão à pirataria e denunciando os refúgios onde alguns remanescentes ainda vendiam seu botim. Mas não dá para aguentar o que algumas produtoras de video vinham e vem fazendo. Além do tradicional "warning" em inglês, francês, espanhol e até em português você ainda tinha, até pouco tempo atrás, que assistir um filmeco em inglês contra a pirataria. Muita gente até gostou - o filme tinha toques do SIN CITY - e, pensando que era um trailer de um lançamento, procurava o filme nas locadoras. Agora fizeram uma produção nacional contra a pirataria, disse uma? Não. São quatro filmes que eles passam no mesmo DVD, e muito ruins. Pior. Não temos direito de saltar logo para o Menu. Temos que aguentar aquelas quatro variações sobre o mesmo tema. Acho que é um tiro no pé. É mais ou menos como o MST, todo mundo era a favor até que os carinhas começaram a exagerar e a defender teses que claramente não tem nada a ver com a luta pela terra própria. Perderam todo o apoio. O Cineman já tinha reclamado dos trailers que uma produtora obrigava a ver antes do filme. A produtora, certamente leitora do blog, passou a permitir que o consumidor salte direto para o Menu, sem ver os trailers. Espero que o mesmo aconteça com os filmecos da pirataria. Um está bom, a gente aceita. Quatro? No Way.
Até a próxima postagem.
Na foto acima temos um pirata simpático. Isto quer dizer que, dependendo da forma como se apresenta, até a pirataria pode passar a ter defensores.

Terça-feira, Abril 29, 2008

O PASSADO NÃO PERDOA (THE UNFORGIVEN)


Unforgiven é um senhor western. Dirigido por John Huston, com Burt Lancaster, Audie Murphy, Audrey Hepburn e John Saxon nos papéis principais. Mais de duas horas de western. Uma familia no meio do Texas bravio, a mãe, três irmãos a irmã e a tumba do pai, morto pelos Kyowas. São os Zachary. O filme já começa com uma surpresa, duas vacas pastando no telhado da casa. A casa é construida de encontro à uma elevação, dai o telhado é a continuação do pasto. Entendi que era um sistema de defesa. Afinal eles estão no meio dos indios. E Audrey Hepburn possivelmente seja na realidade uma Kyowa, roubada de sua tribo quando criança, ou não. E os indios parece que querem a sua pretensa irmã de volta. E vão guerrear por isto. Com a suspeita levantada, todos vão abandoná-los e a batalha final será apenas dos quatro irmãos contra toda a tribo Kyowa. Uma batalha de feitiços, do lado dos indios flautas para protege-los dos maus espiritos, do lado da familia branca, um piano e uma mãe tocando Mozart. Como eu disse, um senhor western. Imperdível.
Até a próxima postagem

Segunda-feira, Abril 28, 2008

NIP/TUCK


Assisti tres temporadas do Nip Tuck.. na ordem inversa. A primeira temporada foi a última que assisti. Ficou meio estranho mas depois me lembrei que era exatamente o que faziamos nas sessões de domingo. Por uma razão ou por outra a gente acabava entrando no cinema quando o filme já tinha começado. Dez, vinte minutos de filme. Assistiamos até o fim e depois esperavamos a segunda sessão para assistir o inicio. Muita gente fazia isto. A gente transformava qualquer bang bang em cinema francês.
A primeira vista Nip Tuck parece ser uma série comum e por isto não é das mais comentadas. Mas ela é muito interessante. Dois cirurgiões plásticos, Sean Mcnamara e Christian Troy, companheiros de escola, se reunem para montar a maior clínica de cirurgia plástica de Miami. Mcnamara é o garoto prodígio, altamente competente, e Christian Troy é o encarregado do relacionamento. Solteiro, bonitão, um chamariz para a clínica. Macnamara tem familia, mulher e dois filhos. A série passa a impressão inicial de que é leve, lidando com suave ironia com a vaidade das pessoas, mas em seguida vemos que não é nada disto. Ao lado das situações relativamente tranquilas vão surgindo os traficantes, os serial killers e outros personagens mais comuns às séries policiais. Discussões interessantes sobre ética, sobre os limites da cirurgia plástica emodurados por operações explicitas de correção de nariz com marteladas que doem na alma, lipoaspirações com quilos de gordura circulando pelos tubos de drenagem e muito silicone para atender o supremo desejo americano. Já no piloto eles são obrigados a se desfazer de um corpo indesejável servindo-o, amarrado a quilos de presunto, à um faminto, mas seletivo, crocodilo. As surpresas se sucedem. O fim da primeira temporada é hilário. Recomendo para todo mundo. Devido ao excesso de cenas eróticas o Ministério da Censura Prévia adverte para retirar as crianças da sala.
Até a próxima postagem

Domingo, Abril 27, 2008

FACTOTUM


Quero falar de dois filmes que vi neste fim de semana. FACTOTUM e O PASSADO. O primeiro é um filme baseado na obra de Charles Bukowski com o mesmo título e mais partes de outros três - The Days Run Away Like Wild Horses Over the Hills, What Matters Most Is How Well You Walk Through the Fire e The Captain Is Out to Lunch and the Sailors Have Taken Over the Ship. O personagem da história é Henry Chimaski, alter ego de Bukowski. O filme é narrado em off por Chimaski, muito bem interpretado por Matt Dillon, com trechos das obras já citadas. É uma jornada circular - Chimaski consegue emprego, bebe, encontra mulheres em bares, transa, bebe e perde o emprego e ai começa tudo novamente. Enquanto isso escreve compulsivamente suas histórias. Não existem heróis, não existe drama, não existe sofrimento, para Chimaski aquilo é a vida. "- O que importa é como você caminha através do fogo", como diz um dos títulos lá em cima. O fato é que o filme é angustiante e prende a atenção até o final. Imperdivel para os fãs de Bukowski que já teve transferido para cinema o excelente BARFLY.
Já O PASSADO é uma co-produção Argentina e Brasil do diretor argentino Hector Babenco. Não gostei. Hector Babenco pelas suas posições políticas é cultuado pela inteligência nacional e se aproveita disto muito bem. O filme é muito chato, daqueles em que se percebe claramente que o diretor não sabe que história está contando e portanto também não sabe como terminar. Mas o que me deixou puto é que o filme é patrocinado pela Petrobrás. E o que é que se vê? Buenos Aires maravilhosa, seus prédios antigos, gente bem vestida nas ruas, tudo muito fashion. E o Brasil? A pior região de São Paulo, ruas sujas, prédios decadentes, lojinhas de bugigangas, camelõs, pessoas mal vestidas, mendigos. Acho que foi uma gozação do Babenco com o patrocinador. Por que eu vi o filme? Tem a última aparição de Paulo Autran no cinema. Uma pontinha interpretando o Prof. Poussièrre, um palestrante francês - nem isto Babenco permitiu ao Brasil - que traz a única passagem marcante do filme.
Até a próxima postagem

Quinta-feira, Abril 17, 2008

EFEITO BORBOLETA


Um dos filmes interessantes de ficção científica que estão no acervo das locadoras é o Efeito Borboleta. Este termo foi forjado por Edward Lorenz, um dos criadores da teoria do caos, para designar sistemas físicos em que um pequena mudança pode causar grandes transformações. A batida das asas de uma bortoleta na Amazonia pode resultar num furacão na Indonésia. Pois o grande matemático Edward Lorenz morreu ontem em Cambridge aos 90 anos. A teoria do Caos aparece também no filme Jurassic Park. Os criadores do parque afirmam que não existe possibilidade de reprodução dos dinossauros porque eles tiveram o cuidado de clonar apenas machos. O matemático da expedição, especialista na teoria do caos, interpretado por Jeff Goldblum, com um sorriso irônico contesta: "- A natureza sempre encontra seus caminhos"
Até a próxima postagem

INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA II


Há alguns dias fiz uma postagem sobre informação privilegiada, no caso a que eu tinha com relação as tampinhas premiadas do CRUSH. Na postagem eu fazia uma referência sutil a informação privilegiada que tem os diretores da Petrobrás com relação a descoberta e a capacidade de novos poços de petróleo. Pois não é que alguns dias depois, no inicio da semana, o sr. Haroldo Lima, diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo - ANP, divulga absurdamente a sua informação privilegiada com relação a área conhecida como Pão de Açúcar, na Bacia de Santos. Estouraram em todo o mundo as ações de empresas petrolíferas vinculadas àquela área. Pior, talvez a informação não seja nem verídica porque a Petrobrás está negando. Mas teve repercussão porque provinha, nada mais, nada menos, do diretor-geral da ANP. Ignorância? Esperteza? Só um exame na carteira de ações do sr Haroldo poderia dar a resposta. Jogo minhas tampinhas de Crush na ignorância. Este costuma ser o resultado quando se coloca políticos no lugar de técnicos. Mas mais uma vez se confirma a proverbial capacidade de premonição do Cineman.
Até a próxima postagem

Sexta-feira, Abril 11, 2008

A FELICIDADE

No próximo dia 15, terça feira, o Celso Bins vai fazer no Paris Cinema e Café, o lançamento de seu livro "O TEMA DA FELICIDADE". O Celso é engenheiro agrônomo, ex-presidente da Emater e resolveu agora abandonar os temas mais técnicos e dedicar-se à uma área mais espiritual. O livro não está na linha da auto ajuda mas antes é um levantamento do que os filósofos antigos e atuais tem dito sobre a felicidade. O Cineman não só leu como prefaciou o livro do Celso. Apareça, vai ter uma leitura de um capítulo, autografos e a possibilidade de trocar algumas idéias sobre o tema que mais interessa a todos nós - A FELICIDADE.
Aguardo voces lá.

HOUSE


Na semana passada fiz a minha habitual a visita a alguma livraria da cidade. Desta vez a eleita foi a Saraiva do Praia de Belas. Percorri a livraria recolhendo alguns livros para uma leitura dinâmica no bom café que existe ao fundo da loja. Entre os livros estavam ECHO PARK de Michael Connelly e A CIÊNCIA MÉDICA DE HOUSE, de Andrew Holtz. Echo Park é o último livro de Connelly com o detetive Harry Bosch e candidato quase imbatível para a escolha do dia. Mas quando comecei a ler o livro do House vi que teria que alterar meus planos iniciais. O livro analisa a série HOUSE do ponto de vista médico, ou melhor, o que existe de verdade nos diagnósticos incríveis do Dr. Gregory House. O livro é resultado de uma extensa pesquisa do jornalista Andrew Holtz, especializado em medicina e mestre em Saúde Pública. Ele pesquisou casos reais e entrevistou diversos especialistas - médicos, enfermeiros e professores - para reunir os casos mais incriveis e os tratamentos mais surprendentes e relacioná-los aos casos do HOUSE. A leitura é fácil mesmo para quem, como eu, não entende nada de medicina. Quem gosta da série vai ler de uma sentada só. E o preço é convidativo. Menos de trinta reais.
Até a próxima postagem.
Voltei no outro dia e comprei o Echo Park, claro.

Domingo, Abril 06, 2008

MENINO MALUQUINHO


O dia 1° de abril é o dia do bobo. É, também, o dia da Revolução de 64 apesar dos auto intitulados revolucionários terem insistido sempre que a data certa é 31 de março. E é também o dia do humorista. E agora depois do Ziraldo ter recebido uma pensão vitalicia de R$ 4.000,00, a Bolsa Revolução, mais um milha na boca do caixa, por possíveis danos que nós causamos a ele, "- O Brasil me deve isto", confirma as duas coisas, dia do humorista e dia do bobo, o primeiro para ele e o segundo para nós, que sem ter nada que ver com isto vamos pagar a conta.
Na tirinha o Menino Maluquinho parece mostrar mais bom senso que seu criador.

Terça-feira, Abril 01, 2008

INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA


Todas as segundas feiras me encontro com dois amigos de infância/juventude. Nestas reuniões os assuntos são política atual e reminiscências. A melhor parte são as reminiscências. Recordar é viver (..eu ontem pensei em você). Na política a conversa é só no lado ameno e ai surgem idéias interessantes. Uma possível dobradinha para a prefeitura - Manoela para prefeita e Nelson Proença para vice. Pobre Marx. Uma campanha de doação de equipamentos de informática para Cuba. Nada muito sofisticado para não prejudicar a abertura gradual proposta pelo mano Raul. A sugestão aprovada para a campanha foi se recolher os CP 400, MSX, Commodore 64 e TK 80 que por milagre ainda funcionem e, para não esquecer a gurizada cubana, alguns Ataris 64. Aliás, do jeito que a política anda na América Latina nada melhor do que passar-lhe algumas gargalhadas a volta. Mas nas reminiscências descobri uma coisa interessante apesar de, depois de descoberta, bastante óbvia. A reunião com amigos antigos traz para a memória coisas absolutamente esquecidas. A famosa associação de idéias, no caso, associação de lembranças. É muito divertido. (Claro que só lembramos as coisas boas). Uma coisa que lembrei e que estava absolutamente esquecida foi o Crush premiado. Crush era um refrigerante com sabor de laranja que, para nos enganar, continha pedacinhos de gomo de laranja. Nós eramos meio patetas mesmo e achavamos que era natural. E tinha o Crush premiado. Quando se tinha sorte, debaixo da cortiça da tampinha da garrafa (sim as tampinhas tinham cortiça) vinha o esperado "Tome outro Crush grátis". Mas a fábrica queria manter um padrão de 1 ou 2 garrafas premiadas por engradado e bolou um sistema para identificar as tampinhas premiadas. O design da tampinha era um bonequinho de braços abertos dentro de um triângulo. Na tampinha premiada um dos braços do bonequinho saia para fora do triângulo. Eu descobri isto depois de muita investigação e a partir dai tomei muito Crush grátis. Quando lembrei isto no grupo de amigos foi uma surpresa, nenhum deles conhecia o truque. Então vi que com 15 anos eu já tinha descoberto os principios da Informação Privilegiada. Mais ou menos a mesma coisa que um diretor da Petrobrás tem antes de anunciar a descoberta de um grande poço de petróleo. Eu intuitivamente sabia que meus amigos eram meus principais concorrentes na busca das tampinhas premiadas e, mais importante, intuia que se o truque se tornasse público a fábrica do Crush iria alterar o procedimento e eu perderia os meus Crushs grátis.
Até a próxima postagem

Sexta-feira, Março 28, 2008

NOME DE FAMILIA


A tradicional Biblioteca Pública de Pelotas além de sua arquitetura maravilhosa tinha, e tem, um magnífico acervo de grandes obras da literatura mundial. Lembro que boa parte das minhas férias colegiais se resumiam a ir pela manhã na biblioteca, retirar um livro e trocá-lo por outro no dia seguinte. Os coleguinhas mais abastados iam para a praia do Cassino ou para a Barra do Chui mas eu, talvez, estivesse indo para lugares mais distantes e mais interessantes. Entre os romances e contos que li, dois foram marcantes, um francês, A Bola de Sebo, de Guy de Maupassant e um russo, O Capote, de Nicolai Gogol. Dizem que O Capote deu origem a toda moderna literatura russa. Gogol era quase um iletrado quando vai para Moscou e começa a trabalhar como funcionário público. Esta experiência é a base do conto onde ele ironiza toda a burocracia do regime czarista ao mesmo tempo que de forma muito crua expõe a miséria do povo russo. Lembrei também de um filme do Kurosawa, que eu já comentei aqui, Viver, que também aborda a burocracia estatal japonesa. Os japoneses aprenderam alguma coisa, os russos parece que ainda não. Regimes políticos?
Falo de Gogol porque assisti agora um filme admirável da diretora indiana Mira Nair - NOME DE FAMILIA onde Gogol está presente. Ele é o nome que um casal de indianos que se muda para os Estados Unidos dá para seu primogênito. O rapaz quando cresce passa a detestar o nome e, como diz seu pai, "- Aqui nos Estados Unidos pode-se tudo", muda para Nicolas, não se afasta muito porém, poque Nicolas é o primeiro nome de Gogol. Para americanizar mais ainda ele usa o diminutivo Nick. O pai explica para o filho que ele não lhe deu este nome apenas porque gostava dos contos de Gogol, existe uma razão maior. No inicio do filme nós vemos o pai, então um jovem, viajando de trem e lendo O Capote. Um velho que viaja no mesmo trem pergunta se ele viaja muito. Ele responde que sim, conhece toda a região. O velho então diz que está se referindo a viajar mesmo, ir para outros países, conhecer outras culturas. O rapaz diz que os livros lhe bastam, ele viaja para qualquer lugar com eles. Lembram? Era a mesma coisa que eu achava quando guri frequentador da Biblioteca Pública de Pelotas. O velho diz que não é a mesma coisa e neste momento o trem sofre um acidente. Muitas mortes. O rapaz se salva. Os indianos são fanáticos pelo destino. Ele vê a mensagem e faz sua grande viagem, mudando-se para os Estados Unidos. Mais tarde, formado em arquitetura ele volta para a India para buscar uma esposa. Existe uma disputa com outros dois pretendentes mas ele acaba sendo o escolhido. O filme mostra muito da cultura indiana e traça uma comparação com a cultura americana, em especial quando a história vai sendo conduzida do ponto de vista dos dois filhos do casal que já são mais americanos que indianos. Para quem aprecia um bom filme é uma recomendação que faço e principalmente para aqueles que apreciam a cultura indiana e querem entender um pouco as modificações que ocorrem naquele país.
Até a próxima postagem
Se quiserem relembrar O CAPOTE, cliquem aqui

