sábado, junho 18, 2011

SCHOPENHAUER E NENEN PRANCHA


Dia 16 encontrei um velho amigo no Paris Cinema e Café. Nossa amizade tem o cinema como pano de fundo. Fico sempre impressionado com sua memória. Falamos um pouco de cinema, um pouco de culinária (ele é um grande cozinheiro) e um pouco de política. Na parte da política contei a ele sobre um debate, via mídia impressa, no qual fui envolvido pelo pessoal que estava assumindo o poder no banco estadual em que trabalhava. Disse brincando -"foi o meu canto de cisne, pois em seguida pedi as contas." Nesta história aparecem dois personagens históricos, Neném Prancha é um deles. Mestre em cultura inútil, meu amigo me informa que por estranha coincidência, aquele dia, 16 de junho, era a data do nascimento de Neném Prancha que estaria completando hoje 105 anos. Neném Prancha era o pseudônimo de Antonio Franco de Oliveira. Foi técnico de futebol mas ficou famoso pelas suas frases de efeito, quase todas relacionadas ao futebol. Eis algumas: "Se a concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida", outra, "Se a macumba resolvesse, o campeonato baiano terminava empatado" e algumas fora do futebol: "Tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador".
Continuando o sincronismo universal, no outro dia, ontem, visito a Livraria Saraiva e um livro me chama logo a atenção - Schopenhauer e Os Anos Mais Selvagens da Filosofia - levo para o café da livraria e, enquanto aguardo minha mulher fazendo o cabelo, começo a leitura (Como vocês sabem, mulher no cabeleireiro permite uma longa leitura). Muito bom. Conferi o preço, meio caro, quase R$ 70,00, mas já vi na Internet e está por R$ 50,00 na mesma Saraiva. Comprável. Ai me cai a ficha. Schopenhauer era o outro personagem do meu debate "político".
Contando a história.
Uma noite, lá pelos idos de 1998, estou assistindo o Conversas Cruzadas, programa do Lasier Martins, na TVCOM de Porto Alegre, quando um dos participantes, representando o partido que estava assumindo o governo, diz com todas as letras que o banco onde eu trabalhava há mais de trinta anos - "Batia a porta na cara do pequeno empresário e financiavam (sic) sempre os mesmos". Hoje, na novilíngua ele diria, possivelmente, que nós financiavamos só aselite. Fiquei puto. O Banco tinha uma história de financiamento do pequeno empresário e da agricultura, principalmente cooperativas, de extrema importância. Mais de 80% da estrutura de armazenagem dos três estados, óbvio que estou falando do BRDE, havia sido financiada pelo banco de fomento, e mais do que financiada estimulada pois o banco tinha a característica de ser altamente pró-ativo. E centenas de outros exemplos.
Escrevi um pequeno artigo para o jornal interno, relatando fatos da história do banco e onde mais que minha indignação ficava clara minha preocupação pelo pouco conhecimento do banco que o novo governo havia evidenciado.
Na edição seguinte fui surpreendido com uma resposta fortissima e agressiva de ninguém menos que o Diretor Presidente do Banco. E a resposta trouxe o segundo personagem que eu falei acima - Arthur Schopenhauer. O trabalho de Schopenhauer que foi utilizado para tentar demolir meu pobre e modesto artigo foi um trabalho menor, publicado por um discípulo de Schopenhauer, Julius Fraenstdt, mas que acabou se tornando conhecido no Brasil por uma tradução comentada de Olavo de Carvalho - Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão.
A intenção obviamente era intimidativa. Não funcionou.
Na semana seguinte, para manter o nível filosófico da discussão fui buscar o primeiro personagem que apresentei acima, ele, Neném Prancha.
O título do meu artigo foi uma das célebres frases de Neném e foi devastador.
"O PENALTY É UMA COISA TÃO IMPORTANTE QUE DEVIA SER BATIDO PELO PRESIDENTE DO CLUBE"
Depois me detive em destruir o artigo do meu respeitável oponente utilizando os mesmos argumentos do Olavo de Carvalho e seu - Como Vencer Um Debate.... Acho que não precisava, o título do artigo teria sido suficiente.
Não houve resposta. O debate foi declarado encerrado. Três meses depois eu pedia minha aposentadoria.
Era isto. Até outra postagem.



OBRIGADO POR FUMAR (FILME) E AS ARTIMANHAS DE SCHOPENHAUER

2 comentários:

Anônimo disse...

A cena do Obrigado por Fumar está perfeita para apresentar as artimanhas do Schopenhauer. Muito bom.

CINEMAN disse...

Quanto as frases do Nenem Prancha, existem algumas teorias que dizem que boa parte delas teria sido criação do João Saldanha que as atribuia ao Neném para valorizar o folclore.