quinta-feira, dezembro 07, 2006

O CACHORRO


Os americanos do norte do Rio Grande não tem vergonha em aceitar que o inglês falado na Grã Bretanha apresenta uma qualidade fonética superior ao ingles americano. Mesmo nos estados do Sul, onde se utiliza um dialeto muito semelhante ao inglês, este fato é reconhecido. Nos estados do nordeste, como Massachussets, de maior padrão cultural, existe uma verdadeira compulsão de praticar um inglês o mais próximo possível do praticado pelo antigo colonizador. Na Argentina, apesar do argentino se reconhecer no topo da cadeia da evolução humana, o espanhol de espanha é reconhecido como quase igual ao praticado na Argentina. No Brasil nós não temos nenhuma afinidade com o português de Portugal que consideramos de sonoridade inferior. Ninguem imagina ficar assistindo um programa da TV portuguesa.
Talvez isto explique porque na produção de filmes sejam comuns as parcerias entre estes paises, diretores e atores ingleses participando em filmes americanos e vice-versa, diretores e atores espanhois participando em filmes argentinos e vice-versa. Isto traz diversidade.
Não apenas por isto, mas também por isto, o cinema argentino está vivendo um momento excepcional.
Assisti um dia destes " O Cachorro". Não sei o que mais me marcou neste filme, se o próprio ou o personagem. A história é simples. Na Patagônia um homem idoso perde seu emprego num posto de gasolina e procura sobreviver vendendo facas artesanais. De forma bem sutil vai sendo mostrada a situação falimentar da Argentina. Após prestar um favor para duas mulheres, mãe e filha, ele recebe um cachorro de presente. Um dog argentino que o falecido marido de uma delas pretendia usar para implantação de um canil. A partir daí o filme e a vida deste personagem tomam outro rumo até que uma decepção antológica põe todos os seus planos abaixo. Mas a simplicidade e a tenacidade de nosso personagem acabam pondo tudo no lugar, tudo resumido em uma outra cena, desculpem a repetição, antológica.
Não percam. É cinema de primeira.

Um comentário:

jose real disse...

Gostei da hipótese do intercâmbio de pessoal de ex-colônias e colonizados, como um fator de aprimoramento de ambos no cinema.
E tem sido raras essas "misturas" no caso da nossa "Última Flor do Lácio". Aprendi com meus mestres da Língua, no Jornalismo, que, apesar de nosso preconceito (ou conceito) o Português de Portugal é que é o moderno, ou avançado. E o nosso, o mais próximo do arcáico, ou seja, do que se falava quando a língua aportou aqui. Haveria grotões em que ela seria quase exatamente a quinhentista ou por aí. E que a língua do Rio, por exemplo, seria a mais avançada "neste país". A do nosso RS seria das mais atrazadas na evolução considerada.Mas,
corria, então, a década de 1960...
De minha parte, não gosto do português na boca dos portugueses. Mas adoro, me delicio, me arrepio, com o mesmo português na das portuguezinhas...