Sábado, Março 22, 2008

A MARSELHESA (LA MARSEILLAISE)


Assisti ontem o clássico A MARSELHESA de Jean Renoir. É um lançamento em DVD da Versátil. Jean Renoir era filho do pintor impressionista Pierre Auguste Renoir e um dos grandes diretores do cinema francês. No final dos anos trinta produziu duas de suas maiores obras, também disponíveis em DVD, A Grande Ilusão e A Regra do Jogo. Entre estes dois filmes ele produziu A MARSELHESA. Eu sou um dos que me atrapalho um pouco com as idas e vindas da revolução francesa. Este filme ajuda a clarear um pouco as coisas, não muito, mas ajuda. O filme conta a história de um batalhão de Marselha que vem para Paris para se juntar aos revolucionários logo após a derrubada da Bastilha em 14 de julho de 1789. Eles trazem também, junto com eles, uma música que ainda vai fazer história - o Hino do Exército do Reno, que por ser cantada por eles passou a ser conhecida como A Marselhesa. Renoir pesquisou bastante para realizar este filme. Existem diálogos que são simplesmente frases reais dos personagens da História. O rei Luiz XVI está abandonando o palácio das Tulleries que está prestes a ser ocupado pelos revolucionários, seu filho se abaixa para brincar com folhas caidas no passeio, Luiz XVI comenta com seus acompanhantes : "- Este ano o outono está vindo mais cedo". Esta foi uma frase histórica de Luiz XVI referindo-se indiretamente ao declinio da corôa francesa que o filme reproduz.
A maioria dos atores são extras mas isto não é nenhum impecilho para as ótimas interpretações. Claro que tem Louis Jouvet e o irmão do diretor, Pierre Renoir, fazendo o papel de Louis XVI que está excelente. Fica a recomendação. É um filme fundamental para quem aprecia cinema e história.
Até a próxima postagem.

Domingo, Março 16, 2008

O ÉBRIO e O CASO DOS IRMÃOS NAVES


Uma coisa que faz o Cineman feliz é quando alguém chega no Paris Cinema e Café e pede um filme nacional dos velhos tempos. A primeira coisa que eu pergunto é quem está pedindo o filme para ver se é um dos clientes conhecidos. Se não é, eu quero saber a idade, formação, quando fez a ficha, que outros filmes já levou. É um negócio meio de FBI. Ontem me pediram dois filmes, clássicos do cinema brasileiro, mas que não tem nada a ver um com o outro. O Ébrio, com Vicente Celestino e O Caso dos Irmãos Naves de Luiz Sérgio Person. Será que foram dois clientes diferentes? Ou será que foi um cliente que pediu os dois filmes? Neste caso há necessidade de uma investigação maior. Vicente Celestino foi o ídolo da geração anterior a minha. Era o ídolo da minha mãe. Tinha uma música que os fãs do Vicente adoravam e que eu achava engraçadissima. A letra era mais ou menos assim: "- Disse um campônio a sua amada, minha idolatrada, pede o que quizer. Por ti vou matar, vou roubar..." Seguindo a letra, a malvada da amada do campônio resolve, para testar a sua paixâo, pedir o coração da mãe do dito cujo. O campônio, apaixonadissimo, vai para casa, mata a mãe e " - Tira do peito sangrando, da velha maezinha, o pobre coração". Em desabalada carreira para a casa da amada, cantando "- Vitória, vitória, tens minha paixão" - ele tropeça, cai e quebra a perna. O coração salta longe e então uma voz "ecoou" : "- Magoou-se, pobre filho meu?". Existiam duas reações: A dos mais velhos desmanchando-se em lágrimas e a da gurizada rolando no chão de tanto rir. Gerações. Era a geração do rock surgindo.
Já o filme de Person é sobre um caso real que aconteceu durante o Estado Novo, uma das ditaduras que tivemos, esta com o Getúlio Vargas. Tendo como base a história dos irmãos Naves, Person e o co-roteirista Jean-Claude Bernardet estavam criticando todas as ditaduras. O filme foi lançado em 1967. Muita coragem, já estavamos sob o dominio da Gloriosa de 64.
Vocês viram? Se for o mesmo cliente que pediu os dois filmes eu vou ter que conversar com ele.
Até a próxima postagem.
Letra completa de Coração Materno de Vicente Celestino
Disse um campônio à sua amada: "Minha idolatrada, diga-me o que quer
Por ti vou matar, vou roubar, embora tristezas me causes mulher
Provar quero eu que te quero, venero teus olhos, teu porte, teu ser
Mas diga, tua ordem espero, por ti não me importa matar ou morrer"
E ela disse ao campônio, a brincar: "Se é verdade tua louca paixão
Parte já e pra mim vá buscar de tua mãe inteiro o coração"
E a correr o campônio partiu, como um raio na estrada sumiu
Sua amada qual louca ficou, a chorar na estrada tombou
Chega à choupana o campônio
E encontra a mãezinha ajoelhada a rezar
Rasga-lhe o peito o demônio
Tombando a velhinha aos pés do altar
Tira do peito sangrando da velha mãezinha o pobre coração
E volta à correr proclamando: "Vitória, vitória, tens minha paixão"
Mas em meio da estrada caiu, e na queda uma perna partiu
E à distância saltou-lhe da mão sobre a terra o pobre coração
Nesse instante uma voz ecoou: "Magoou-se, pobre filho meu?
Vem buscar-me filho, aqui estou, vem buscar-me que ainda sou teu!"

Sábado, Março 15, 2008

MAIS ECONOMISTA CLANDESTINO


Pois tirei dez dias de férias. Na pesquisa por um local saquei fora qualquer um no qual eu precisasse enfrentar aeroportos desorganizados, empresas de aviação incompetentes e reguladoras mais ainda. E não estava disposto a dirigir em estradas muito tensas, esburacadas e cheias de pardais traiçoeiros (Aquelas em que o limite é 80 km, ai baixa para 60 km e tem um pardal). O resultado da pesquisa acabou me levando para Punta Del Este. E o Cineman levou junto o Economista Clandestino. No supermercado de Punta, a Tenda Inglesa, o Cineman, na persona do Economista Clandestino, observou que para comprar bananas é só fechar os olhos e apanhar qualquer cacho do expositor. Tem algumas oriundas do Brasil mas a maioria é do Equador. O Economista Clandestino lembrou que em qualquer supermercado do Rio Grande do Sul o cliente fica uma hora na prateleira das bananas para escolher um cacho que seja apenas razoável e que isto pode estar ligado ao que se chama-Abertura de Mercado. No Brasil só tem banana brasileira. No Uruguai eles compram de qualquer lugar. A banana que vem do Equador é de primeirissima qualidade e a brasileira que quiser competir com ela no supermercado de Punta tem que ser de primeira qualidade também. Então a banana que vai para fora do Brasil é a boa. Como não existe competição com produto de qualidade de fora do país o que nos sobra são aquelas bananas que vemos no supermercado. Mas porque não vem produto de fora? Porque precisamos proteger o produtor nacional e dar-lhe condições de continuar incompetente. E continuamos a gritar junto com ele contra a globalização. Outra coisa que o Economista me chamou a atenção na Tenda Inglesa foi para o balcão dos queijos, salames e companhia. Muita gente comprando. Uma fila enorme? Não. O cliente retira um ticket numerado e continua comprando até ouvir que chamaram o seu ticket. Espertos eles. Mais tempo para comprar. Na visão do cliente "-não estou perdendo tempo". O Economista ainda mostrou outras coisas que vou guardar para as próximas postagens. O Ecomista também me falou. "-Cineman, é melhor manter uma regularidade maior de postagens com textos menores do que fazer textos muito extensos uma vez por semana ou de dez em dez dias"

Terça-feira, Março 04, 2008

AS PROFECIAS DE CINEMAN

Profecias, para mim, não tem nada a ver com o sobrenatural. Alguém faz uma análise dos fatos e, pela sua experiência e conhecimento, pode prever com razoável certeza o que vai acontecer no futuro. Trago a lembrança a postagem que fiz sobre o Internacional e sua campanha do ano passado. Se quiserem rever é só clicar aqui. Leram? Que diferença da postura do Inter deste ano hein? Acho que alguém da diretoria do Inter leu o blog, ou o Abel. Vamos a outra mais recente. Algumas postagens atras eu falei do filme Dr. Fantástico do Kubrick e fiz umas paralelas com as aventuras bélicas no nosso vizinho e amigo Chaves. Relembre a postagem clicando aqui.
Ali chamamos a atenção da corrida armamentista do presidente bolivariano e as artimanhas que ele poderia usar para criar conflitos na região. O post, vocês lembram, terminava com uma imagem virtual, genial por sinal, do nossos Ministro Jobim, imitando o Slim Pickens na sua cavalgada sobre uma bomba atômica lançada sobre Caracas.
Até a próxima postagem, onde espero toda esta baboseira tenha acabado.

Sábado, Março 01, 2008

A SUCATA E UM HOMEM TEM QUE SER MORTO



Final dos anos sessenta. Eu tinha me formado em agronomia e agora tinha os meus dois irmãos seguindo meus passos. O mais velho deles me procura dizendo que queria dar uma guinada na vida, parar os estudos e colocar uma casa noturna em Pelotas. Ninguem estava apoiando a idéia e ele precisava financiamento. Ele foi convincente. Contra a opinião de todos fiz um pequeno empréstimo e surgiu a SUCATA, que durante muito tempo foi a melhor casa noturna de Pelotas. Depois, para a felicidade de nossa mãe, ele voltou para a agronomia e concluiu, com louvor, o curso. Mas exatamente no período que a SUCATA estava funcionando aparece em Pelotas um produtor cinematográfico com um projeto de um filme de ficção cientifica - UM HOMEM TEM QUE SER MORTO. Na realidade o cenário futurista era um disfarce do produtor/diretor para poder levar avante sua critica ao regime ditatorial. A cidade passou a viver o filme. No tempo das cabeleiras, cabeças raspadas começaram a fazer parte da paisagem. Eram os extras de Um Homem tem que Ser Morto. A SUCATA foi escolhida como um dos cenários e um cenário que não tinha nada a ver com ela - os porões da ditadura. Ali eram torturados os dissidentes do governo totalitarista. Como estavamos em plena ditadura claro que o filme não pode ir muito longe. Nem o Davide Quintans, o produtor/diretor que eu falei lá em cima, tem uma cópia do Um Homem Tem que ser Morto. Eu conheci o Quintans muito tempo depois quando ele apareceu no banco de desenvolvimento que eu trabalhava para financiar um outro filme - Meu Doce Vampiro - que acabou não passando do roteiro. Ontem, depois de muito tempo, encontrei o Quintans e ele, além de me prometer fotos das filmagens na SUCATA que ele havia resgatado, me falou de seu novo filme - A ILHA DOS ESCRAVOS. A ILHA DOS ESCRAVOS é uma coprodução de Espanha, Portugal, Cabo Verde e Brasil. Quintans é o co-produtor do lado do Brasil. O filme ainda não foi lançado e tem Zezé Mota e Milton Gonçalves entre os atores brasileiros. O Diretor é o português Francisco Manso, de quem nós já vimos o muito bom - O Testamento do Senhor Nepomusceno. O cenário brasileiro foi em Alagoas, na cidade de Marechal Deodoro. Mas poderia ter sido no Rio Grande do Sul. Foi a primeira alternativa trabalhada pelo Quintans, que há muito tempo se adotou como Porto Alegrense. Eles queriam só apoio logístico. Nem isto conseguiram, parece que aqui é pecado apoiar alguém que não faça parte daquela panelinha que vocês conhecem. É uma espécie esquisita de reserva de mercado que independe do partido que estiver no poder. Eu não entendo. Acho que ninguém entende.
Até a próxima postagem
Fotos da filmagem de Um Homem Tem que Morrer na SUCATA

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

ONDE OS VELHOS NÃO TEM VEZ (No Country for Old Men)


Um dia destes um dos meus filhos me devolveu uma coleção de livros que eu julgava perdida. Não que eu achasse que ele não devolveria (uma possiblidade) mas porque eu simplesmente não me lembrava mais o que eu tinha feito com ela. Era a coleção dos livros de faroeste do Max Brand que eu comprei lá pelos anos cinquenta. A minha cidade, nesta época, tinha duas livrarias. De vez em quando, mas muito de vez em quando, surgia um livro do Max Brand. O personagem era o Silvertip. Eu tinha que ficar atento e o ficar atento significava passar seguidamente nas duas livrarias para ver se tinha chegado alguma coisa nova. Naquela época as livrarias recebiam meia dúzia de volumes (no caso do Max Brand, um ou dois)e se eu não corresse estava fora. Max Brand era o único autor de livros de faroeste que passava pelo meu crivo crítico. Depois não li mais nada do gênero. No ano passado, entre os livros que eu recolhi nas prateleiras da Cultura ou da Saraiva, não lembro qual, e carreguei para o café estava Onde os Velhos Não tem Vez, de Cormac McCarthy. Já no primeiro capítulo me chamou a atenção e foi um dos escolhidos do dia para minha contribuição financeira ao setor editorial. Li de uma sentada só. É uma daquelas histórias onde uma situação cria outra e os personagens ficam como que sem escolha, indo ao sabor do destino e você só consegue parar quando o livro termina. Na contracapa já estava o aviso que os irmãos Cohen estavam fazendo uma adaptação para o cinema. Está ai.. e ganhou o Oscar. Como sempre o título do filme mudou um pouquinho, substituindo o old por fraco, o que não altera nada a não ser, possivelmente, o nome da nova edição do livro.
Ainda não vi o filme mas com esta história e dirigido pelos Cohen deve valer a pena, mesmo tendo ganho o Oscar. Acredito que deve sair em DVD em seguida mas também acredito que deve ser daqueles filmes que vale a pena ver no telão.
Até a próxima postagem.

