quinta-feira, julho 05, 2007

LYSENKO, TRUFFAUT, RATINHOS e RAPOSAS


Algumas postagens atras falamos do czar da biologia soviética, Trofim Lysenko. Se vocês lembram foi o cara que tentou subordinar a agricultura aos principios do marxismo. Nada muito diferente do que alguns andam propagando hoje embora ninguém mais se atreva a dizer que plantando milho, em determinadas circunstâncias, vamos produzir trigo. Vou pedir para vocês lembrarem, também, um grande filme de Truffaut - Fahrenheit 451. O nome do filme originado da temperatura em que o papel entra em combustão. Vocês certamente lembram que existia um corpo de bombeiros especializado em localizar livros e queimá-los. No final do filme, absolutamente genial, vemos um grande grupo de pessoas, escondidas numa floresta, recitando os grandes livros da humanidade. Cada um é um livro.
Pois não é que na Russia de Stalin aconteceu algo semelhante. Enquanto Lysenko facilitava a ida para os Gulags da Sibéria de qualquer um que não achasse que Mendel era um completo imbecil, no meio da própria Sibéria, Dmitry Belyaev, em segredo, tal qual os livros humanos de Truffaut, continuava suas experiências genéticas com animais. Um amigo meu me passou um artigo muito interessante de Duda Teixeira, na revista Veja - Rato Bom e Rato Malvado - que trata exatamente deste trabalho de Dmitry Belyaev. O assunto: Domesticação dos animais. A teoria comumente aceita é de que o homem foi o principal ator, dominando e confinando os animais que o interessavam. As experiências de Dmitry mostram outro caminho. Alguns animais se aproximaram dos homens e a convivência de inúmeras gerações levou aos animais domésticos de hoje. Dmitry trabalhou com ratos separando aqueles que aceitavam melhor a presença do homem. Fazia o cruzamento entre os menos arredios e nas sucessivas gerações continuou fazendo exatamente a mesma operação. Em 15 anos, 60 gerações, ele conseguiu ratinhos que adoravam receber um carinho como qualquer gatinho de estimação. Com raposas, estas certamente fazendo juz ao nome, em apenas 8 gerações ele transformou animais ariscos em afáveis raposinhas que abanavam o rabo mal Dmitry entrava no laboratório. Puro Mendel. A teoria por tras do trabalho de Dmitry é que a domesticação pode ocorrer muito rapidamente (o caso das raposas) e que existe uma base genética comum a muitos, se não a todos os animais domesticados. Dmitry não podia realmente se arriscar. Sua pesquisa ia contra os principios basilares da ciência agrícola soviética. Só agora me dou conta de que a teoria anterior que nós compramos até agora era puro Lysenko. Sem colocar a ocorrência de uma base genética o que aceitavamos é que - comportamentos adquiridos podiam ser transmitidos para outras gerações. A única excessão que me ocorre é a de um outro tipo de raposa, bem nossa conhecida, que mesmo sem ter necessariamente uma base genética, transmitem de geração em geração, este comportamento vergonhoso que estamos vendo todos os dias no congresso nacional.
ASSISTA AGORA A UM FILME RUIM, COM UM PÉSSIMO ATOR, COADJUVANTES PIORES AINDA, MAS QUE FOI FINANCIADO POR NÓS TODOS

Um comentário:

Pobre Pampa disse...

Tens razão, o filme é de péssimo gosto! Talvez por causa deste e de outros, é que o agronegócio leva tanta porrada nestepaís!