sábado, agosto 20, 2011

GLAUBER ROCHA E JOSÉ SARNEY


Fui no Paris Cinema e Café separar alguns poucos filmes que não quero vender (O Leopardo, Rocco e Seus Irmãos..), no balcão um flyer me chamou a atenção - uma sessão de cinema em homenagem aos 30 anos da morte de Glauber. Os detalhes: dia 22 de agosto, às 20 horas, no Teatro Glênio Peres, ali na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O filme escolhido é Terra em Transe, um dos mais premiados de Glauber.
Mas tem um história interessante.
Em 66 Glauber fez um documentário da posse de seu amigo José Sarney como governador do Maranhão - Maranhão 66. O documentário é bem curtinho, muito bom e está anexo ao final deste texto. Vale a pena ver. A recepção de Sarney pelo povo, logo no inicio do documentário, é coisa que nem o Lula conseguiu. O povo, com Sarney, estava derrubando uma oligarquia que havia levado o Maranhão à mais absoluta miséria. A alegria na praça, a quase adoração à Sarney, eram o retrato disto e Glauber soube captar muito bem.
O resto do documentário mostra o Maranhão, em sua miséria, em seu sub-desenvolvimento, tendo como música de fundo, o discurso de Sarney. É perfeito, Sarney está tomando posse, está falando da miséria, da corrupção e que ele vai acabar com tudo isso. As imagens casam perfeitamente com o texto.
Mais tarde, quando se viu ao que Sarney vinha, alguns críticos de esquerda tentaram livrar a cara de Glauber, dizendo que o documentário era uma fina ironia, que Sarney vetou o trabalho, etc...
Nenhum problema se Glauber, como o povo do Maranhão acreditou em Sarney.
Falei de Maranhão 66 porque ele serviu de inspiração para Terra em Transe. Inclusive, econômico como era, Glauber utilizou algumas cenas de Maranhão 66 em Terra em Transe.
De qualquer forma, um bom programa na segunda feira é ir até o Teatro Glênio Peres e assistir Terra em Transe. Muito atual. E é grátis.
Até a próxima postagem
MARANHÃO 66



5 comentários:

PoPa disse...

Sarney transformou a miséria em arte, a corrupção em banalidade. O Maranhão de então era quase melhor que o Maranhão de hoje.

CINEMAN disse...

Se você não conseguir ir no Glênio Peres pode locar o filme no Paris Cinema e Café. Não, não é um dos que está a venda.

CINEMAN disse...

Recebi algumas reclamações na linha que o filme tinha um conteúdo irônico. Acho que não, o Glauber acreditava mesmo em Sarney. Se o documentário tivessse sido feito alguns anos depois já seria outra história.

Por que você faz poema? disse...

Morando no centro da capital da Bahia, trafego pelos mesmos lugares que Glauber Rocha um dia caminhou, imagino sua presença nas calçadas dos Barris, nas praças e nos antigos bares da cidade. E se hoje Salvador é outra, a importância dele nos nossos dias não seria diferente, Glauber ainda seria uma personalidade instigante, questionadora. Certamente.

CINEMAN disse...

Concordo com o Por que você faz poema? Acho que a principal característica de Glauber, fora ser um grande diretor de cinema, e até por isso, era seu espirito questionador, avesso aos dogmas. Certamente Glauber teria dito e feito coisas muito interessantes nos últimos anos.