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

O ECONOMISTA CLANDESTINO ( THE UNDERCOVER ECONOMIST)


Uma das leituras que iniciei no carnaval - O ECONOMISTA CLANDESTINO. O autor é o economista Tim Harford. O nome do livro em português, como sempre, foge um pouco da idéia do autor. The Undercover Economist procura estabelecer um paralelo com "undercover agent", aqueles caras do FBI ou CIA que trabalham disfarçados no coração do inimigo. Mas também não sei se o Economista Espião ou Disfarçado ficaria bem. Clandestino, afinal, não foi uma escolha tão ruim. Mas Mr Harford nos dá respostas para algumas coisas fundamentais e outras que parecem muito banais. Porque as diferenças entre países pobres e ricos são tão acentuadas? Porque não conseguimos nunca achar um carro usado decente? As leis ambientais são para proteger o meio ambiente ou para fazer a alegria dos proprietários de terras? Os temas são abordados de forma simples e estabelecendo as correlações com a economia. Quando vemos estamos com absoluta naturalidade lendo coisas inteligíveis sobre teoria dos jogos, escassez de recursos, informação privilegiada, poder dos mercados e outras coisas até então fora de nossa humilde compreensão. Vamos a alguns exemplos: Porque nunca se consegue um carro usado decente? Neste capítulo Mr Harford trabalha com a informação privilegiada. O vendedor do carro usado tem uma informação privilegiada, ele sabe se o carro é bom ou ruim. Os americanos chamam, com muita propriedade, de "peach" e "lemon", um carro bom é um pesseguinho aveludado e o ruim um limão amargo. O comprador não tem a informação privilegiada mas sabe que o vendedor tem. Então ele não se arrisca a pagar muito por um carro usado. O vendedor se tiver um carro bom na mão não vai conseguir vender pelo preço que ele vale porque ninguém vai comprar. Então o vendedor não se interessa em comprar um carro que ele sabe que é muito bom se ele tiver que pagar um preço justo. Porque? Exatamente. Está ali em cima. Ele não vai conseguir vender por um preço justo. Surgem formas de resolver este impasse. O vendedor que no passado vendeu bons carros para alguém pode trazer a confiança para seu produto e eliminar o problema da informação privilegiada. Como trabalho com certificação de produto, vi logo as implicações. A certificação de produto por um terceiro, em determinados casos, pode vir a ser o item que falta para nivelar as informações.
Tem um capítulo que fala sobre leilões de privatização que mostra que o governo se não souber agir inteligentemente pode perder muito dinheiro ou, pelo menos, deixar de ganhar muito dinheiro. Nós tivemos um caso bem próximo. O governo Brito vendeu a CEEE por um valor maior que o governo Fernando Henrique vendeu a Vale do Rio Doce. Podemos pensar na existência de ações não muito republicanas para explicar isto mas pode ter sido apenas a presença de um grupo negociador mais competente no Rio Grande do Sul.
Estou quase terminando a leitura. Já decidi que vou ler novamente para entender melhor alguns conceitos. Recomendo fortemente para aqueles que gostam destes assuntos. Não vão se arrepender. Um dos melhores livros que eu peguei nos últimos tempos e custa só R$ 45,00. Deve ter em todas as livrarias da cidade mas eu comprei na livraria do aeroporto.
VIDEO DO PROGRAMA DE MR HARFORD ONDE ELE TENTA COMPRAR UM CARRO USADO (sorry, no subtitles)

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

O DIABO A QUATRO


Entusiasmado com o Urso de Ouro do Tropa de Elite resolvi arriscar mais um pouco com o cinema nacional. Escolhi O Diabo a Quatro. O filme ganhou o juri popular de um festival de Brasilia com comentários sobre a criatividade etc... Só consegui assistir 30 minutos. Acho que não melhora depois disto. É uma antiga lição que os mais velhos podem passar para os mais novos. Se em 30 minutos de um filme ou 30 páginas de um livro não apareceu nada bom... desista. Voltando ao filme e ao festival de Brasilia, eu devia ter sacado - júri de Brasilia falando em criatividade... não poderia se esperar boa coisa mesmo. Passe longe. Vem ai minhas leituras e filmes do carnaval. Já disse que foram muitas e boas.

Sábado, Fevereiro 16, 2008

TROPA DE ELITE

É muito simples. É só mandar os filmes bons para os festivais que a gente ganha. Os nossos críticos intelectuais nunca torceram tão descaradamente contra um filme. É só ler as reportagens nos jornais de sexta e sábado. Mas está aí. Urso de Ouro merecido.

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

It´s Too Late

Hoje teremos uma nova exposição de fotografias no Paris Cinema e Café. Os trabalhos são do fotógrafo Guilherme Barum. Guilherme está fazendo esta exposição 15 anos após sua última e tem como tema uma homenagem à obra OS RATOS do psiquiatra e escritor gaúcho Dyonélio Machado, falecido em 1985. A inauguração será as 20:30 horas, hoje, 13 de fevereiro. Estão todos convidados. A exposição ficará durante todo o mes de fevereiro.

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

CARNAVAL E CINEMA



Não vou falar do Orfeu no Carnaval. Vou falar da beleza que é um feriadão destes para colocar a leitura e os filmes em dia. Mas uma palhinha do Orfeu, já que eu falei. O Breno Mello era um jogador de futebol, acho que do Renner, quando apareceu um francês, o diretor de cinema Marcel Camus, que gostou do negrão e convidou-o para fazer um filme. O Breno além de pinta de ator, tinha a veia de ator. Saiu-se muito bem. Tive até a satisfação de te-lo no Paris Cinema e Café um dia procurando uma raridade dele mesmo, Negrinho do Pastoreio. Eu não tinha. O filme tinha saido em VHS e uma vez eu encontrei uma cópia em Florianópolis mas o dono não quis nem saber de me vender, ou pediu um preço muito alto, não lembro. Mas o Breno não fez muitos filmes, o último foi uma ponta naquele filme (Prisioneiro do Rio) que contava a história do Ronald Biggs, o famoso ladrão ingles que roubou um trem pagador na década de 60 e depois se refugiou no Rio de Janeiro. Talvez por causa do Biggs tudo que era bandido de filme americano da década de 70 e 80 dizia que ia fugir para o Rio. Pelo jeito devem ter fugido mesmo. Mas vamos voltar ao ócio carnavalesco. Tomei coragem e assisti uma série que eu vinha evitando - The West Wing. Pequena surpresa - a série é interessante. A história, apesar de ter Martin Sheen no papel do presidente democrata dos Estados Unidos, é mais sobre o staff do presidente. Tem sacadas ótimas. Gostei muito da explicação sobre a diferença entre democratas e republicanos que um dos assessores dá para sua secretária. Ela está reclamando do imposto de renda. Ele diz:"- Mas nós somos democratas. Nós temos que arrecadar tudo o que pudermos. Quem devolve impostos são os republicanos". Foi como uma epifania (está certo o uso?). De repente descobri que desde Sarney, passando pelo Collor, Fernando Henrique, até o Luiz Inácio, todos são democratas. Talvez estejamos precisando de um republicano. Outra, esta séria, é a entrevista de dois candidatos à Suprema Corte. A discussão é sobre privacidade e as diferenças de opinião são sutís. A Suprema Corte decide sobre pontos da Constituição Americana. Um dos juízes acha que determinados pontos referentes à privacidade, por não serem citados expressamente, não tem cobertura da Constituição e, portanto, não devem ser submetidos à Suprema Corte. O outro tem uma visão mais abrangente. O fato de não haver citação expressa não quer dizer que determinado ponto não esteja protegido pela Constituição. Assisti três discos, que corresponde à 12 capítulos, e até aqui está muito bom. Não vi tudo porque abri espaço para outros filmes e livros que vou comentar mais adiante. Aguardem. Até as próximas postagens.

Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

O HOMEM QUE DESAFIOU O DIABO


Já falei que não gosto muito do cinema brasileiro atual. É muita Petrobrás para o meu gosto. E filme de Nordeste então é de doer. Os caras pegam uma filmadora (ou duas) e saem filmando o que tiver pela frente, sem roteiro, sem ensaio, sem nada. E financiado pelo governo então não precisa nem ter público. E, de repente, conseguem passar uma daquelas leisinhas estúpidas que obrigam a gente a ver trinta por cento de filmes nacionais(?) para proteger a cultura(?)pátria e bla bla bla...
Mas tem as surpresas... e como são boas as surpresas. O HOMEM QUE DESAFIOU O DIABO é uma delas. O filme é baseado num livro de um escritor do Rio Grande do Norte, Nei Leandro de Castro, que publicou em 1986 As Pelejas de Ojuara. Pela criatividade que a gente vê no filme o livro deve ser muito interessante. Já marquei para quando encontrar em alguma livraria, ou sebo, levar para casa. O Homem que Desafiou o Diabo é um road movie. É um western também. Mas principalmente uma fantasia. Marcos Palmeira está ótimo como Zé Araújo, o mascate que cai no conto da filha do dono do armazém de Jardim dos Caiacós (referência eu acho a cidade de Nei Leandro, Caicó). Com uma arma nas costas acaba casando e virando escravo sexual da mulher e escravo na loja do sogro. Um dia, quando vira chacota na cidade, por um trabalho de barbeiro muito especial que ele fez, Zé Araújo tem um acesso de raiva que traz a grande virada do filme. Zé Araújo depois de bater na mulher e no sogro vai ao cartório e registra o falecimento de...Zé Araújo e ao mesmo tempo faz uma certidão de nascimento de um cabra muito bom, valente de doer, Ojuara. Ai começam as aventuras de Ojuara pelo sertão nordestido, com direito a enfrentamentos com o diabo, muita mulher bonita (uma vez Mandrake sempre Mandrake) e belas paisagens muito bem filmadas. Arrisquem. Vocês vão gostar. Até a próxima postagem.

Domingo, Janeiro 20, 2008

FERIAS CINEMATOGRAFICAS


Este fim de semana fomos, eu e minha mulher, até Pinto Bandeira. Eu fui fazer uma palestra sobre certificação de produção integrada de pêssego na FestFrutt. Muito importante para nosso Instituto porque Pinto Bandeira é o maior produtor de pêssego de mesa do Brasil. Aproveitamos para curtir a cidade que é muito interessante. O povo de Pinto Bandeira passa por uma pequena depressão, da qual eles estão se recuperando muito bem. Eles foram elevados a categoria de cidade e depois de dois anos, com oito milhões em caixa segundo uma senhora nos informou na feira, voltaram a condição de distrito de Bento Gonçalves. Ficamos numa pousada a 9 km da cidade. A pousada é numa cantina, a Fornasier. É o maior barato. Do quarto você tem a vista de uma bela cascata ao longe. Para quem está preparado para uma caminhada dá para ir até o pé da cascata. Eu e minha mulher preferimos ficar admirando-a de um mirante ao lado do hotel. O atendimento é daqueles que faz você se sentir em casa. Não provei os vinhos do Fornasier mas o espumante brut é ótimo. Tomamos uma garrafa inteira de noite e nos sentimos muito bem, na noite e no dia seguinte, hoje. Interessante que eles cobram no restaurante o mesmo preço que na cantina. Não tem aquele adicional, por vezes escandaloso, que os restaurantes costumam colocar sobre o preço do vinho ou do espumante. Outra coisa que gostamos muito foi de uma capela ao pé do hotel. É bem pequena, mas tem um mural, feito por algum artista local, que é impressionante. Não investiguei muito mas na próxima vez farei isto.
A minha palestra foi muito boa é claro e acredito que os produtores de pêssego de Pinto Bandeira ficaram pensando seriamente em passar a produzir o pêssego no sistema de produção integrada.
Até a próxima postagem.

Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

PIRATARIA NA ORLA


Nos filmes de piratas sempre tem um local, uma praia escondida, uma ilha, onde os direitistas ingleses não chegam e o conjunto da sociedade pirata pode se reunir sem maiores problemas. Os diretores destes filmes sempre aproveitavam estes locais para filmar os maiores bacanais, valia tudo, mulheres lindas e peladas dançando em cima de mesas, bucaneiros ferozes bebendo o rum jamaicano, uma briga aqui, outra ali e o pirata mocinho levando sempre um papo descontraido com a rainha dos piratas. Eu tenho certeza que a garotada da época, que tinha toda uma repressão católica, apostólica e romana para lidar, gostava mais dos bacanais na praia do que dos canhonaços e abordagens no meio do mar que eram os outros 50% do filme.
Estive em Cidreira hoje, quinta feira, e, para minha surpresa, encontrei uma destas praias escondidas da lei. Lá os piratas estão na rua principal vendendo DVDs com absoluta e total descontração. Puxei um papo com um deles. Estão esperando novos filmes que ainda nem sairam no cinema. Eu sei que o Comandante em Chefe da Brigada Militar deu uma entrevista dizendo que o brigadiano que encontrar um pirata e não fizer nada está praticando um crime (prevaricação?). Acho que esta ordem vale para Porto Alegre e algumas outras cidades mas certamente não vale para as praias dos Piratas, aquelas onde os ingleses não chegam. Só em DVD é claro.
Até a próxima postagem

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

MAZZAROPI


Eu nunca gostei do Mazzaropi. E na minha turma ninguém gostava. Aquele jeitão de caipira, o personagem sempre igual, não emplacava com nós. Já o Oscarito e Grande Otelo era outra coisa. Mas Mazzaropi fazia muito sucesso em outras bandas. Hoje eu diria que ele fazia uma espécie de anti-herói, ingenuo, um pouco covarde, que a gurizada que estava acostumada com o Randolph Scott (quem diria?), John Wayne, Burt Lancaster e outros não aceitava muito bem. Só para a turma intelectual tremer na base - eu diria que, muito antes de Paulo José e Grande Otelo, ele foi o nosso primeiro Macunaima. Mazzaropi fazia tudo no cinema. Ele produzia, fazia o roteiro, dirigia, interpretava, cantava, compunha as músicas. O roteiro ele ia fazendo de noite para usar no outro dia. Ninguém sabia o que ia acontecer, nem ele.
Mazzaropi era dono de um estúdio no interior de São Paulo. Ele produzia um filme por ano e lançava num teatro de São Paulo acho que no dia do aniversário da cidade. Havia um grupo de artistas cujo trabalho era fazer os filmes do Mazzaropi. Era como aqueles grupos de teatro familiar que percorriam o Rio Grande. Tinha o Teatro do Chimbica? - Ninguém lembra, não é? As peças que o Chimbica e os outros grupos apresentavam nas suas barracas de lona ou nos cinemas do interior iam do bíblico a comédia de costumes, passando pelo drama, musical e as vezes tudo junto. Lembro de uma chamada A ERVA MALDITA. Era um interiorano que ia para São Paulo, uma vigarista dava maconha para ele fumar e depois roubava todo o dinheiro do pobre coitado. SANSÃO E DALILA, esta requeria uma produção sensacional. Ao final o teatro quase vinha abaixo quando um gordo Sansão derrubava as colunas do "templo".
Voltando ao Mazzaropi. Agora comecei a ver alguns filmes dele que estão sendo lançados por uma produtora de DVD, a Cine Magia. Os primeiros foram dificeis mas depois fui achando cada vez melhor. Acho até que passei a entender o Mazzaropi e achar que, afinal de contas, ele não era tão ruim. Nós, garotos, eramos uns grandes injustos com ele.
Quase toda a coleção do Mazaropi, o que eles conseguiram recuperar é claro, foi lançada em DVD. Desde o seu primeiro filme, SAI DA FRENTE, onde ele fazia um chofer de taxi, passando por CANDINHO, seu terceiro filme e onde pela primeira vez ele apresenta um caipira, o personagem que ia ser sua marca, até os mais recentes como UMA PISTOLA PARA DJECA. Quem quer comprar consegue até por menos de R$ 10,00 cada DVD. Quem quer locar é só ir numa boa locadora, das que se preocupam em ter este tipo de filme e ver que o Brasil já foi puro.
Até a próxima postagem e um 2008 cheio de felicidades e com grandes filmes.

Terça-feira, Dezembro 25, 2007

CAIXA DOIS


Eu não vi o Caixa Dois no teatro. Sei que ficou anos em cartaz e deve ter reforçado bastante o caixa um (e talvez o caixa dois) do Juca de Oliveira. No teatro o Juca de Oliveira, como dono da peça, pegou para si o papel do presidente do Banco Federal e colocou o Fulvio Stefanini como gerente do banco demitido. Já no filme o Stefanini é promovido de gerente a presidente do banco. Eu já teria feito a inversão de papéis do Juca e do Stefanini no teatro e teria trocado o título para "Recursos Não Contabilizados".
O filme, mesmo sem ser algo especial, é bem interessante e atual. O Banco Federal (uma leve insinuação a Caixa Federal?) está lançando uma nova linha de crédito para os aposentados (nova alusão a Caixa?) e pelo perfil do presidente do banco, Luiz Fernando (Fulvio Stefaninini) já temos uma primeira leve crítica ao programa de financiamento aos aposentados com desconto direto na folha. Aliás as críticas são leves em todo o filme. A corrupção, que é o tema base, é tratada em tom de chanchada. Mas continuemos.. o presidente do banco recebeu uma importância de R$ 50 milhões que não pode, obviamente, ser contabilizada. Ele acerta com seu doleiro oficial a remessa para um banco de Zurich. O doleiro lhe dá um cheque no mesmo valor que deverá ser depositado na conta de um laranja. A operação não é bem explicada. Quem quiser saber como esta coisa funciona em detalhes é só perguntar para algum deputado conhecido ou dirigente partidário.
Ao mesmo tempo o Banco Federal está informatizando suas agências e isto resulta na demissão de 800 (ou 600?) funcionários. Um dos demitidos é Roberto (Daniel Dantas), gerente de uma pequena agência. Roberto é funcionário modelo. Veste a camisa do banco como se fosse a do Flamengo. Preocupado com redução de custos inventou um processo de reduzir o consumo de copinhos de plástico para o cafezinho que é seu cartão de apresentação. Até hoje comenta um encontro com Luiz Fernando num seminário da empresa, onde este, na mesa do café, lhe dirigiu a palavra: "- Me passa a manteiga". Apesar desta ficha impressionante, Roberto é um dos demitidos. Roberto é casado com uma professora estadual que dá a primeira, e única, lição de moral que vemos no filme. Procurada por um pai de aluno, na cara que é um traficante, que lhe oferece dinheiro para passar o filho de ano, recusa ou melhor faz a contraproposta: "-Vamos fazer isto na frente do seu filho e eu vou dizer que o pai dele acha ele tão burro, tão burro, que tem que pagar para ele passar de ano". O traficante vai embora. É fácil recusar propina. Just say no. Corte para a sala da diretoria do Banco Federal - Luiz Fernando, acerta com sua secretária gostosona, Angela (Giovanna Antonelli), para ela servir como laranja. Ela aceita, não só pelos R$ 700 mil prometidos, mas porque, no futuro, quando explodir a negociata, ela poderá ganhar mais uns trocados posando nua para a Playboy. Mas ninguem pode prever até onde vai a imbecilidade de um cara formado em Harvard (por favor, fique claro que não estou fazendo insinuações ao Prof. Mangabeira Unger). Romeiro (Cassio Gabus Mendes), o cara formado em Harvard, recebe a incumbência de depositar o cheque no banco em nome da Angela. Ele comete um erro muito simples, deposita na conta de outra Angela, ou melhor de Angelina, a professora lá de cima, mulher de Roberto, o gerente demitido. Está montada a farsa. Não vou adiante porque este não é um blog que conta o fim do filme. Nos extras do DVD existem entrevistas com os atores e o diretor do filme, Bruno Barreto. Na entrevista de Barreto uma pérola: "- A corrupção é dependente de circunstâncias e de principios". O pior é que ele dá a entender que dependendo das circunstâncias não existem principios. É o lema do filme. Todos tem seu preço mas alguns estão em liquidação. E o filme apresenta exatamente isto e patrocinado pela Petrobrás. Podemos dar certo em algum momento?
Até a próxima postagem.

