quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O ECONOMISTA CLANDESTINO ( THE UNDERCOVER ECONOMIST)


Uma das leituras que iniciei no carnaval - O ECONOMISTA CLANDESTINO. O autor é o economista Tim Harford. O nome do livro em português, como sempre, foge um pouco da idéia do autor. The Undercover Economist procura estabelecer um paralelo com "undercover agent", aqueles caras do FBI ou CIA que trabalham disfarçados no coração do inimigo. Mas também não sei se o Economista Espião ou Disfarçado ficaria bem. Clandestino, afinal, não foi uma escolha tão ruim. Mas Mr Harford nos dá respostas para algumas coisas fundamentais e outras que parecem muito banais. Porque as diferenças entre países pobres e ricos são tão acentuadas? Porque não conseguimos nunca achar um carro usado decente? As leis ambientais são para proteger o meio ambiente ou para fazer a alegria dos proprietários de terras? Os temas são abordados de forma simples e estabelecendo as correlações com a economia. Quando vemos estamos com absoluta naturalidade lendo coisas inteligíveis sobre teoria dos jogos, escassez de recursos, informação privilegiada, poder dos mercados e outras coisas até então fora de nossa humilde compreensão. Vamos a alguns exemplos: Porque nunca se consegue um carro usado decente? Neste capítulo Mr Harford trabalha com a informação privilegiada. O vendedor do carro usado tem uma informação privilegiada, ele sabe se o carro é bom ou ruim. Os americanos chamam, com muita propriedade, de "peach" e "lemon", um carro bom é um pesseguinho aveludado e o ruim um limão amargo. O comprador não tem a informação privilegiada mas sabe que o vendedor tem. Então ele não se arrisca a pagar muito por um carro usado. O vendedor se tiver um carro bom na mão não vai conseguir vender pelo preço que ele vale porque ninguém vai comprar. Então o vendedor não se interessa em comprar um carro que ele sabe que é muito bom se ele tiver que pagar um preço justo. Porque? Exatamente. Está ali em cima. Ele não vai conseguir vender por um preço justo. Surgem formas de resolver este impasse. O vendedor que no passado vendeu bons carros para alguém pode trazer a confiança para seu produto e eliminar o problema da informação privilegiada. Como trabalho com certificação de produto, vi logo as implicações. A certificação de produto por um terceiro, em determinados casos, pode vir a ser o item que falta para nivelar as informações.
Tem um capítulo que fala sobre leilões de privatização que mostra que o governo se não souber agir inteligentemente pode perder muito dinheiro ou, pelo menos, deixar de ganhar muito dinheiro. Nós tivemos um caso bem próximo. O governo Brito vendeu a CEEE por um valor maior que o governo Fernando Henrique vendeu a Vale do Rio Doce. Podemos pensar na existência de ações não muito republicanas para explicar isto mas pode ter sido apenas a presença de um grupo negociador mais competente no Rio Grande do Sul.
Estou quase terminando a leitura. Já decidi que vou ler novamente para entender melhor alguns conceitos. Recomendo fortemente para aqueles que gostam destes assuntos. Não vão se arrepender. Um dos melhores livros que eu peguei nos últimos tempos e custa só R$ 45,00. Deve ter em todas as livrarias da cidade mas eu comprei na livraria do aeroporto.
VIDEO DO PROGRAMA DE MR HARFORD ONDE ELE TENTA COMPRAR UM CARRO USADO (sorry, no subtitles)

4 comentários:

CINEMAN disse...

Informação de última hora: O Economista Clandestino está por R$ 37,00 na internet da Siciliano.

Anônimo disse...

Gostei.

Continue lendo a obra e traga as informações valiosas que tem trazido.

Temos que entender dessa marvada da economia...

Anônimo disse...

Muito boa a obra e sua inciativa.

A busca da informação, referida, fundamenta o que se conhece na comunicação como o poder de seletividade. Você só a tem se conhece as coisas...

A certificação é uma boa saída, quando em produtos físicos.

Na política a base está na palavras dos autores.

Você compraria um carro usado do Lula?? Do Zé Dirceu, nem pergunto...

Saudações.

CINEMAN disse...

Já estou na segunda leitura. Tem muitas coisas interessantes que ainda não falei. Quando terminar volto ao assunto.