terça-feira, outubro 30, 2007

O DMAE E IKIRU


Eu estou hoje sem água na minha casa. Uma situação kafkiana que eu estou enfrentando com o DMAE. Acredito que o funcionalismo desta autarquia esteja seriamente empenhado em impedir a reeleição do Fogaça. Em resumo: Havia um débito antigo que foi parcelado e paga a primeira parcela. Dois dias depois do pagamento a água foi cortada. E agora para ligar cada setor dá uma solução diferente. O Departamento Comercial diz que só em 5 dias poderá religar, mas que eles não tem absoluto controle sobre isto, porque é terceirizado. O terceirizado diz que eu tenho que abrir um buraco na parede senão ele não faz a religação. O setor que parcelou diz que não se lembra de nada. No sistema de computador aparece o pagamento e não aparece o corte. Depois aparece o corte e não aparece o pagamento. Uma coisa louca. E tem gente que é contra a privatização.
Me lembrei dum excelente filme de Kurosawa que revi há alguns dias - IKIRU (VIVER). O filme é sobre um funcionário público, Kanji Watanabe (Takashi Shimura), chefe de um departamento da prefeitura de Tokyo. É um burocrata puro. Passa o dia inteiro carimbando processos que vão e voltam sem nenhuma tomada de decisão, pilhas de processos à direita e à esquerda. Um grupo de mulheres aparece na repartição (repartição é ótimo) tentando obter autorização para construir uma praça pública na comunidade. Ai é um barato. Parece que elas estão no Brasil, ou no DMAE de Porto Alegre. Em cada local que chegam pedem um documento que é fornecido por outro departamento, um carimbo indispensável de outro e assim por diante. É um sobe e desce escada interminável. Ninguem resolve nada. Todo mundo passa adiante. Mas Watanabe, o nosso funcionário do inicio da história tem um mal estar e vai ao médico. No médico ele descobre que tem cancer e poucos meses de vida. Ai vem o filme. Watanabe resolve mudar completamente de vida. Ou melhor passar a viver. E neste passar a viver está o importar-se com os outros. Watanabe resolve pegar o assunto da praça e baipassar todos os obstáculos que a burocracia municipal coloca pelo caminho. A tenacidade e engenhosidade dele produzem uma revolução na repartição. Claro que não vou contar o fim, embora previsível. Vou terminar porque parece que alguém do DMAE está tocando a campainha. Será que vão resolver o meu problema, ou vão querer um carimbo do Fogaça?

Até a próxima postagem..
Observação importante - O filme é de 1952.

6 comentários:

Prof Charles disse...

Não esquenta Cineman. Absolutamente normal. Mas o filme é ótimo, acho que um dos primeiros trabalhos de Kurosawa, ou não?

Anônimo disse...

Fui fan do Fogaça na década de 70, era mais um com idéias avançadas para a época. Me lembro na TV, no Porto Visão da Difusora, quando citava Noam Chomsky. Mais uma fraude socialista do nosso querido país.

CINEMAN disse...

O primeiro filme de Kurosawa é de 1943. Dos nossos conhecidos, antes de Ikiru, eu acho que só o Roshomon que é de 50.

Pobre Pampa disse...

Burocracia é dose pra mamute grávido em qualquer parte do mundo, mas no terceiro é algo mais tangível, pois o burocrata pretende que seu serviço seja reconhecido. E isso só acontece se ele der uma carimbada em algum papel e mandar para um subordinado. O famoso "ao ao"!

E para que um serviço público, se quem faz o serviço é um terceirizado? Terceiriza tudo logo!!!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Muito bom, cineman. Fiquei sabendo agora que tua locadora fica ali na Venâncio perto do Pedrini. Legal. Um dia passo ali.

CINEMAN disse...

Estamos no aguardo Maia. Se passares ali pede para as meninas me chamarem.