Domingo, Dezembro 23, 2007

O VIGARISTA DO ANO - (THE HOAX)


Este filme tem um roteiro muito absurdo. Mas como é dirigido por Lasse Hallstöm, resolvi conferir. Um escritor de novelas, Clifford Irving (Richard Gere), após ter um livro recusado pela sua editora afirma que está produzindo o livro do século. Na verdade não está produzindo coisa nenhuma. Foi só uma tirada de efeito para impressionar os editores. Mas ao procurar um tema, assessorado por seu amigo Dick Suskind (Alfred Molina), eles lêem uma noticia sobre o excêntrico milionário, Howard Hughes, aquele do filme O Aviador. O raciocinio deles é simples. Howard não aparece mais em público, melhor, não se comunica com ninguém. Então se eles disserem que estão produzindo a bibliografia autorizada de Howard Hughes, os editores vão ficar loucos e existem boas chances que o golpe vá em frente sem que siquer chegue ao conhecimento do biografado antes de publicado. A partir dai eles forjam cartas escritas a mão, que eles dizem ser do próprio Howard que autoriza Clifford a representá-lo e a escrever sua biografia. Um perito contratado pela editora atesta a veracidade da letra do trilionário. Dick é um pesquisador notável e eles vão colhendo informações nas fontes mais variadas e improváveis. Num momento surge a informação que Nixon recebeu favores especiais, como presidente, para facilitar a vida de Howard. A velha corrupção pública. Clifford fica na dúvida se coloca a informação no livro. Mas é uma carta na manga sensacional. Para dar mais colorido a estória, ficamos sabendo que a invasão de Watergate pelos aliados de Nixon objetivava na realidade ver se partes do livro que falavam deste assunto estavam já em poder dos democratas. Tudo muito inverossimil... mas real. O filme retrata o grande golpe de Clifford Irving, que mereceu até capa da revista Life Magazine e ficamos imaginando como uma editora como a Mc-GrawHill pode embarcar numa canoa destas. Clifford em seu site (sim, ele tem um site - www.cliffordirving.com - ) diz que não gostou do filme mas as discordâncias dele são só quanto ao seu personagem. Clifford aparece no filme morando em uma pequena casa de subúrbio relativamente modesta. No site Clifford diz que ele morava numa mansão nas Bahamas. Detalhes...
Mas além disto o filme mostra aquela velha estória que quando contamos uma mentira vamos sendo obrigados a reforça-la com mentiras maiores ainda até o ponto de ruptura onde uma mentira contradiz a outra e o jogo acaba.
Quem sabe uma biografia autorizada do Renan Calheiros?
Até a próxima postagem

Sábado, Dezembro 22, 2007

FELIZ NATAL

O CINEMAN deseja aos leitores do blog e clientes do Paris Cinema e Café um Feliz Natal e com o perdão dos que acham que música tem pátria vai ai o Bing Crosby.

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

RAPIDINHAS



Em Busca do Tempo Perdido. Não é bem isto, mas este fim de semana separei algumas horas para ver alguns filmes novos e velhos que eu havia recebido. Lembram que passei os últimos dias envolvido com trilhões de coisas e não sobrou tempo nem para filmes nem para o blog. Vamos lá, comentários superrápidos. Para começar - O CHEIRO DO RALO - Muito bom. Minha mulher diz que eu sou preconceituoso com o cinema nacional. Não é bem assim. Quando surge alguma coisa boa eu destaco. Quando Meus Pais Sairam em Viagem de Negócios, Tropa de Elite e agora O Cheiro do Ralo. Claro que badalaram demais este filme e só isto já dá para ficar com o pé atras, mas não se assuste, veja o filme que é muito interessante. Diversas leituras. Muitas já foram feitas mas ainda tem outras para fazer. Outra hora eu faço isto. Para começar acho que o cara que escreveu a estória teve uma desilusão amorosa e transferiu para o papel. No papel ele inverte os papéis dos personagens da vida real e passa a ser ele que encerra o noivado. A partir dai ele renega qualquer possibilidade de envolvimento e transforma suas relações em matéria paga. A relação com o brique que ele administra é direta. Além de objetos ele compra sentimentos e não dá a minima bola para estes. E tem o cheiro do ralo, é claro. Nada mais do que transferência de responsabilidade - Não fui eu - Coisa que a gente anda vendo, ou sempre viu, na política. Mas vejam o filme.
ROGUE, O ASSASSINO. Excelente filme de ação com Jet Lee e Jason Stathan. Se você leu as criticas americanas do filme, esqueça. É a dificuldade deles reconhecerem que tanto Jet Lee, como Jason Stathan são mais convincentes que qualquer um dos últimos atores de ação que eles tem apresentado. Para uma sessão dupla leve junto o excelente Ultimato Bourne, o terceiro da série, com Matt Damon. Ultimato é do diretor de Supremacia Bourne, Paul Greengrass. Ação a enésima potência. A perseguição no subway é genial. E, desculpem, Matt Damon está ótimo no papel, como esteve igualmente nos outros dois Bourne.
Pegando mais leve - Assisti um Truffaut que saiu agora em DVD - O QUARTO VERDE - Nada contra os filmes franceses, e ainda mais de Truffaut que eu gosto. O Quarto Verde é muito chato. Assisti até o fim, mas não foi fácil. O personagem principal é interpretado pelo próprio Truffaut e tem uma relação doentia com a morte. O tal quarto verde é uma homenagem que ele presta a todos os seus mortos. Talvez eu estivesse cansado de tanto tiro. Num momento mais propício quem sabe eu teria gostado do Quarto Verde.
Imediatamente para rebater fui para a ESTALAGEM 2. Não vi o primeiro mas a garotada certamente vai gostar de Estalagem 2. Não recomendável para quem tem mais que vinte anos.
Para encerrar tive a péssima idéia de escolher FEED. Eta filme chocante. O tema central são as taras consentidas entre adultos. Nas cenas iniciais os policiais invadem uma casa onde estaria sendo praticado um crime. Um homem está comendo partes de outro - fritas.. e o outro consentiu. Problema para a lei. Não existe acusador. Depois o filme vai para a verdadeira estória, um tarado que engorda mulheres. Mas engorda mesmo.. 200 kg, 300 kg.- E elas consentem porque ele as alimenta por amor. O filme é revoltante mas tem um ótimo final. Ficamos com uma leve dúvida. Essas coisas realmente existem?
Até a próxima postagem
TRAILER DE CHEIRO DO RALO

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

FORA DO AR


Estas últimas semanas foram da mais intensa correria para o Cineman. E em outras atividades que não o cinema. Treinamentos no interior do estado, a primeira certificação de pêssego de produção integrada do Brasil, auditoria do Inmetro, enfim um sufoco. Tempo apenas para ler um excelente livro policial, CASO ESTRANHO, de Peter Robinson. Peter Robinson é um escritor notável que teve apenas, que eu saiba, mais dois livros publicados no Brasil, PERTO DE CASA e BRINCANDO COM FOGO. O personagem principal dos três livros é o inspetor Alan Banks que é um policial cheio de problemas existenciais. Como todo livro policial moderno que se preza ele vai muito além de uma simples estória de crimes e assassinatos. Recomendo a leitura dos três. Todos sairam pela Coleção Negra da Record, que é a melhor coleção de livros policiais no Brasil. Filmes só o DURO DE MATAR 4, com um Bruce Willys bem mais velho que nos anteriores e que é muito bom.
Até a próxima postagem.

Quinta-feira, Novembro 29, 2007

CARICATURAS


Pois você não pode perder a mostra PERSONALIDADES GAÚCHAS E CINEMATOGRÁFICAS. É um trabalho do caricaturista gaúcho Zégadis. Eu vi as caricaturas e elas são simplesmente sensacionais. Ai do lado tem uma pequena amostra.
A abertura será no dia 4 de dezembro, às 17 horas no Paris Cinema e Café, na Av. Venâncio Aires, 210, Porto Alegre/RS.
Depois o trabalho do Zégadis vai ficar em exposição até o dia 31 de janeiro de 2008.
Estamos esperando vocês.

Sexta-feira, Novembro 23, 2007

FILMES DE PIRATAS


Sempre gostei de filmes de piratas. Lá pelos anos cinquenta, os filmes de piratas disputavam lado a lado com os filmes de cowboy a preferência da garotada. Tinha até gibi de piratas, o Albatroz era um que eu lembro. O melhor filme de piratas da época foi o Capitão Blood, Errol Flynn com aquela interpretação caricatural, que hoje achamos completamente destrambelhada, era o maior barato. Mas tinham outros. Burt Lancaster fêz o ótimo PIRATA SANGRENTO (The Crimson Pirate) junto com o baixinho (1,60 m) Nick Cravat, que havia sido seu companheiro de circo em priscas eras. Cravat e Burt Lancaster fizeram nove filmes juntos. Até hoje muita gente pensa que Cravat era mudo. Acontece que ele carregava consigo um indisfarçável sotaque do Brooklyn que seria dificil de justificar em um pirata do século XVIII.
Hoje, infelizmente, os nossos filmes de piratas são outros.. e nada bons. Eu fiquei entusiasmado quando ouvi o Comandante da Brigada, há um mês atras, dizer que pirataria é crime e que o brigadiano que ver alguém vendendo fitas piratas e não fizer nada está compactuando com o crime. Em Porto Alegre, no mesmo dia, a repressão ao crime de pirataria foi fortissima. Os costumeiros protestos claro que vieram, com aquela velha desculpa "- Precisamos levar comida para casa". Deve ser a mesma desculpa que o assaltante de banco ou, só para lembrar um antigo Secretário de Segurança, o assaltante de farmácia, utiliza. Lembrei do Carvana - "- Vai trabalhar Vagabundo".
Minha alegria durou pouco. Em Livramento encontrei a pirataria correndo solta. Os primeiros que vi foram na avenida que divide Brasil e Uruguai, do lado do Uruguai. Pensei "- espertinhos, sabem que do lado do Brasil não vai ter moleza" . Inocência minha. Indo para o hotel, já do lado brasileiro, estava um piratinha com seu produto descaradamente a venda e... com um brigadiano a menos de 5 metros. Mas em Pelotas foi pior. Lá eles tem um camelódromo criado pela prefeitura. Pois no tal camelódromo metade das bancas vendem fitas piratas, e tem até televisão para apresentar a qualidade do produto. Ou seja, o poder público patrocinando o crime. Aliás, nenhuma novidade.
Até a próxima postagem.

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

Dr FANTÁSTICO (Dr. STRANGELOVE OR: HOW I LEARNED TO STOP WORRYING AND LOVE THE BOMB


Stanley Kubrick nos brindou com algumas horas maravilhosas de bom cinema. Ele escolhia um genero e produzia uma obra prima. Foi assim com 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO. Baseado num pequeno conto de outro gênio, Arthur C. Clark, ele produziu um filme que é um verdadeiro marco na ficção científica. A cena do osso jogado por um primata que, numa elipse de milhões de anos, dissolve para uma espaçonave, é absolutamente genial. Ferramenta para ferramenta mostrando a evolução do homem. No terror ele produziu outro clássico absoluto - O ILUMINADO onde, com a colaboração magnifica de Jack Nicholson, nos brindou com um dos mais assustadores filmes já feitos. Mas foi na comédia satírica ele produziu talvez a sua maior obra, o incrivel Dr. STRANGELOVE. O ano era 1964 e a Guerra Fria estava no seu auge. Um general americano, com o sugestivo nome de Jack D. Ripper (Sterling Hayden de Johny Guitar) entra em pânico imaginando uma conspiração comunista que está fluoretando a água dos Estados Unidos e poluindo os fluidos corporais (our precious body fluids). Na realidade Jack D. Ripper está tendo problemas de natureza sexual e responsabilizando a suposta conspiração vermelha. Mas ele é o comandante de um esquadrão de bombardeiros e resolve retalhar mandando soltar uma bomba atômica na Rússia. Quando o presidente dos Estados Unidos, Merkin Muffley (Peter Sellers em um dos três papéis que desempenha no filme), é avisado pelo adido inglês, Capitão Lionel Mandrake (de novo Peter Sellers), da loucura cometida por Jack D. Ripper, reune o seu conselho de guerra para encontrar uma solução. O esquadrão de bombardeiros por ordem de Ripper não aceita mais nenhum comando para suspender a missão. Podem ser russos se passando pelo presidente americano. Para esta reunião é chamado o Dr. Strangelove (novamente Peter Sellers), cientista alemão, com uma incrivel prótese num dos braços a qual insiste em fazer saudações nazistas. Strangelove aumenta o pânico ao informar que os Russos tem condições de retalhar com outra bomba poderosissima. Mas, segundo ele, em aproximadamente 70 anos os sobreviventes poderão abandonar as cavernas e retornar a superficie do mundo, o que ele considera trazer uma certa tranquilidade. O esquadrão de bombardeiros é comandado pelo Major T.J. "King" Kong (Slim Pickens), um texano inseparável de seu chapéu Stetson. Este papel era para ser também de Peter Sellers que não se julgou capaz de imitar o sotaque texano. Bom para o filme, porque apesar da capacidade de Peter Sellers acredito que Slim Pickens seria insuperável no papel.

Pois não posso deixar de me lembrar deste filme lendo as noticias da escalada militar de nosso vizinho Chavez. Os paises na sua volta estão preocupados, e com razão. Mas os nossos militares também já começaram a se preocupar. Em guerra, tamanho não é documento. Mas como justificar uma corrida armamentista? Pois não é que as reservas de petróleo de Tupi, recém descobertas (ou não) trouxeram a saida? Nosso Ministro de Defesa, Nelson Jobim, já propôs a aquisição de um submarino nuclear para proteger o petróleo brasileiro da sanha internacional. E Jobim vai mais longe, o submarino leva a necessidade de autonomia na produção de energia nuclear, fechando o ciclo de enriquecimento de urânio. O general José Benedito Barros Moreira, no pomposo cargo de secretário de Política, Estratégia e Relações Internacionais do Ministério da Defesa, aproveitou a carona e já manifestou a necessidade do Brasil desenvolver tecnologia para produzir a sua bomba atômica pois somos alvos da "cobiça internacional" por ter água, alimentos e energia. Disse o general "- Por isso, temos de colocar um cadeado forte na nossa tranca".
Voltando ao Dr Strangelove - tem uma cena, a cena final, que é engraçadissima. O mecanismo de lançamento da bomba atômica apresenta um defeito mecânico e o Major T.J. é obrigado a soltá-la manualmente. Resulta que ele acaba caindo junto com a bomba, cavalgando-a no estilo rodeio, segurando-se com uma mão enquanto com a outra agita o seu Stetson. Fico aqui imaginando o Ministro Jobim, que tem se notabilizado pelas suas apresentações a la Color, com fardamentos camuflados, segurando jibóias e outras atrocidades, cavalgando a nossa bomba atômica lançada sobre Caracas.
Até a próxima postagem

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

GOSTOS & GOSTOS


Numa pesquisa feita nos Estados Unidos pelo Norman Lear Center e pela Zogby International eles concluiram que o gosto por cinema, artes e TV está igualmente polarizado e fortemente correlacionado com a posição política. Os pesquisadores fizeram primeiro uma série de questões procurando classificar o entrevistado em uma das três posições políticas definidas por eles: liberais, conservadores e moderados. Aqui se fossemos fazer pesquisa semelhante iriamos procurar pelos esquerdistas, direitistas e centristas, embora estas definições andem meio atrapalhadas ultimamente. Alguns parecem achar que é uma questão que tem mais a ver com a idade do que com qualquer outra coisa. Mas voltemos a pesquisa - Com uma margem de êrro muito pequena eles classificaram a população americana como sendo composta por 37% de conservadores, 39% de liberais e 24% de moderados. No mesmo questionário eles apresentaram questões sobre os gostos destas pessoas nos mais variados itens, cinema, TV, livros, esportes, video-games e so on. Os filmes de aventura e ação são a preferência dos conservadores que detestam os filmes de arte. Já os liberais tem uma grande preferência exatamente pelos filmes de arte, documentários e dramas. As diferenças são enormes. Por exemplo, 48% dos liberais apreciam filmes de arte contra apenas 17% dos conservadores. Já programas tipo Big Brother os liberais simplesmente não assistem.
Na música descobriram coisas muito interessantes, também. O gosto dos liberais é muito abrangente. Gostam de quase todos os generos musicais. Já os conservadores gostam apenas de gospel e country. Destestam música latina que é apreciada pelos liberais. Quanto ao cinemão - Os conservadores simplesmente não vão ao cinema enquanto os liberais são frequentadores assíduos. Nas populares séries de TV uma surpresa - uma das séries que eu mais gosto, House, é apreciada tanto pelos conservadores como pelos liberais. Enfim um ponto de contato.
Era isto. Até a próxima postagem
Se você quer conhecer as questões apresentadas na pesquisa e sua tabulação, clique aqui.

