terça-feira, abril 21, 2015

NOSSA CULTURA, OU O QUE RESTOU DELA

Procurei o livro de Theodore Dalrymple nas duas livrarias que eu tenho perto de casa, Saraiva e FNAC. Não encontrei em nenhuma delas. Só por encomenda. Eu não gosto de encomendar livros e depois ter que ir buscar. Fazia isso no século passado. O preço é bem salgado - R$ 59,90. Acabei achando a edição inglesa digital por R$ 9,00. Para quem quiser dar uma espiada no primeiro ensaio, clique aqui. São 26 ensaios do autor sobre a degradação dos costumes. Theodore Dalrymple é o pseudônimo de Anthony Daniels, médico psiquiatra que tem passagens por hospitais, por uma prisão em Birminghan (como psiquiatra), além de ter trabalhado em diversos países na Africa, América Latina e Europa Ocidental. Ele tem uma visão bem conservadora e, por isso mesmo, merece uma leitura. Terminei a leitura do primeiro ensaio. Muito interessante. Apesar de ter como base a experiência maior do autor na Inglaterra, seus pensamentos podem ser transportados para as situações que  que estamos vivenciando no Brasil e América Latina. Algumas conclusões interessantes de Dalrymple: o wellfare inglês é um dos responsáveis pelo aumento da criminalidade. Na Inglaterra o crime hoje está muito mais difundido que antigamente, mas contrariando os argumentos que ouvimos hoje,  antigamente existia mais pobreza. Hoje o estado protetor, guiado pela aparentemente generosa e humana filosofia que nenhuma criança, seja qual for a origem, pode sofrer privações, dá toda a assistência a qualquer criança, ou a mãe de qualquer criança, logo a partir do seu nascimento. Nesta situação é vantajoso para a mãe se colocar numa situação de desabrigo, ser uma mãe solteira, sem suporte do pai da criança e dependente do estado para obter rendimento. Para o pai, o estado o absolve de ter responsabilidades com a criança. O estado agora é o pai e o pai biológico está liberado para usar os seus rendimentos para o que quiser, farra, bebidas, mulheres. Mas esta ação, digamos financeira, colocada pelo estado, não é suficiente. É necessário que isto seja moralmente aceito e a intelectualidade está ai para isso. Conhecemos isso, não é?
Até outra postagem.

Um comentário:

Nede Silva disse...

Por coincidência o texto da Rosane de Oliveira na ZH de hoje, trata mais ou menos do mesmo assunto, só que ela, obviamente, acha que o estado é que tem que cuidar de tudo. Lembro que a minha irmã professora contou que uma mãe foi reclamar que estavam chegando as férias e ela ia ter que cuidar das crianças.