sexta-feira, dezembro 28, 2007

MAZZAROPI


Eu nunca gostei do Mazzaropi. E na minha turma ninguém gostava. Aquele jeitão de caipira, o personagem sempre igual, não emplacava com nós. Já o Oscarito e Grande Otelo era outra coisa. Mas Mazzaropi fazia muito sucesso em outras bandas. Hoje eu diria que ele fazia uma espécie de anti-herói, ingenuo, um pouco covarde, que a gurizada que estava acostumada com o Randolph Scott (quem diria?), John Wayne, Burt Lancaster e outros não aceitava muito bem. Só para a turma intelectual tremer na base - eu diria que, muito antes de Paulo José e Grande Otelo, ele foi o nosso primeiro Macunaima. Mazzaropi fazia tudo no cinema. Ele produzia, fazia o roteiro, dirigia, interpretava, cantava, compunha as músicas. O roteiro ele ia fazendo de noite para usar no outro dia. Ninguém sabia o que ia acontecer, nem ele.
Mazzaropi era dono de um estúdio no interior de São Paulo. Ele produzia um filme por ano e lançava num teatro de São Paulo acho que no dia do aniversário da cidade. Havia um grupo de artistas cujo trabalho era fazer os filmes do Mazzaropi. Era como aqueles grupos de teatro familiar que percorriam o Rio Grande. Tinha o Teatro do Chimbica? - Ninguém lembra, não é? As peças que o Chimbica e os outros grupos apresentavam nas suas barracas de lona ou nos cinemas do interior iam do bíblico a comédia de costumes, passando pelo drama, musical e as vezes tudo junto. Lembro de uma chamada A ERVA MALDITA. Era um interiorano que ia para São Paulo, uma vigarista dava maconha para ele fumar e depois roubava todo o dinheiro do pobre coitado. SANSÃO E DALILA, esta requeria uma produção sensacional. Ao final o teatro quase vinha abaixo quando um gordo Sansão derrubava as colunas do "templo".
Voltando ao Mazzaropi. Agora comecei a ver alguns filmes dele que estão sendo lançados por uma produtora de DVD, a Cine Magia. Os primeiros foram dificeis mas depois fui achando cada vez melhor. Acho até que passei a entender o Mazzaropi e achar que, afinal de contas, ele não era tão ruim. Nós, garotos, eramos uns grandes injustos com ele.
Quase toda a coleção do Mazaropi, o que eles conseguiram recuperar é claro, foi lançada em DVD. Desde o seu primeiro filme, SAI DA FRENTE, onde ele fazia um chofer de taxi, passando por CANDINHO, seu terceiro filme e onde pela primeira vez ele apresenta um caipira, o personagem que ia ser sua marca, até os mais recentes como UMA PISTOLA PARA DJECA. Quem quer comprar consegue até por menos de R$ 10,00 cada DVD. Quem quer locar é só ir numa boa locadora, das que se preocupam em ter este tipo de filme e ver que o Brasil já foi puro.
Até a próxima postagem e um 2008 cheio de felicidades e com grandes filmes.

3 comentários:

Prof Charles disse...

O Mazzaropi fazia tudo isso e sem a Petrobrás.

Pobre Pampa disse...

Teixeirinha também não tinha grana da Petrobrás e fazia seus filmezinhos!

Mas, sobre teatro popular (Sansão e Dalila e outras coisas), no interior tem o Teatro do Bebé. Aparece com frequência em Pelotas e, pasmem, tem um enorme público! Ainda vou romper meu preconceito e dar uma olhada...
Feliz 2008 aos leitores deste esclarecedor blog. Com ele, temos um "lanterninha" de confiança para nossos filmes.

CINEMAN disse...

Ótima lembrança do Teixeirinha, Pobre Pampa. Por sinal está faltando alguem lançar os filmes dele em DVD. Lembro que a Elis Regina disse uma vez, provavelmente puta da cara porque o Teixeirinha vendia mais discos do que ela, "-Cada país tem o Sinatra que merece, o nosso é o Teixeirinha".