Domingo, Novembro 11, 2007

O BANDIDO DA VILA AREIA


É um filme que ainda não foi feito mas tem todos os ingredientes para ser muito interessante.
Procurei alguma coisa similar nos filmes que vi mas não encontrei nada. A nossa realidade é muito mais criativa que os roteiristas americanos. Basta pegar uma filmadora e tomar algumas cenas do Nordeste e temos um filme concorrendo ao Oscar - Central do Brasil. Filmar um caminhoneiro passeando pelo mesmo Nordeste e temos outro - Cinema, Aspirinas e Urubus. E agora na vila Areia, em Porto Alegre, aconteceu um fato que merece filmagem direta. Resumindo a história para quem não é daqui: Perfil do personagem - Homem de 26 anos, assassinou três pessoas há algum tempo atras. Foi condenado a 18 anos, cumpriu 3 e foi colocado em liberdade vigiada (?), fugiu e matou outro. Foi preso e condenado novamente a não sei quanto tempo. Um ano depois foi colocado no semi-aberto. Fugiu novamente. Neste momento, antes do confronto com a policia, que é o centro da história, ele está morando num barraco que ele invadiu (como? de quem era?) junto com sua companheira. Com seu fuzil mantem ordem na vila. Não deixa roubarem as galinhas uns dos outros, os botijões de gás etc...é uma espécie de xerife. E para se manter, é claro, negocia com drogas. Como precisa de auxiliares alguns moradores da vila Areia prestam pequenos serviços remunerados. É um perfil bem ruinzinho que só perde para o perfil de uma justiça que deixa um assassino em liberdade após 3 anos de pena, e que depois que ele sai e mata outro, libera após um ano. Convenhamos em termos de perfil, muito pior.
A policia se aproxima do barraco. Estão em busca de drogas e armas. Mas o herói da vila Areia não está desprevenido. Ele tem um sistema de câmeras de vigilância que lhe permite saber que os "homis" estão chegando. Com seu fuzil ele acerta um dos agentes na cabeça, matando-o imediatamente. Fere com gravidade um outro. E aí vem a negociação. Ele não vai se entregar assim no mais. A primeira noticia que eu ouvi é que havia refens. Que refens? era a companheira e uma amiga. E a policia negociou, e negociou, só faltou ele pedir um helicóptero para fugir. Veio a imprensa, e ai o herói se entregou. Aplausos da população. Para a policia, que conduziu uma ação sem violência apesar da revolta de ter perdido um homem honesto no confronto? Não. Para o herói da vila Areia. Acho que apesar da ZH dizer que a população da vila Areia aplaudiu o bandido eu não quero acreditar nisto. A maioria deve ser honesta e não vai aplaudir assassino e traficante. Mas meia dúzia dos beneficiários do herói devem ter se manifestado. Vão perder a boquinha.
Mas ai vem os colunistas e começam a surgir as velhas teses da falência do estado e que o povo tem que se apoiar em alguém, nem que este algúem seja um criminoso. Por favor, vamos parar com isto. Apesar de eu não ser um simpatizante do Lula não posso negar que muita coisa está sendo feita para os menos favorecidos. Acho que é uma ação não muito diferente da do traficante, pois não passa de assistencialismo puro, mas é isto o que o povo quer. E enquanto não tivermos um povo educado (já se sabe que pela ação dos políticios, jamais) sem mudanças no front ocidental. Está ai o salário familia para não me deixar mentir. Então apoiar bandido é crime. E como crime tem que ser tratado.
E ainda tenho que aguentar a crônica do Paulo Santana de sábado, transcrevendo uma enorme carta de um advogado, numa linguagem rebuscada e técnica, dizer em sintese que o povo tinha razão em aplaudir o bandido/herói. Para usar um termo do meu avô. Durma-se com um barulho destes.
Até a próxima postagem.
Do filme Scarface, baseado em All Capone que se gabava de ser um benfeitor do povo americano

Sábado, Novembro 10, 2007

PÊSSEGOS E O QUATRILHO


O Cineman esteve esta semana envolvido com outras atividades que pouco tem a ver com cinema mas em uma cidade que se orgulha muito de ter sido palco de um belo filme nacional - O QUATRILHO. Pois passei dois dias em Antonio Prado, convivendo com aquele pessoal que sabe receber os visitantes como ninguém. No hotel Piemonte, simples mas gostoso, as paredes são cobertas com fotos das filmagens. O carinho com que eles se referem aos artistas do filme, em especial a José Lewgoy, é emocionante. Antonio Prado foi uma das poucas cidades que não aderiu a modernidade e suas casas de madeira ainda formam o cenário do centro da cidade. Por isto foi escolhida para o filme. A única coisa que os cenaristas precisaram fazer foi derramar algumas toneladas de areia nas ruas para cobrir o calçamento de pedras. E o pêssego? Bem, estive fazendo as auditorias iniciais em um pequeno grupo de 6 produtores rurais, associados da Cooperativa Agropecuária Pradense Ltda, que desejam certificar sua produção de pêssego. São pequenos agricultores, com propriedades de 12 a 30 hectares, com pomares de pêssego de 1 hectare, cada um, e que vão ser os primeiros produtores de pêssego do Brasil a terem sua produção certificada. A certificação é de uma forma de produção que vocês daqui a pouco vão ver nos supermercados - Produção Integrada de Frutas. Na Produção Integrada de Frutas - PIF, o que se procura é um produto com o menor uso possível de agrotóxicos, com proteção ao meio ambiente e ao trabalhador rural. É uma forma de produção reconhecida em todo o mundo e que agora dá os primeiros passos no Brasil. Vou agora rever o Quatrilho para ver se identifico alguns dos amigos que conheci em Antonio Prado.
Até a próxima postagem.

Foto de um pessegueiro de autoria do Cineman

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

A SETE PALMOS


Assisti na semana passado a última temporada de A SETE PALMOS. Uma porrada. A série, para quem não conhece, lida com a morte. Os personagens principais são donos de uma funerária e vamos, capítulo a capítulo, sendo apresentados a todos os rituais post mortem dos Estados Unidos. Embalsamento, cultos de diversas religiões, enterros ecológicos. Mas isto é apenas um cenário para se abordar diversos outros temas como homosexualismo, solidão, drogas, velhice. E a abordagem é muito seca e clara, sem panos quentes. Mas se a série já era tudo isto este último ano é de arrepiar. Não tem como não ficar um bom tempo depois pensando sobre o que se viu. Quem já viu as outras temporadas certamente não vai deixar de ver este final, quem não conhece os Fischer eu recomendo, é claro, começar pela primeira.

Quinta-feira, Novembro 01, 2007

COCA COLA

Resolvido o meu problema com a água. E agora, como diz o Lula, nada melhor que uma Coca-Cola.

Terça-feira, Outubro 30, 2007

O DMAE E IKIRU


Eu estou hoje sem água na minha casa. Uma situação kafkiana que eu estou enfrentando com o DMAE. Acredito que o funcionalismo desta autarquia esteja seriamente empenhado em impedir a reeleição do Fogaça. Em resumo: Havia um débito antigo que foi parcelado e paga a primeira parcela. Dois dias depois do pagamento a água foi cortada. E agora para ligar cada setor dá uma solução diferente. O Departamento Comercial diz que só em 5 dias poderá religar, mas que eles não tem absoluto controle sobre isto, porque é terceirizado. O terceirizado diz que eu tenho que abrir um buraco na parede senão ele não faz a religação. O setor que parcelou diz que não se lembra de nada. No sistema de computador aparece o pagamento e não aparece o corte. Depois aparece o corte e não aparece o pagamento. Uma coisa louca. E tem gente que é contra a privatização.
Me lembrei dum excelente filme de Kurosawa que revi há alguns dias - IKIRU (VIVER). O filme é sobre um funcionário público, Kanji Watanabe (Takashi Shimura), chefe de um departamento da prefeitura de Tokyo. É um burocrata puro. Passa o dia inteiro carimbando processos que vão e voltam sem nenhuma tomada de decisão, pilhas de processos à direita e à esquerda. Um grupo de mulheres aparece na repartição (repartição é ótimo) tentando obter autorização para construir uma praça pública na comunidade. Ai é um barato. Parece que elas estão no Brasil, ou no DMAE de Porto Alegre. Em cada local que chegam pedem um documento que é fornecido por outro departamento, um carimbo indispensável de outro e assim por diante. É um sobe e desce escada interminável. Ninguem resolve nada. Todo mundo passa adiante. Mas Watanabe, o nosso funcionário do inicio da história tem um mal estar e vai ao médico. No médico ele descobre que tem cancer e poucos meses de vida. Ai vem o filme. Watanabe resolve mudar completamente de vida. Ou melhor passar a viver. E neste passar a viver está o importar-se com os outros. Watanabe resolve pegar o assunto da praça e baipassar todos os obstáculos que a burocracia municipal coloca pelo caminho. A tenacidade e engenhosidade dele produzem uma revolução na repartição. Claro que não vou contar o fim, embora previsível. Vou terminar porque parece que alguém do DMAE está tocando a campainha. Será que vão resolver o meu problema, ou vão querer um carimbo do Fogaça?

Até a próxima postagem..
Observação importante - O filme é de 1952.

Domingo, Outubro 28, 2007

TREINAMENTOS COM FILMES

Estive toda esta semana envolvido naquele treinamento em auditoria que eu já falei aqui. Como eu já havia programado usei dois filmes como auxiliares do treinamento, A Grande Sedução e Almas em Chamas. Este foi o motivo também porque o blog ficou tão paradinho. Já comentei os dois filmes aqui e só tenho para acrescentar que funcionou muito bem. Almas em Chamas para discutir liderança e A Grande Sedução para mostrar que o auditor nem sempre encontra auditados dispostos a abrir totalmente a verdade. E cabe ao auditor ter formas de encontrar seus caminhos no meio dos desvios que lhe são colocados pela frente. Estou pensando em organizar alguns encontros no Paris Cinema e Café exatamente para discutir este assunto com as pessoas interessadas. Eu vejo que cada vez mais as pessoas estão locando filmes para usar em aulas ou treinamentos. Vamos colocar todo este pessoal junto e trocar informações.
Até a próxima postagem.

Sábado, Outubro 13, 2007

TROPA DE ELITE


Pensei diversas vezes sobre se comentava ou não o Tropa de Elite. A Veja oposicionista dedicou a capa e cinco ou seis páginas ao filme, a Carta Capital governista dedicou a capa e matéria interna, o Diogo Mainardi comentou, o Reinaldo Azevedo comentou, um cara da Carta Maior comentou em nome do Emir Sader e até o Olavo de Carvalho saiu de sua pose de ultra direita filosófica para comentar o filme. Por sinal, por incrivel que possa parecer, o comentário do Olavo de Carvalho é o melhor. Então resta pouca coisa a dizer a não ser que o Cineman recebeu a informação de cocheira que Jack Bauer está insistindo junto ao CTI para contratarem o Capitão Nascimento para o seu lugar devido aos problemas que ele vem enfrentando com o outro Jack, o Daniels.
Quem viu, e foi muita gente, gostou. A esquerda folclórica e o BOPE não gostaram. Então parece que o filme não tem lado. Ele mostra bandido como bandido, policia corrupto como policia corrupto, policia violento e torturador como policia violento e torturador. O diferente foi talvez fazer um filme que mostra um pouco mais a realidade sem tentar apenas vitimizar o bandido. Agora, na mensagem tem o emissor e o receptor, e tem o ambiente, o contexto. Quem visse este filme lá pelos anos 60 e 70 (é só uma hipótese porque o filme certamente seria censurado) ficaria absolutamente revoltado com a barbárie das cenas de tortura que são ali apresentadas claramente. Hoje, com a revolta de todos contra esta bandidagem que anda por ai, o saquinho de plástico na cabeça do bandido passa a ser encarado como equipamento aceitável na luta contra a criminalidade. Barbárie pura. Mas a raiva com a incapacidade do governo, e nossa, de resolver este problema é tanta que um absurdo destes é aplaudido no cinema. Outra coisa que o filme saiu fora do politicamente correto foi mostrar que existem ONGs que não são tão boazinhas assim. Coisa, aliás, que todo mundo já sabe. Para estar no morro e auxiliar o pessoal que realmente precisa, precisam conviver com o traficante, e dai é um passo para aceitar e defender o traficante e talvez algo mais. É a mesma história que a policia comum. Como esta policia tem um contato direto com os traficantes é um passo para a corrupção. As armas e drogas chegam no morro, as vezes, pela mão da policia. Isto é mostrado em Tropa de Elite e é mostrado também num documentário sensacional, sobre o mesmo tema, que vocês não podem deixar de ver, Favela Rising. Aquele documentário americano feito em Vigário Geral que fala sobre o movimento Afro Reggae. Eu falei antes que o filme era isento. Tem uma coisa em que ele assume claramente uma posição - na responsabilização do consumidor de drogas. E leia-se ai ricos e classe média-alta. Mas voltemos a corrupção (no Brasil a gente sempre volta a corrupção). Agora estão pretendendo criar no pais uma espécie de policia comunitária. É o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. Estes policiais não vão portar armas e vão andar de bicicleta. Na Cidade Baixa este tipo de policiamente é bem vindo mas nas bocas de fumo e de crack? Só muita ingenuidade para acreditar que estes caras não vão ser presa fácil e não estou falando literalmente. A qualidade maior do BOPE é não ser corrupto e esta qualidade existe justamente pelo distanciamento dos traficantes. O BOPE é chamado só para o Search and Destroy.
Uma última coisa, e esta para os nossos cineastas. Escutem o público. Se querem fazer filmes sem depender da grana da viúva escutem o recado que o público está mandando. O mundo mudou, o Brasil mudou.

Terça-feira, Outubro 09, 2007

O CAPITÓLIO

O Capitólio era um dos melhores cinemas de Pelotas. Era o cinema da paquera. Nos outros a gente ia ver os faroeste, os seriados, mas no Capitólio a gente ia essencialmente paquerar. Independia do filme, na sessão das oito de domingo todo mundo estava lá. Quando tinha Oscarito e Grande Otelo a fila fazia a volta da quadra. No Natal, eu já falei aqui, o Capitólio dava brindes para os seus frequentadores. O permanente era um passe para ir todo o ano ao cinema de graça. Nunca ganhei. Mas eu tinha os meus meios. Um filme que passava sempre, não sei porque, era "E o Vento Levou". O Capitólio que resistiu até agora, fechou. Era O Último dos Moicanos para lembrar um filme que passou lá. Pelotas ficou um pouco menor.

