terça-feira, setembro 18, 2007

CANDIDATO ALOPRADO (The Man of the Year)




Este fim de semana assisti quatro filmes. Quero comentar dois, até porque os dois tratavam de assunto semelhante e um assunto muito atual. Politica e politicos. O Canditado Aloprado, um péssimo nome, dirigido por Barry Levinson, é teoricamente uma comédia com Robin Williams. Só teoricamente. No final do filme tem uma frase que vale o filme todo." - Políticos são como fraldas, devem ser trocados constantemente... e pelos mesmos motivos". Lembram do Color de Mello? O Sr Calheiros não foi trocado desde aquela época. O filme é sobre um comediante, Tom Dobbs (Robin Williams), que resolve se candidatar a presidente dos Estados Unidos. Com um discurso agressivo, respondendo com clareza as perguntas, apresentando propostas muito claras, ele é exatamente o contrário dos dois candidatos principais, aqueles de sempre, do Partido Republicano e do Partido Democrata. Claro que mesmo assim ele não pode ganhar. Mas a eleição vai inaugurar um sistema de votação eletrônico. E o programa tem um grande bug. Programas americanos as vêzes tem isto, vejam a Microsoft. Antes que pensem que eu estou querendo fazer ilações com o Brasil quero declarar que nosso sistema é absolutamente seguro e nenhum roteirista nacional se atreveria a fazer um filme com uma bobagem destas. Voltemos ao filme. O dono da empresa, Stewart (Jeff Goldblum), quando avisado do bug por uma dedicada funcionária, não faz absolutamente nada. As ações da empresa estão subindo por conta do programa eleitoral. Se o caso vier a tona vem tudo abaixo. As piadas são ótimas e atuais, e melhor, totalmente aplicáveis ao mercado local. Uma entrevista de Dobbs no Saturday Night Live, com Tina Fey e Amy Poehler, é impagável, digna do Saturday Night Live. Acho que vocês não devem perder. O outro filme é menos conhecido, dirigido por Roger Spottiswoode, se chama Plano B (Spinning Boris). O assunto é a campanha para a reeleição de Boris Yeltsin na Russia. Os personagens principais são um trio de marqueteiros políticos americanos contratados para deslanchar a campanha de Yeltsin. Dinamite pura. Parece que estamos assistindo Duda Mendonça e companhia em ação. Eles tem sérios problemas para convencerem Yeltsin a participar pessoalmente de programas de televisão. "- Ele não é um sabonete", diz Tatiana (Svetlana Efremova), filha de Yeltsin, encarregada pelo pai de manter os contatos com os marqueteiros americanos que, obviamente, não podem aparecer em público, estão fechados num hotel de luxo. Se os russos souberem que os imperialistas americanos estão orientando a campanha de Boris, como dizemos aqui, deu pra ele. Tem sacadas ótimas. Com todo cuidado George Gorton (de novo Jeff Goldblum) o marqueteiro chefe, orienta Tatiana. "-Ele tem que aparecer sóbrio na TV". Um branco geral. Gorton tenta se justificar: "-Nas pesquisas apareceu que o povo não gosta que ele beba". O silêncio continua. Então Tatiana, com a cara muita séria diz: "- Então a gravação vai ter que ser pela manhã". Em outra cena eles explicam a necessidade de pesquisas. "- Ele não tem que falar o que está pensando, nós temos que descobrir o que o povo quer e é isto o que ele tem que dizer". Maravilhoso, não? Acho que vocês devem assistir a este filme também.
Era isto, até a próxima postagem.
TRAILER DE CANDIDATO ALOPRADO (Notem que a frase das fraldas aparece no inicio do trailer)

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7 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Assisti ontem no cinema um dos piores filmes do ano: a refilmagem da Morte pede Carona. Cinema vazio e filme ruim. Aliás, ultimamente não tenho tido sorte, mesmo nos DVDs, não gostei da Pele com a Nicole Kidman, o filme é muiiiito bizarro e achei médio o Ilusionista.

CINEMAN disse...

A safra de filmes não está boa Maia, mas dos que sairam recentemente em DVD eu te recomendaria Maria Antonieta e o Bom Pastor. Gosto muito de séries e uma excelente que eu recomendo é House.

Pobre Pampa disse...

Hehe, gostei da frase das fraldas!!! muito boa, mesmo e aplicável em todas as instâncias, já que o tempo é que cria monstros!

Pobre Pampa disse...

Cineman, o PoPa ficou meio perdido com a escolha do representante brasileiro no Oscar. E mais perplexo com as explicações do juri! Será que a influência do governo federal - ou pelo menos a má influência de atitudes - chegou a este juri?

CINEMAN disse...

Olha PoPa, eu não vi nenhum comentário. Só li que o representante brasileiro vai ser o "Quando meus pais..". Eu comentei este filme aqui no blog e gostei muito. É um filme sobre o perídodo da revolução que não cai no esquerdismo fácil. Na minha opinião é uma ótima escolha para representar o cinema nacional, talvez até uma surprendente escolha. Eu estava com medo que escolhessem aquela porcaria do Cinema, Papagaio e sei lá o que ou quem sabe o 1,99.

Pobre Pampa disse...

O comentário que li, dizia de um dos jurados, textualmente, que ele não escolheu o melhor, mas sim o que tinha mais chances com os "velhos" da academia. Comentário estranho para um jurado... de qualquer maneira, espero que "quando meus pais..." faça seu trabalho. Li uma crítica que ele seria quase uma refilmagem de um filme argentino, não lembro o nome. Vou pesquisar.

CINEMAN disse...

Pobre Pampa, ele é muito comparado, por causa da semelhança dos nomes, com um filme do Emir Kusturika, "Quando Papai saiu em Viagem de Negócios", mas, fora o fato da história ser contada da perspectiva de um garoto e ocorrer durante um período de anormalidade política, não tem maiores semelhanças. Por sinal, outro grande filme que vale a pena rever. Mas os filmes que ele mais se assemelha são o argentino que tu falastes, Valentin e o chileno Machuca, até porque os três tem o mesmo pano de fundo que foi a ditadura no cone sul. Mas são abordagens muito diferentes. A qualquer hora vou comentar estes dois filmes.