Domingo, Outubro 07, 2007

DA PIRATARIA

Sempre existem diversas formas de examinar uma situação. A verdade nunca é tão definitiva como pode parecer ou como pretendem fazer parecer. Vamos examinar um conhecido vilão: A pirataria. Direitos autorais são violados, impostos deixam de ser arrecadados etc.. Mas podemos examinar de um outro ângulo. Agora, por exemplo, tem um filme nacional que bateu o recorde na pirataria. Calculam em um milhão de cópias piratas vendidas. É, de longe, o filme mais pirateado no Brasil - Tropa de Elite, baseado no livro A Elite da Tropa. Pois, apesar disto ou por causa disto, vai ser a maior bilheteria do cinema nacional nos últimos tempos. A pirataria divulgou o filme. Chamou extraordinariamente a atenção para o filme. Todo mundo que tem dinheiro para pagar os cinemas de shopping vai ver no cinema e a periferia já viu ou vai ver no DVD pirata e se não bobearem e lançarem logo em DVD legal, o pessoal que tem grana vai ver no DVD legal. Claro que a gurizada com computador já baixou da internet, mas esta não iria ao mesmo ao cinema ver este tipo de filme. Já que o filme foi lançado só no Rio eu fui obrigado a baixar da internet. Se o Ministro da Justiça e o da Cultura podem... Só pela ótima qualidade do filme que está na internet dá para ver que a cópia veio de dentro. Já pegaram os caras, era a turma que estava legendando para o inglês. Mas os produtores acabaram tendo uma divulgação incrivel para o filme que só trouxe vantagens. Anotem. Digo de novo: vai ser a maior bilheteria do cinema nacional. E se quiserem finalmente ganhar o Oscar de filme estrangeiro está ai o filme.
O filme é muito bom, atual e polêmico mas o comentário fica para outra vez.
Até a próxima postagem

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

FILMES, TREINAMENTO E FUTEBOL


Não resisti em fazer mais este comentário sobre filmes e treinamento, incluindo agora o futebol.
Um dos melhores filmes que conheço para treinamentos sobre liderança e que eu já postei aqui, em detalhes, é o Almas em Chamas, de Henry King, com Gregory Peck no papel principal. Se vocês lembram, a história é sobre um esquadrão de bombardeiros que está passando por uma tremenda fase de azar. O comandante do grupo, adorado e admirado por seus comandados, atribui os inúmeros insucessos ao excesso de missões. Os homens estão trabalhando acima da capacidade de um ser humano. Ele não deixa de ter razão. Acontece que o comandante em chefe não concorda com este modelo e numa brevissima reunião o destitui sumariamente do comando colocando em seu lugar o Coronel Davemport (Gregory Peck). Davemport, de chegada, já impôe tremenda linha dura. Não existe mais o irmão mais velho, o chefe que assume os êrros dos subordinados, existe apenas o chefe, e um chefe muito duro que só pensa na tarefa. Relacionamento zero. Como já disse, vou utilizar este filme no treinamento que falei na postagem anterior mas pretendia relacionar com alguma situação mais atual. Quando procurava um caso interessante me ocorreu imediatamente o do meu time, o Internacional. No começo do ano, começou o campeonato gaúcho e o time titular foi para a serra, convalescer do campeonato mundial. Os meninos estavam muito cansados, disse a diretoria. Voltaram e foi um desastre. A mensagem da diretoria era clara. Não nos interessa este campeonato. É preferível poupar nossos craques. Agora, no campeonato que teoricamente interessava, o Nacional, o que se vê é um time muito próximo da zona de desclassificação, com um plantel de primeira, pago com ótimos salários e que quando perde, o técnico assume a culpa, a diretoria diz que a culpa foi do juiz, os jogadores dizem que foi azar e todo mundo fica acreditando nisto e se preparando para a próxima derrota. É Almas em Chamas puro. Nenhuma diferença. Acho que vou conseguir transmitir a mensagem sobre liderança com muita clareza. E a propósito, quem sabe não está mesmo faltando um Coronel Davemport no Beira-Rio?

Sábado, Setembro 29, 2007

FILMES E TREINAMENTO

Já postei diversas vezes falando sobre o uso de filmes em treinamentos. Pois não é que fui convidado para prestar um treinamento na área de auditoria. Vai ficar muito feio se eu não utilizar alguns filmes e, portanto, não seguir minhas próprias dicas. "Façam o que eu digo mas não façam o que eu faço", fica bem para politicos mas não para o Cineman. Vou usar o Almas em Chamas, do qual já falei aqui, para o pessoal debater e discutir as diversas formas de liderança e criar algumas situações imaginárias sobre a liderança na auditoria e na condução de uma equipe de auditores. É perfeito. A situação de crise, de stress, tão bem apresentada em Almas em Chamas não é incomum de ocorrer durante uma auditoria. Um outro filme que caiu como uma luva e que eu ainda não falei aqui é o excelente "A Grande Sedução" de Jean-François Pouliot. Eu vou utilizar o filme para demonstrar que o auditor tem que estar sempre atento pois, as vezes, os auditados estão dispostos a enganá-lo. A Grande Sedução expressa isto de uma forma maravilhosa. Na pequena ilha de St Marie- la- Mauderne, na costa do french Canadá, moram aproximadamente 150 pessoas. Todos sem emprego, recebendo mensalmente seus cheques desemprego, mas, diferentemente de outros lugares, muito deprimidos com isto. De repente surge a oportunidade de vir uma nova indústria para St Marie, todos voltarão a ter empregos. Mas existe um senão. A seguradora da indústria exige que haja um médico no vilarejo. Claro que não tem médico nenhum. Eles então, liderados por Germain Lesage (Raymond Bouchard), iniciam um processo de procura de uma vitima (o médico) e elaboram as mais sofisticas armadilhas para enganar, melhor, para seduzir quem quer que eles consigam "pescar" - St Marie é um local de pescadores. Quando descobrem que o médico que se dispôs a vir, o dr Christopher Lewis, adora criquete eles mergulham na internet para descobrir as regras do jogo, o uniforme, o campo e todas as outras informações inúteis que a gente encontra na internet. Quando o dr Christopher está chegando de barco, acompanhado de Germain, é presenteado com aquela visão maravilhosa de um bando de machos, uniformizados de branco (na verdade são ceroulas e camisetas de dormir), disputando um jogo de criquete. Ele pede para Germain levá-lo até lá. É a primeira cena de suspense do filme. Quando ele chegar no local e ver que ninguem sabe nem o que fazer com a bola estará desfeita a sedução. Quando ele se aproxima um dos jogadores tem a idéia salvadora. Sai pulando e comemorando. O jogo terminou. "-Terminou o campeonato deste ano" aproveita Germain para dizer e se garantir para o futuro. Christopher tem um leve insight do logro quando comenta. "-Engraçado, os dois times estão comemorando". Ele não era um bom auditor. Teve a pista e não foi adiante. O comentário é curto porque estou num sufoco para preparar o material do curso. É uma pena que vocês não vão poder assisti-lo, o curso, mas vejam o filme que vocês vão gostar demais.
Até a próxima postagem.

Terça-feira, Setembro 18, 2007

CANDIDATO ALOPRADO (The Man of the Year)




Este fim de semana assisti quatro filmes. Quero comentar dois, até porque os dois tratavam de assunto semelhante e um assunto muito atual. Politica e politicos. O Canditado Aloprado, um péssimo nome, dirigido por Barry Levinson, é teoricamente uma comédia com Robin Williams. Só teoricamente. No final do filme tem uma frase que vale o filme todo." - Políticos são como fraldas, devem ser trocados constantemente... e pelos mesmos motivos". Lembram do Color de Mello? O Sr Calheiros não foi trocado desde aquela época. O filme é sobre um comediante, Tom Dobbs (Robin Williams), que resolve se candidatar a presidente dos Estados Unidos. Com um discurso agressivo, respondendo com clareza as perguntas, apresentando propostas muito claras, ele é exatamente o contrário dos dois candidatos principais, aqueles de sempre, do Partido Republicano e do Partido Democrata. Claro que mesmo assim ele não pode ganhar. Mas a eleição vai inaugurar um sistema de votação eletrônico. E o programa tem um grande bug. Programas americanos as vêzes tem isto, vejam a Microsoft. Antes que pensem que eu estou querendo fazer ilações com o Brasil quero declarar que nosso sistema é absolutamente seguro e nenhum roteirista nacional se atreveria a fazer um filme com uma bobagem destas. Voltemos ao filme. O dono da empresa, Stewart (Jeff Goldblum), quando avisado do bug por uma dedicada funcionária, não faz absolutamente nada. As ações da empresa estão subindo por conta do programa eleitoral. Se o caso vier a tona vem tudo abaixo. As piadas são ótimas e atuais, e melhor, totalmente aplicáveis ao mercado local. Uma entrevista de Dobbs no Saturday Night Live, com Tina Fey e Amy Poehler, é impagável, digna do Saturday Night Live. Acho que vocês não devem perder. O outro filme é menos conhecido, dirigido por Roger Spottiswoode, se chama Plano B (Spinning Boris). O assunto é a campanha para a reeleição de Boris Yeltsin na Russia. Os personagens principais são um trio de marqueteiros políticos americanos contratados para deslanchar a campanha de Yeltsin. Dinamite pura. Parece que estamos assistindo Duda Mendonça e companhia em ação. Eles tem sérios problemas para convencerem Yeltsin a participar pessoalmente de programas de televisão. "- Ele não é um sabonete", diz Tatiana (Svetlana Efremova), filha de Yeltsin, encarregada pelo pai de manter os contatos com os marqueteiros americanos que, obviamente, não podem aparecer em público, estão fechados num hotel de luxo. Se os russos souberem que os imperialistas americanos estão orientando a campanha de Boris, como dizemos aqui, deu pra ele. Tem sacadas ótimas. Com todo cuidado George Gorton (de novo Jeff Goldblum) o marqueteiro chefe, orienta Tatiana. "-Ele tem que aparecer sóbrio na TV". Um branco geral. Gorton tenta se justificar: "-Nas pesquisas apareceu que o povo não gosta que ele beba". O silêncio continua. Então Tatiana, com a cara muita séria diz: "- Então a gravação vai ter que ser pela manhã". Em outra cena eles explicam a necessidade de pesquisas. "- Ele não tem que falar o que está pensando, nós temos que descobrir o que o povo quer e é isto o que ele tem que dizer". Maravilhoso, não? Acho que vocês devem assistir a este filme também.
Era isto, até a próxima postagem.
TRAILER DE CANDIDATO ALOPRADO (Notem que a frase das fraldas aparece no inicio do trailer)

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Quinta-feira, Setembro 13, 2007

1,99 - UM SUPERMERCADO QUE, REALMENTE, VENDE PALAVRAS


Pensei um pouco mais sobre o filme do Marsagão e conclui que ele trabalhou apenas com uma das facetas do assunto. O filme lida com o logo de produto esquecendo que existem outros tipos de logos, alguns talvez até mais perniciosos. Entre estes temos os logos das ideologias. E eles são vendidos com as mesmas ferramentas e com tanta intensidade, que transformam-se em verdades que nós compramos sem pensar muito a respeito. De brincadeirinha comecei a montar um pequeno roteiro, sobre um outro supermercado onde também se vendessem caixas vazias, e neste caso realmente vazias, mas marcadas com os mais variados logos ideológicos. O material é farto. E tem para todos os gostos. A turma da esquerda vai encontrar uma bela quantidade de logos para as caixas de um supermercado de direita. Lembro de um criado pelo czar da economia da revolução de 64, hoje apoiador do governo Lula. "-Precisamos fazer crescer o bolo para depois dividi-lo". Outro de um ex-presidente, hoje também apoiador do governo Lula -"- Tudo pelo Social". Mas sem dúvida, até por serem mais criativos e virem praticando isto desde os tempos de Lenin, a maior quantidade de logos ideológicos nós encontramos na esquerda. Ou seja teremos um filme de curta metragem para os logos de direita e um longa metragem para os logos de esquerda. Houve um curto período em que este balanço se alterou com a Alemanha nazista mas em seguida tudo voltou ao normal. Os logos ideológicos são extremamente mais perigosos. O logo da Vuiton leva alguem de posses a comprar uma bolsa bonita sem prejudicar ninguem, pelo contrário, na outra ponta existe um trabalhador que ganhou seu salário (aviltado ou não) produzindo aquela bolsa. A madame que compra a bolsa da Vuiton, pelo que eu sei, não procura obrigar ninguem a comprar a mesma bolsa. Como ela dispõe do vil metal compra mais outras bolsas e, indiretamente, cria mais postos de trabalho. Já o radical religioso, ideológico, ecológico, meteorológico, quer que os outros adotem os seus logos. Ele não fica satisfeito em apenas consumir o produto ele quer que o consumo seja universal, e quem não consome é inimigo. Voces jamais vão ver uma madama brigar com outra porque uma usa Vuiton e a outra Prada. Já com a ideologia...
Mas vamos as caixas do meu filme virtual:
"- O fim justifica os meios"
"- Um novo mundo é possível"
"- Cidade viva"
"- O líquido negro do capitalismo - Coca-Cola"
"- Conciência cidadã"
"- Inclusão dos excluídos"
"- Justiça social"
"- Imprensa golpista"
"- Consciência de classe"
"- Terrorismo de estado"
"- Oligarquias rurais"
"- Quem sabe faz a hora não espera acontecer"
"- Conquistas sociais"
"- Efeitos da globalização"
"- Ouvir a sociedade"
"- Neoliberalismo"
"- Socialista-igualitarista"
"- Capitalismo Selvagem"
"- Latifúndios improdutivos"
"- Deserto verde"
"- Direito do coletivo"
"- Conjunto da sociedade"
e claro "-Yankees Go Home"

Terça-feira, Setembro 11, 2007

GROO, O BÁRBARO



Groo, o Errante é um personagem fantástico dos quadrinhos de Aragones. A gurizada hoje não dá a minima bola e possivelmente nem conheça Groo, the Wanderer. Pois Groo, o Ignorante está fazendo 25 anos e o Cineman não pode deixar passar sem fazer este registro. Eu não esqueci Groo, o Estúpido que é um dos personagens prediletos de meu irmão juntamente com Mortadelo e Salaminho. A Folha de São Paulo também não esqueceu e dedicou boa parte do sua Ilustrada para Groo, o Magnífico. A Folha informa ainda, para nosso prazer, que Aragonés está finalizando uma nova minissérie de Groo, o Terrível tratando sobre o aquecimento glogal - "Groo, Hell on Earth". Certamente será imperdível. Al Gore prepare-se, seus dias de estrela estão para acabar. Quer mais de Groo, El Vagabundo? Clique aqui e conheça o site de Groo, Le Barbare. Aproveito o finalzinho para comentar um pequeno documentário do Discovery Channel em DVD sobre super heróis dos quadrinhos. É de pouca duração mas muito interessante para quem curte o assunto. Depoimentos de Stan Lee e outros quadrinistas falando sobre os que eles elegeram como os dez principais super heróis criados até hoje.
Até a próxima postagem

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

1,99 - UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS


Não vou recomendar para vocês o filme 1,99 de Marcelo Marsagão porque não quero ser mandado para lugares nunca dantes navegados. Apesar da incontestável capacidade do diretor e de ter apenas uma hora de duração, o filme é impossível de ser visto até o fim. Marsagão partiu das idéias da jornalista canadense, Naomi Klein, que chegou a ser estrela do nosso saudoso (?) Forum Social Mundial. O livro de Naomi Klein - Sem Logo, A Mania das Marcas em Um Planeta Vendido (No Logo) é uma coleção de argumentos contra a globalização. Em seu livro Naomi ataca diversas multinacionais, entre as quais a Disney Corporation, Microsoft e, claro, o McDonalds, eterno vilão de todos os contestadores. Mas o foco principal do livro é a Nike, acusada de explorar a mão de obra chinesa, fechar fabricas em paises onde os sindicatos se tornaram fortes e investir poderosamente e prioritariamente na marca, no logo. A Nike já respondeu a todas as acusações mas não teve a mesma cobertura, apesar de todo seu poder, que a Sra Klein.
O filme. O filme se passa todo em um supermercado estilizado, todo branco, clean, os produtos são caixas brancas, vazias, sem produto, mas contendo as mensagens publicitárias. Ou seja, as pessoas naquele supermercado não compram produtos, compram slogans, compram logos. Os slogans nas caixas tem uma mistura de auto ajuda com chamadas publicitárias conhecidas. Algumas bem sacadas, outras não tanto. Nada suficientemente instigante para manter a atenção da vitima. Uma cena pelo menos eu achei genial. É uma caixa eletrônica erótica. No caixa aparece a imagem de uma mulher de cabeça baixa mas quando o cliente passa o cartão ela levanta a cabeça e mostra um sorriso. Ao mesmo tempo aparece o letreiro "- Passe de novo, por favor". O homem não se faz de rogado e passa o cartão novamente. O sorriso da mulher amplia. O homem começa a passar o cartão ansiosamente com a pronta e esperada resposta da caixa. O orgasmo manifestado através da dispensa de um bloco de notas. Em determinado momento Marsagão percebe que apesar da boa fotografia, do bom trabalho de câmera, da música bem interessante, está tudo muito parado. Ele promove então uma inexplicável batalha de paintball entre os fregueses do supermercado. Outro ponto interessante. Ninguem fala. Os clientes parecem robôs comprando. Metrópolis?
Como eu disse, não é para todos. Quem tem um posicionamento político coincidente com a Sra Klein pode apreciar o filme e descobrir mensagens que eu, avesso a estas idéias, posso não ter percebido.
Uma coisa que também me chamou a atenção foi a quantidade de patrocinadores do filme. Fora os tradicionais Petrobrás, BNDES e Banco do Brasil sempre presentes, com nosso dinheiro, em obras com pretenso conteúdo anti neo-liberalismo, aparecem uma enorme quantidade de marcas/logos como apoiadores. E a apresentação destas marcas no inicio do filme chama a atenção pelo tempo que ocupam. São quase 30 marcas ou mais. Claro que a exposição das marcas durante um tempo tão grande é intencional de parte de Marzagão. Compôem o filme. Marsagão está gozando com seus apoiadores? Ou é o contrário, o filme de Marsagão é feito como as marcas que ele pretensamente pretende condenar? São leituras interessantes.
Até a próxima postagem
Clique aqui e passei pelo site do filme que o elogia bem mais do que eu. A cena que eu falei do caixa eletrônico pode ser vista. Esta vale a pena.

Terça-feira, Setembro 04, 2007

UM DIA SEM MEXICANOS


Que pena. Uma idéia tão boa e os caras não souberam trabalhar direito. A premissa do filme é o desaparecimento, de um dia para outro, de todos os mexicanos que vivem legal ou ilegalmente na California. E por mexicano entenda-se todo mundo que veio do sul do Rio Grande, incluidos argentinos e acho que brasileiros, embora não citados. O formato do filme é aquele que a gente já conhece do Ilha das Flores e que os gringos chamam de mockmentary. (Ilha das Flores parecia ser um documentário mas depois surgiram fortes suspeitas que não tinha muito a ver com a realidade)
Pois apesar da boa idéia, ou por que eu estava extremamente cansado, não consegui aguentar até o fim. Então é meio que inadequado eu fazer uma crítica do filme mas quero ressaltar a idéia. Podemos nós mesmos imaginar alguns roteiros com a mesma situação e criar outras perspectivas. São Paulo sem nordestinos. Rio de Janeiro sem traficantes. Brasilia sem políticos corruptos. Rio Grande do Sul sem colorados (ou gremistas). Brasil sem imprensa. Aviação sem a Varig (opa esta já aconteceu). Agricultura sem a Emater (opa esta está acontecendo). Vocês certamente podem continuar fazendo esta lista que vai longe. Uma amiga me lembrou uma que vale para o setor público e em especial para a Caixa Econômica Federal "- Um dia sem estagiários".
Até a próxima postagem
TRAILER DE UM DIA SEM MEXICANOS

Sábado, Setembro 01, 2007

MOTOQUEIRO FANTASMA


Tirando o Homem Aranha os filmes baseados nos heróis dos quadrinhos não tem agradado muito. Sin City e 300 é outra história. Estou falando de Batman, Superman, Demolidor, Justiceiro. O primeiro Superman foi interessante. O último Batman idem. O Motoqueiro Fantasma que saiu agora, com Nicolas Cage no papel do herói, até que é bem razoável. Quem gosta ou gostava do personagem nos quadrinhos não vai ficar completamente decepcionado. Para os novatos, especialmente a garotada, é uma boa aventura. Para quem aprecia filmes com histórias mais consistentes o Motoqueiro Fantasma não é a melhor alternativa.
TRAILER DE GHOST RIDER

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Quinta-feira, Agosto 30, 2007

EXPOINTER E A PIRATARIA 2

Estive novamente na Expointer hoje. Já dá para ver que o escriba tem conexões com o agronegócio. A pirataria continua por lá e mais sofisticada. Todas as bancas, autorizadas pela Prefeitura de Esteio, um tal de programa social da prefeitura, tem televisões e aparelhos de DVD para mostrar a "qualidade" do produto. Numa destas bancas um jovem coreano (não sei o que ele está fazendo no programa social da Prefeitura de Esteio) além de DVD pirata vende também tenis pirata. Existem bancas vendendo brinquedos importados da China. Existe uma legislação que obriga que todos os brinquedos vendidos no pais, produzidos aqui ou importados, tem que ter um selo de qualidade do INMETRO. Segurança do brinquedo. Todo mundo ouviu falar do recall por causa dos imãs nos bonecos do Batman e da Barbie, e isto aconteceu em brinquedos certificados. Imaginem o que pode acontecer com brinquedos piratas sem nenhuma espécie de certificação. Isto é crime. E crime acobertado pelo poder público. Bem, agora sim é verdade. A próxima postagem vai ser sobre cinema.
Até lá.

Terça-feira, Agosto 28, 2007

EXPOINTER E A PIRATARIA

Hoje estive na Expointer e duas coisas me chamaram a atenção. Uma foi a grande presença de jovens estudantes. Que ótimo, não? Os professores levando os alunos para terem contato com a pujança do nosso setor agropecuário e, talvez, fazer brotar algumas vocações de agronomos e veterinários. Nada disto. O que vi foi uma bagunça homérica. Um grande happenning. Nenhum professor. Parece que o projeto educacional é levar a garotada para lá e deixá-los por conta - virem-se meninos. E eles se viram. Não vou ao extremo de achar que deveriam ser proibidas estas excursões gratuitas de estudantes à Expointer mas que os professores devem estar presentes e ter uma programação mínima de trabalho, certamente sim. Mas não tenho muita esperança que isto possa a vir acontecer. A segunda coisa que me chamou a atenção e esta ligada ao nosso negócio - cinema, foi a quantidade de bancas vendendo fitas piratas na parte de fora da exposição. Perguntei ao dono de uma banca de pastel quem dava a concessão para explorar aquela área. É a prefeitura de Esteio. Que belo exemplo. A prefeitura permitindo, permitindo - não, autorizando que se comercialize pirataria. Mas esta é a nova norma não é? Com tudo que anda por aí vou reclamar de estudante fazendo barulho e fita pirata? Deixa para lá.
Na próxima postagem - só cinema.

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

A CIDADE PERDIDA (THE LOST CITY)


Este filme saiu já há algum tempo. Não muito. Mas eu não havia visto nem comprado porque todas as críticas que li não eram muito simpáticas ao filme. Depois vi o trailer e gostei. Não pode ser tão ruim assim, pensei. Comprei o filme e vi ontem a noite. Primeira coisa - gostei muito. É o primeiro filme, e único até agora, dirigido por Andy Garcia e um filme que ele vinha preparando há pelo menos quinze anos. Um filme sobre sua Cuba, aquela que hoje é de Fidel.
O filme é baseado em um texto do escritor cubano, Guillermo Cabrera Infante, morto em 2005. Guillermo que também era critico de cinema, viveu em Cuba no período de Batista e de Fidel. Comunista, não concordou com o rumo que Fidel deu a revolução e, de certa forma, mostrou isto no seu roteiro. No meio do filme um personagem pergunta a outro: "- Mas Fidel é comunista?" e o outro com um sorriso ironico "- Fidelista".
Andy Garcia interpreta Fico Felone, um dono de cabaret, muito parecido com Rick de Casablanca para não ser proposital. Politica não lhe interessa, só o seu cabaret - El Tropico. O Cabaret e a familia. O pai um professor da universidade de Havana, a mãe, dois irmãos e suas respectivas mulheres e um tio solteiro produtor de fumo e charutos. A corrupção e a violência do governo de Fulgencio Batista é apresentada claramente na primeira parte do filme. Mas a revolução já está apontando com Fidel Castro em Serra Maestra. Em Havana um grupo de intelectuais, comandados por um misterioso lider que depois vamos saber, é Luis, um dos irmãos de Fico, tenta assassinar o ditador.Da mesma forma que Rick em Casablanca, Fico aos poucos passa a assumir uma posição política. Só que ele é levado a isto em duas situações. Uma com Fulgêncio e outra com Fidel. Ele aprende logo que ditadura é ditadura, tanto faz qual é o discurso do ditador. Um personagem que aparece bastante no filme é Che Guevara. O filme apresenta uma particularidade de Che pouco conhecida, ou divulgada - o assassino frio. Uma cena: Che passa por um soldado de Fulgêncio ferido e ordena para um comandado seu que está ao lado: "- Degola" e em seguida ao passar por outro ferido, saca o revólver e o mata a sangue frio. Outra ótima - Che doutrina um companheiro não muito brilhante, sua forma de falar é rebuscada e ininteligível para o outro. Mas Che acaba concluindo com uma máxima que nós conhecemos muito bem. "- O fim justifica os meios, companheiro". Um outro personagem real que aparece no filme é Mayer Lansky (Dustin Hoffman), o gangster judeu, amigo de Lucky Luciano e Bugsy, que explorava o jogo na Cuba de Fulgêncio. Lansky tenta convencer Fico a abrir seu cabaret para o jogo. Fico não aceita a proposta embora Lansky não seja um homem que saiba lidar bem com rejeição. Uma bomba explode no El Tropico matando a dançarina e namorada de Fico. A origem do atendado parece ser óbvia mas no final do filme, já nos Estados Unidos,Fico encontra Lansky novamente e ele lhe assegura não ter ordenado o atentado, que aquele não é seu estilo. Como Fico passa a trabalhar com Lanky fica claro que ele acreditou. O filme então, aparentemente, está relacionando o atentado com os Comandos de Acción e Sabotage, grupo ligado a Fidel, que suspeita-se tenha praticado vários atos de terrorismo em Havana.
Andy Garcia não perde muito tempo com as batalhas dos guerrilheiros de Fidel com Fulgêncio. Não é isto que ele está tentando contar. A cena de passagem de um governo, digo, de uma ditadura para outra, é simples e curta, um patético discurso de Fulgêncio na porta do avião que vai levá-lo para o exílio.
Não posso deixar de falar de um estranho personagem, The Writer (Bill Murray), que se apresenta como o homem que não tem nome. Durante todo o filme ele se deleita em dizer frases enigmáticas possivelmente significando alguma coisa que eu não me dediquei a interpretar e que sempre está ao lado de Fico. Um crítico que li, afirma que o escritor Guillermo Infante colocou este personagem para representá-lo no filme. É uma boa teoria. Mas o nosso querido Bob sempre é bem vindo.
Outra cena maravilhosa. Fico está ensaiando sua banda e seus dançarinos quando irrompe uma mulher dizendo ser a ministra dos bons costumes ou da cultura, não lembro. Ela quer que Fico elimine o saxofone da banda por ser um instrumento imperialista. (Sempre achei o trombone de vara, por sua visual agressividade, muito mais imperialista). Fico tenta explicar que o criador do saxofone foi um belga chamado Sax mas não adianta, a ministra diz que os belgas também são imperialistas e que exploram os companheiros africanos. O sax é banido. Mais tarde Fico vai ter o seu cabaret nacionalizado e, não sabendo fazer outra coisa, especialmente colher cana, decide abandonar Cuba. No aeroporto outra cena interessante. Fico é obrigado a deixar anéis, relógio, só consegue passar com sua filmadora 16 mm. "-Para que você quer uma camâra?" lhe pergunta o soldado da alfândega. "- Para filmar a decadência americana" responde Fico.
Não falei de romance mas o filme tem muito. Fico é apaixonado pela viuva de seu irmão e é correspondido. Mas Aurora (Ines Sastre) tornou-se a Viuva da Revolução e assume esta missão. Quando Fico quer leva-la para os Estados Unidos ela rejeita mas pede que ele fique."-Você acha que é uma causa perdida?" pergunta Aurora. "-Não, é uma cidade perdida".
Certamente falei demais mas são duas horas e vinte de filme portanto acho que tenho uma justificativa. Não percam. Muita música cubana, muita dança. O fim do filme é uma homenagem de Andy Garcia a Rosa Purpura do Cairo de Woody Allen.
Bom filme e até a próxima postagem
TRAILER DE LOST CITY

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Sábado, Agosto 18, 2007

SEMANA DA FOTOGRAFIA


Esta semana o Projeto Contato está produzindo a Semana da Fotografia com exposições, palestras, cursos, saidas fotográficas. A programação está no site do Projeto Contato, um dos links deste Blog. No Paris Cinema e Café, que se incorporou a micro galeria do Projeto Contato, estão em exposição as fotos da Bete Rocha. Uma delas, esta que está ai em cima, eu selecionei por que me remeteu direto para um cenário de cinema.

Sexta-feira, Agosto 17, 2007

NA MIRA DA MORTE (TARGETS)


Um dos filmes mais assustadores que eu vi foi o Drácula com o Bela Lugosi. Claro que faz muito tempo. Acho que foi no Teatro Guarani de Pelotas que era um teatro enorme no qual deviam caber uns dois ou tres São Pedros (o teatro) dentro. Isto contribuiu para o filme ficar mais assustador. Naquela época o terror era por conta de vampiros, lobisomens, a criatura do doutor frankestein, a múmia do Boris Karloff. Bons tempos. Hoje o terror é a bala perdida, o assaltante na sinaleira ou no estacionamento do shopping, a pista sem grooving, o avião sem manutenção, o político corrupto, a fome insaciável do governo por impostos, os brinquedos sem segurança, o desrespeito as leis, o aquecimento global, o pitbull do vizinho, as torcidas organizadas, a imprensa oficialista, o fanatismo religioso.
Um filme marcou esta transição entre o velho e poético terror e um novo terror, muito mais assustador e muito mais real - TARGETS, de Peter Bogdanovich. Bogdanovich ficaria conhecido logo em seguida pelo badaladissimo A Última Sessão de Cinema, que o levou a fama, principalmente entre os auto denominados - cinéfilos.Era o tempo em que a meninada se reunia para falar de cinema e tinha que dizer que adorava o Saura e que Minha Mãe Fez Cem Anos era um filme admirável mesmo que tivesse dormido no meio da sessão. Pois Target não entrou nestas discussões mas tem muita coisa interessante. Roger Corman, guru do filme B, que jamais ultrapassa uma semana fazendo um filme, conheceu o jovem Bogdanovich e gostou de algumas coisas que ele tinha escrito no Esquire. Fez Bogdanovich como seu assistente numa de suas produções e viu que o jovem tinha talento. Roger Corman chamou Bogadanovich e propos que ele dirigisse um filme de sua produção. Algumas condições. Boris Karloff devia dois dias de trabalho para Roger Corman e teria que ser utilizado no filme. Pelos padrões de Roger, dois dias equivaleriam a 20 ou 30 minutos de filme. Concidionou também que Bogdanovich utilizasse 20 minutos de um outro filme de Roger onde Karloff atuara, Sombras do Terror (The Terror) e que preenchesse o resto com uma história qualquer. Bogdanovich, provavelmente se inspirando em Charles Whitman, começou a escrever o seu roteiro. Charles Whitman, algum tempo antes, havia subido na torre do campus de Austin da Universidade do Texas, e com um fuzil começou a atirar a esmo, matando diversos estudantes. Era o novo terror. Não mais velhinhos esquisitos atacando vitimas escolhidas a dedo e com objetivos bem definidos - a preservação da espécie no caso dos vampiros - mas uma pessoa comum matando qualquer um sem motivo aparente. Pronto o roteiro, que foi escrito pelo próprio Bogdanovich e sua mulher Polly Pratt, Bogdanovich o leva para um amigo dar uma olhada. O amigo era nada mais nada menos que Samuel Fuller. Fuller reescreve completamente o roteiro e devolve a Bogdanovich. Como Fuller não aceitou ser incluido nos créditos, a forma que Bogdanovich encontrou de homenagear o amigo foi dar o nome de Fuller à um dos personagens, justamente o que ele interpreta, Sammy Michaels. (Michaels era o nome do meio de Fuller).
A história - O filme começa com as cenas finais de Sombras do Terror, onde um tenente do exército de Napoleão, Andre Devalier, chega ao castelo do Barão Frederick Victor (Boris Karloff). Ei! Este cara não é estranho. De onde eu conheço? Surpresa - é Jack Nicholson num dos vários filmes que fez com Roger Corman. Com bastante criatividade Bogdanovich utilizou as cenas finais de The Terror, que são as iniciais de Targets, para colocar os créditos de Targets, que são completissimos, não escapa nem o vendedor de pipocas. Acenden-se as luzes e vemos Byron Orlok (Boris Karloff) sentado, entre outras pessoas, acabando de ver a projeção de seu último filme. Orlok não gostou e anuncia a sua aposentadoria. Súplicas, ordens, existem compromissos já assumidos. Orlok está irredutível. O mais desiludido é o jovem diretor Sammy Michaels (Peter Bogdanovich) que tem um roteiro pronto e só Orlok pode tornar o filme possível.
A outra história paralela - Bobby Thompson (Tim O´Kelly) está numa loja de armas e compra um rifle. Quando ele coloca no bagageiro do carro vemos um verdadeiro arsenal de pistolas e rifles organizadamente dispostos. Alguma coisa não está certa. Bobby vai para sua casa, entra silencioso, passeia pelo seu quarto, uma foto na parede mostra ele com o uniforme do exército americano. Naquela época isto remetia diretamente para o Vietnan. Então o chamam e conhecemos o resto da familia. O pai, a mãe e a mulher. Num treino de tiro ao alvo que ele faz com o pai num descampado tem uma cena digna de Hitchcock. Quando o pai vai arrumar as latas alvos para uma outra sessão de tiros, Bobby coloca o pai na mira e fica com o dedo nervosamente passeando pelo gatilho. É uma cena de muita tensão. Não se tem a mínima noção se ele vai atirar ou não.
E assim vão sendo construidas as duas histórias até um final onde os dois personagens se encontram. A cena final é em um drive inn onde está sendo feita uma homenagem a Orlok e onde está passando The Terror (lembram que Bogdanovich tinha que usar vinte minutos do filme pelo menos). Nesta cena, Bobby, que já matou diversas pessoas atirando por detrás da tela, se confronta com Orlok. Mas não só com o Orlok real, mas também com o Barão Frederick, o Orlok na tela. É uma beleza. Diversas leituras para quem gosta disto.
Claro que eu recomendo o filme até porque é um prazer imenso ver Boris Karloff interpretando ele mesmo. O DVD tem ótimos comentários de Peter Bogdanovich contando mais ou menos tudo isto que eu escrevi aqui. E aproveitem que falamos de Peter Bogdanovich e revejam A Última Sessão de Cinema.
Coloco a seguir um video feito por um dos extras do filme, James Morris, que é apresentado nos créditos como "o homem com a pistola". Claro que Jim coloca só as partes onde ele aparece mas mesmo assim é interessante.
Até a próxima postagem.
http://www.youtube.com/watch?v=ufK83j5Gzds
VIDEO DO JAMES MORRIS

Quarta-feira, Agosto 15, 2007

SLEEPER CELL 2

Terminei de ver o Sleeper Cell. A minha intuição estava correta, a série é muito boa e tem a qualidade de fugir do padrão normal. Correções -eu falei em 12 capítulos, são dez com um extra muito interessante - Conheça seu Inimigo. Não é série, é uma mini-série, não tem segunda temporada. Pois a mini-série não apresenta um estereótipo do terrorista árabe. Há terroristas de olhos azuis, sim. E eles tem vidas muito comuns. As passagens que procuram apresentar o islamismo como realmente é, uma religião que prega o que todas as outras pregam, amor, paz, caridade, são extremamente interessantes. Os produtores contaram com assessoria de intelectuais islamistas, experts em contra terrorismo (os experts em terrorismo não foram encontrados). São 554 minutos muito interessantes.

Terça-feira, Agosto 14, 2007

SLEEPER CELL


Tiro rápido. Estou assistindo uma série nova - Sleeper Cell. São 12 capitulos de aproximadamente 45 minutos cada um. A história gira em torno de uma célula de terroristas islâmicos em Los Angeles. O interessante é que tudo é visto a partir do ponto de vista dos terroristas. Os personagens principais são cinco terroristas, oriundos de diversos lugares do mundo, que planejam um grande ataque à Los Angeles. Mas terroristas também tem vida pessoal e é isto que vamos assistindo no decorrer dos episódios com maior destaque até que a preparação do ataque que, por enquanto, ainda é um mistério. Existe um agente do FBI infiltrado no grupo terrorista. Um negro praticante do islamismo. Existe preconceito entre os islamistas também. Um deles diz para o nosso agente infiltrado; "- Nós não acreditamos que os negros americanso que se dizem islamitas sejam verdadeiros filhos de Allah". A série, mesmo sendo americana, apresenta um debate interessante sobre o islamismo. As posições dos terroristas e dos islamitas contrários ao ataque a inocentes são colocadas frente a frente, em diversos momentos, com uma discussão baseada em textos do Alcorão. É um bom programa. Termino de ver hoje e amanhã já estará no Paris Cinema e Café.
SLLEPER CELL

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

BONECAS RUSSAS (LES POUPÉES RUSSES)


Fui traido pelo título nacional. Imaginava um filme sobre beldades russas mas a alusão é realmente às conhecidas bonecas russas em forma de ovo (matryoshka), aquelas que aparecem umas dentro das outras, numa sucessão que nunca se sabe quando vai terminar. O escritor e diretor Cédric Klapisch, usou esta figura para mostrar as indecisões de seu personagem, na crise dos 30 anos, quanto aos seus amores. Como ele vai saber qual será a mulher da sua vida. Ao final de cada romance é uma boneca que ele abre e acha outra boneca, outro romance. Qual será a última? O filme é uma continuação, com os mesmos personagens, de outro filme de Klapisch que vocês gostaram muito, O Albergue Espanhol. Cenas lindissimas de Paris e Londres com os truques visuais de edição que Klapisch já havia utilizado em Albergue Espanhol. Uma dica excelente para quem usa Lap Top em viagens. Viajando entre Paris e Londres, Londres e Paris, naquele trem velocissimo que passa debaixo do Canal da Mancha, Xavier (Romain Duris), o personagem principal, encerra-se no banheiro para carregar seu Lap Top na tomada para barbeador elétrico. Infelizmente não podemos praticar isto no Brasil da aviação aérea incompetente e das estradas esburacadas. Outra cena interessante para nós gauchos é que lá pelas tantas a ex-namorada de Xavier, Martine (Audrey Tautou) deixa a sua filhinha com ele por que vai participar do Forum Social em Porto Alegre. "-Precisamos combater a globalização".
Assistam este filme. Vale a pena. Mensagens positivas são sempre bem vindas e é muito bom ver o cinema frances voltar a ativa com estes jovens diretores.
Até a próxima postagem.
Cena de Bonecas Russas

Terça-feira, Agosto 07, 2007

KINKY BOOTS - FABRICA DE SONHOS


O nome que deram ao filme no Brasil não tem nem de longe a malicia do nome em ingles. Kinky tem várias traduções mas ligado ao "boots" remete para B&D, boundage and domination, ações sexuais não muito convencionais estreitamente ligadas a couro, algemas, botas, coleiras e chicotes. Mas Kinky Boots, do diretor Julian Jarrold, é um excelente filme, de humor refinado como toda comédia inglesa que se preza. E um filme que, sem dúvida, podemos usar numa aula de administração. Aquilo que eu já tenho falando em diversas postagens - o uso do cinema como metodologia de ensino. Numa pequena cidade ao norte de Londres, Northampton, existe uma fábrica artesanal de sapatos. Charlie Price (Joel Edgerton), filho do dono, foi criado ao velho estilo empresarial, passando por todas as funções dentro da empresa. O pai o estava preparando para assumir o negócio como os outros pais da familia Price já haviam feito antes. Mas isto não era o que Charlie queria e o pai, cabisbaixo anuncia aos funcionários que o herdeiro não vai continuar na empresa porque vai trabalhar com marketing em Londres. E marketing soa muito feio. Charlie recem está se acomodando em Londres com sua noiva quando recebe a noticia da morte do pai. Volta e conhece a realidade da empresa. Completamente falida. Tentando salvar alguma coisa ele vai a Londres vender sua produção. Descobre a globalização. Os sapatos checo-eslovacos custam a décima parte dos seus sapatos artesanais. "- Pobres dos donos destes sapatos, eles não duram um ano, enquanto os nossos são para toda vida" diz Charlie. O comprador responde: "- Sim duram apenas um ano e eles tem que comprar outros, que ótimo não?". Desiludido Charlie volta para Northamptom e começa a despedir seu pessoal quando é confrontado por uma funcionária, que imediatamente sabemos que vai ser importante na estória, que diz "- Você é destes empresários que fica dizendo o que é que vamos fazer? e não faz nada. Trate de achar um nicho para esta empresa" Ai começam as lições. A fábrica é pequena, os custos são altos, mas ela pode produzir um produto diferenciado. Quem quer um produto diferenciado? Charlie, em Londres, defende uma suposta mulher de um assalto. Não é uma mulher. É Lola (Chiwetel Ejiofor), uma dragqueen dona de um cabaré de.. dragqueens. Quando Lola se queixa que as botas de mulher que ela usa não suportam o peso de um homem Charlie vê o seu nicho de mercado. E pelo que se sabe de Londres.. que nicho. De volta a Northamptom Charlie põe seus funcionários a trabalhar e produzem o primeiro prototipo. Mas faltou a Charlie um dos primeiros conceitos da administração. Saber exatamente o que o cliente deseja. Lola odeia as botas. Para começar as botas são cor de vinho. Que horror... Vermelho é a cor que tem que ser. E os saltos.. horrorosos..quadrados, masculinos. Os saltos tem que ser altissimos e finissimos. Colocando o seu R&D a trabalhar chegam a solução - Uma fina placa de aço poderá dar a sustentação necessária ao altissimo salto. Lola se muda para Northamptom e aos poucos os conservadores operários vão se acostumando com sua presença. Um diálogo é notável. A velha senhora, dona da pensão onde está Lola, pergunta: "Mas você é homem ou mulher?" Lola se volta preparada para enfrentar o preconceito e responde "- Homem". A dona da pensão sem dar muita importância responde: "- É só para saber como eu deixo a tampa do sanitário". Mais administração.. A forte exigência de Charlie para uma mostra em Milão produz desconforto e desmotivação no grupo. Mas um truque de Lola faz os operários perceberem a situação e se entregar de corpo e alma ao serviço.
A feira de Milão é um sucesso é claro. Um destaque na interpretação de Chiwetel, magnifico, sem em nenhum momento ridicularizar o seu personagem. E um grande talento no palco quando cantando e dançando. No DVD ainda temos alguns extras muito interessantes que mostram que a fábrica existe. Que é uma estória real. E melhor ainda.. que o filme foi feito numa fábrica artesanal de sapatos (que parou durante uns vinte dias para a filmagem) e com boa parte dos extras formados pelos próprios funcionários. E a boite de drag queens idem, com drag queens de verdade e Lola. Absolutamente imperdível. Uma jóia perdida no meio das locadoras mas que no Paris Cinema e Café você encontra em destaque.
Até a próxima postagem.
Um pedacinho do show de Milão

Sábado, Agosto 04, 2007

O DIA DO GAFANHOTO (The Day of The Locust)


Para começar a tradução pura e simples de locust para gafanhoto não expressa o que Nathanael West, autor do livro The Day of The Locust de 1938, quis dizer com o termo. Um título nacional mais adequado hoje, pegando carona na campanha da OAB paulista, seria - CANSEI.
Locust tem o significado de losers. Pessoas sem voz, perdidas pelo caminho, não sabendo onde ir nem o que fazer com suas vidas na Los Angeles do final dos anos 30. O Dia do Locust é o dia em que eles fazem ouvir suas vozes.
Tod (William Atherton) é um jovem do Leste americano, oriundo da universidade de Yale, que vai para Hollywood tentar a sorte como desenhista de cenários. Nos seus desenhos ele começa a retratar o locust, desenhos que iniciam com pessoas sentadas nas paradas de ônibus, paradas nas ruas, com o olhar perdido no vazio, sem expressão. Tod percebe o desespero destas pessoas e nos seus desenhos transforma as bocas em gritos desesperados , como no quadro de Munch.
No condominio que ele escolhe para morar habitam as personalidades mais estranhas. Faye (Karen Black) uma mulher completamente psicótica a procura de uma chance no cinema, seu pai Harry ( Burges Meredith) é um ex ator cômico que agora usa seus dotes para vender um tônico revigorante de porta em porta. Tod se apaixona pela bela e louca vizinha mas não é correspondido. Ela quer alguem com dinheiro ou que possa lhe abrir as portas do estrelato. Surge Homer Simpson (Donald Sutherland), um contador extremamente timido que também se encanta e é presa fácil para Fay. Homer e Fay mergulham numa relação doentia com a parceria de uma estranha dupla de criadores de galos de rinha. Enquanto isso Tod ascende na sua carreira e faz os desenhos do seu primeiro filme - A Batalha de Waterloo. Quando é filmada uma cena de combate, Tod vê que os cartazes indicadores de perigo de um cenário não foram colocados. Ele tenta impedir que os soldados em fuga subam no morro artificial mas já é tarde. O cenário desaba e vários extras saem feridos. Daí é aquela discussão que nós conhecemos para ver de quem é a culpa. Tod numa reunião do estúdio fala que os cartazes de aviso não estavam colocados. "- Não diga isto, claro que estavam" diz o dono do estúdio. A culpa é do diretor que dirigiu a cena é claro.
No lançamento do filme The Bucaneer de Cecil B. de Mille, o povo se reune para ver seus astros. Mas um incidente terrivel leva o povo a se revoltar e a partir dai perder completamente o controle e a destruir tudo o que ve pela frente - é o dia do locust, dos sem voz, dos enganados.
Um filme terrível. Não é para todo mundo. Mas acho que vocês deveriam arriscar. Cinema não é só diversão.
Até a próxima postagem

300


Se o Brasil fosse a Grécia antiga, o Rio Grande do Sul seria Esparta. A capa - o poncho, a lança, a vida simples e rude, o machismo, a valentia, a honra da guerra.
300 é um filme totalmente baseado nos quadrinhos de mesmo nome de Frank Miller. Frank Miller todo mundo conhece do Batman - Cavaleiro das Trevas, que ninguem ainda se animou a filmar e de Sin City que rendeu um ótimo filme. O filme 300 é a estória em quadrinhos. Os atores filmaram contra fundo branco ou fundo verde, não sei o que é que estão usando hoje em dia, e depois foram adicionados os cenários dos quadrinhos. Se vocês virem os extras que estão em um disco adicional vão ficar sabendo. Existem cenas, especialmente as de ação, em que o movimento não é o continuo do cinema. O sangue não jorra, são particulas que como que explodem em cada quadro como em sequências estáticas. Então a violência não choca. As cabeças, pernas e braços cortadas fora podem ser vistas por qualquer criança que jogue video game. Os diálogos em algumas partes são absolutamente iguais aos dos quadrinhos o que não traz nenhum demérito. Fica evidente que o diretor Zack Snyder quis fazer exatamente isto. Parece ter agradado porque já está preparando a versão cinematográfica de outro sucesso dos quadrinhos, o excelente Watchmen.
Zack Snyder não seguiu inteiramente o figurino dos quadrinhos onde os espartamos andam nus com apenas uma capa vermelha. Frank Miller parece ter se orientado pelo pintura em óleo de Jacques-Louis David que está no Louvre - Leonidas nas Termópilas.
Existem leituras interessantes em 300. São brancos contra negros e amarelos? São machos contra homosexuais? A caracterização de Rodrigo Santoro como Xerxes é bastante óbvia e é, evidentemente, absolutamente igual aos quadrinhos. Tem uma cena em que Xerxes por trás de Leonidas (Gerard Butler de O Fantasma da Ópera) coloca-lhe as duas mãos nos ombros e tenta convencê-lo a se submeter a ele e reconhece-lo como deus. A resposta de Leonidas ao final do filme, com certo simbolismo, vai ser com uma lança jogada contra o rei persa.
Os espartanos são selvagens. Mas o que eram os gauchos na revolução de 29? No inicio do filme um emissário persa vem oferecer a possibilidade de rendição para Leonidas. Leonidas simplesmente mata todos os emissários. Esta é a resposta. Só para comparar em 29 não existia a rendição, existia a degola.
É um belo filme. Acho que não vai agradar a todos. Mas quem gostou de 300 nos quadrinhos vai gostar do filme. O visual é impressioante. Com o perdão dos puristas eu achei semelhanças com Ran de Kurosawa.
Um bom espetáculo e até a próxima postagem.
TRAILER DE 300

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Quinta-feira, Agosto 02, 2007

PARIS SUPER SIMPLES

Aproveitando o lançamento do Super Simples Nacional o Paris Cinema e Café lança também, durante o mes de agosto, o Paris Super Simples. Nada daquela estória de leva 3 pague 2, nas quartas é mais barato, acervo é um preço e lançamento é outro, descontos para entrega até as 20 horas, VHS é um preço mas DVD é outro, nada disto.
Agora é Paris Super Simples. Diárias de R$ 3,00 para todos os filmes, inclusive lançamentos, todos os dias, sem quantidade mínima. Sem truque - é Paris Super Simples.




Sugestão para estrear o Paris Super Simples